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  1. 28/05/2008

    O INÍCIO DO PROFISSIONALISMO NO SURFE

    Aloha amigos,


    Hoje vamos relembrar um pouco do início do surf profissional no Brasil. Foi somente a partir do começo da década de 70 que foi plantada a semente do surf competição no Brasil. Até então, o surf no Brasil se resumia apenas ao Rio de Janeiro e São Paulo.

    Em 1972 o campeonato brasileiro de Ubatuba deu a partida para uma revolução que iria possibilitar o começo do profissionalismo no surf brasileiro. Disputado na Praia Grande, e organizado pelo Paulo Issa, este evento atraiu a presença de surfistas de todo o Brasil.
    Do Rio foi uma turma da pesada. Me lembro que nós, cariocas, ficamos acampados na praia: eu, Bocão, Betão, Marquinhos Berenguer, Paulinho Proença, mais uma galera.


    Rico o primeiro campeão brasileiro - Ubatuba 1972 - Foto: arquivo pessoal

    Em 72 foi a primeira vez que foi disputado um título brasileiro de surf, e eu tive a sorte de me tornar o primeiro campeão nacional. Nos anos seguintes, a gente passou a fazer uma espécie de peregrinação anual para Ubatuba, a fim de disputar o título brasileiro.

    O surf ainda estava engatinhando naquela época e portanto havia muitos poucos surfistas além dos limites do Rio e de São Paulo. E por isso mesmo, quem vencesse o campeonato de Ubatuba, e posteriormente o de Saquarema, era considerado campeão brasileiro.

    Foi somente depois deste primeiro campeonato de Ubatuba que o surf competição deslanchou no Brasil. Tenho muito orgulho de ter inaugurado esta tradição. E acredito que minha vitória na Praia Grande, em 1972, tenha sido o titulo mais importante da minha carreira como surfista.

    Desde que eu comecei a surfar, por volta de 1964, tive a oportunidade de disputar várias competições, no Brasil e também no exterior, mas jamais vou esquecer a emoção que senti ao vencer , em 1972, o brasileiro de Ubatuba.

    Foi um título que não apenas me deu projeção nacional, mas também acabou abrindo muitas portas para mim. Como surfista, e também como ser humano. Isto numa época em que ser surfista ainda estava longe de ser considerado uma profissão. Muito pelo contrário.

    No início dos anos 70 os surfistas ainda eram vistos como desajustados. O preconceito era grande e muitos pais proibiam seus filhos de surfar. Bem diferente dos dias de hoje, quando ser surfista é “cool”. Me sinto orgulhoso de ter contribuído para que esta imagem fosse aos poucos sendo aceita pela sociedade em geral. Atualmente, os surfistas fazem parte de uma tribo que é sinônimo de saúde e liberdade.

    Nos dias de hoje, ser surfista não é mais vergonha para ninguém. Muito pelo contrário. Muitos pais incentivam seus filhos a surfar, e as escolinhas de surf estão cada vez mais se proliferando por todo o Brasil. Atualmente, os surfistas têm uma imagem muito mais positiva do que naquele tempo. Quando éramos vistos como um bando de cabeludos. Acredito que a minha geração contribuiu decisivamente para que esta nova imagem dos surfistas fosse aos poucos sendo mais aceita pela sociedade em geral.

    Já se passaram mais de 35 anos desde a minha vitória em Ubatuba e é curioso reparar como o surf mudou desde então. Eu tenho boas recordações desta época. Um tempo em que ainda éramos ingênuos e movidos pela nossa paixão. Na verdade, não tínhamos a menor idéia de onde o surf poderia nos levar. Muito menos do quanto que ele iria evoluir e se transformar numa indústria milionária.

    Sinto muito orgulho de ter sido um dos pioneiros do surf aqui no Brasil. Hoje em dia, vejo o circuito mundial crescendo e o surf se espalhando pelo mundo e confesso sentir uma pontinha de orgulho por ter participado deste processo.

    Aloha e boas ondas, Rico de Souza.


  2. 23/05/2008

    CARROS E OS PRIMEIROS SURFARIS

    Aloha amigos,



    Hoje vamos falar um pouco da importância e da influência dos carros na evolução do surf. No Brasil e também no resto do mundo. Nos anos 60 ter um carro era uma raridade. Um verdadeiro luxo. Mas foi graças a eles que a minha geração pode realizar os primeiros “surfaris” pelo litoral brasileiro. Quando eu comecei a surfar, por volta de 1964, o Endless Summer tinha acabado de ser lançado. O filme foi um grande sucesso na época e nos motivou a descobrir novas ondas. No filme, dois surfistas viajavam em volta do mundo atrás de ondas perfeitas. Um estilo de vida que acabou influenciando a minha e várias outras gerações.

    Apesar de já ter se passado mais de 40 anos desde o seu lançamento, creio que até hoje o Endless Summer é um filme atual, pois continua inspirando milhares de surfistas a correr atrás de ondas perfeitas.Em 1964 o surf no Rio de Janeiro ainda estava limitado às praias do Arpoador e de Copacabana, entre os Postos cinco e seis. Os únicos lugares onde você podia encontrar um surfista no Rio de Janeiro. A gente surfava no Arpoador nos dias de swell e vento de leste, e no Posto cinco quando entrava o sudoeste.


    Eu meu saudoso Fusquinha, bons tempos...- foto arquivo pessoal.


    Outro lugar que a gente surfava de vez em quando era o pontão do Leblon. O fato é que até a primeira metade da década de 60 o surf no Rio de Janeiro estava limitado `a zona sul carioca. O Quebra mar e a Barra, por exemplo, ainda não haviam sido descobertos. Uma realidade bastante diferente da atual.Foi somente a partir da segunda metade dos anos 60 que passamos a expandir nossas fronteiras. O canto do Recreio e a praia da Macumba foram os primeiros picos que descobrimos além da zona sul carioca. Nos dias de sudoeste a gente surfava no Recreio, e quando entrava o leste a praia da Macumba era nosso pico favorito.

    Eu tinha uns 14 anos quando comecei a explorar estes novos picos ao lado de uns amigos mais velhos, como o Paulete, o Ciro Beltrão e o Ricardo do Leblon, que tinha um carro com tração nas quatro rodas. Foi graças a ele que realizamos aventuras inesquecíveis. Poucos surfistas conheciam aquelas bandas antes dos anos 70, quando as estradas eram ruins e poucos surfistas tinham carros. Foi mais ou menos nesta época que a Prainha foi descoberta. Havia uma trilha no final da praia da Macumba na estrada do Pontal que dava acesso acabava um pouco antes de chegar a Prainha. De lá descíamos pelas pedras. Fazíamos isso para evitar o crowd: a gente dizia que ali existia um leprosário. Bons tempos aqueles. De muitas ondas e pouca gente na água.


    Guaratiba foi a próxima fronteira a ser explorada. Foi o Penho, nosso guru na época, e um dos surfistas mais visionários que eu já conheci, o primeiro a surfar em Guaratiba. Onde só era possível chegar depois de pelo menos três horas de viagem desde a zona sul. O Penho foi um dos pioneiros do surf brasileiro. O cara que descobriu lugares como Guaratiba e Saquarema. E que durante muito tempo surfou sozinho estas ondas.


    Saquarema e Cabo Frio foram lugares que começamos a freqüentar por volta do final dos anos 60. O Penho estava sempre atrás de um novo lugar, onde ele pudesse surfar sozinho. Foi a sua curiosidade e espírito de aventura que nos ajudou a expandir nossas fronteiras. A gente deve muito a ele.Me lembro que a partir do início dos anos 70 eu passei a ir frequentemente pra Saquarema. Na maioria das vezes com o Marcelo Caneca, meu grande parceiro na época. A gente acampava em Itaúna quando ainda não existiam roubos, nem perigo de assaltos. Deixávamos nossa barraca armada na praia com nossas pranchas e demais pertences dentro, enquanto íamos andando até a praia da Vila para comer no restaurante Marisco. Como não havia outros surfistas a gente surfava sozinho as ondas de Itaúna. Que saudad!

    Comprei meu primeiro carro em 1970, quando fiz 18 anos. Em 1972 fiz minha primeira surf trip pra fora do estado do Rio com o objetivo de disputar o campeonato brasileiro de surf, em Ubatuba. Eu, o Horácio (Seixas) e o Serginho Ratinho fomos a bordo do meu fusquinha, que estava com todos os pneus todos carecas. Como eu ainda não tinha carteira de motorista, foi o Horácio quem dirigiu a maior parte do tempo. Na época, a estrada Rio-Santos havia acabado de ser aberta e ainda não estava totalmente pavimentada. Por causa da precariedade da Rio-Santos, me lembro que mais de uma vez tivemos que ser rebocados por um trator.


    Num determinado momento da nossa viagem, eu estava dormindo no banco de trás quando o carro derrapou e acabou dando vários 360 antes de parar. Foi uma aventura inesquecível. Eu tenho boas recordações destas primeiras trips pra fora do Rio: Saquarema, Ubatuba e, posteriormente, o sul. Foram tempos de descobertas e aventuras que eu jamais irei esquecer. Claro que nada disto teria sido possível se não fossem os carros. Eles foram fundamentais no desenvolvimento do surf e na descoberta de novas ondas no litoral brasileiro. Foi um tempo de muitas descobertas, quando éramos movidos por nossa vontade de explorar um litoral praticamente virgem, e assim descobrir novas ondas.

  3. 19/05/2008

    RABITT KEKAI UMA LENDA HAVAIANA

    Aloha amigos,


    Hoje vamos falar um pouco de uma das lendas vivas do surf mundial : o havaiano Rabbit Kekai. Um dos pioneiros do surf no século XX e um dos poucos remanescentes vivos dos primeiros Beach Boys, o Rabbit Kekai é um dos mais importantes surfistas havaianos de todos os tempos.

    Para quem não sabe, os beach boys formavam uma turma de surfistas que a partir das primeiras décadas do século XX freqüentava a praia de Waikiki, onde costumavam surfar e introduzir o surf e alguns valores da milenar cultura havaiana para os turistas que chegavam em Honolulu. O Rabbit Kekai é um sujeito muito querido por aqueles que o conhecem. Contemporâneo de outras lendas do surf havaiano, como o falecido Woody Brown, o John Kelly e o Buffalo Kealuana, ele é uma figura muito respeitada em todo o mundo do surf.


    Rabitt Kekai e eu nos anos 90 - Foto: arquivo pessoal


    Os Beach Boys se tornaram famosos após a segunda guerra mundial, quando passaram a ser vistos como uma espécie de embaixadores do surf havaiano. Na época, o Hawaii começava a entrar na rota do turismo mundial e a atrair os primeiros turistas americanos. Os Beach Boys foram os primeiros surfistas a divulgar a imagem e a cultura havaiana para além dos limites da polinésia. Duke Kahanamoku, considerado o pai do surf moderno, fazia parte desta turma, que tem seu lugar reservado na história do surf mundial.

    Hoje em dia, apesar de já estar com mais de oitenta anos, Rabbit Kekai continua surfando e exibindo muita saúde. Uma prova viva de que o surf é uma atividade que ajuda a aumentar a expectativa de vida de seus praticantes. A verdade é que, mesmo ainda saudável, Rabbit Kekai está começando a sentir o peso da idade. Algo inevitável. Mesmo para alguém como ele, que passou boa parte da sua vida curtindo o surf e as boas vibrações do arquipélago


    havaiano.
    Kekai remando - Foto: Surfersvillage.com

    Até bem pouco tempo atrás era realizado anualmente um campeonato de surf, o Rabbit Kekai Invitational, em homenagem a esta verdadeira lenda do surf. O evento costumava acontecer na Costa Rica e atraia a presença de surfistas do mundo inteiro: Havaianos, brasileiros, americanos, australianos, franceses...enfim, surfistas de diferentes lugares do planeta faziam uma espécie de peregrinação à Costa Rica para prestar uma homenagem a este ícone da cultura surf.

    Tive o prazer de participar por mais de duas vezes do "Rabbit Kekai Invitational", tendo inclusive vencido uma vez o campeonato no final dos anos 90. Ganhei como prêmio uma prancha "Surfboards Hawaii", que guardo com muito carinho no acervo do museu do surf. Me recordo que a última vez que eu competi no "Rabbit Kekai Invitational". O mar estava difícil e as ondas tinham cerca de um metro e meio. Não tinha canal e mesmo estando díficil para passar a arrebentação o Rabbit caiu na água.

    Na ocasião, deu pra reparar que qualquer um com a sua idade, mesmo sendo um sujeito saudável e atlético como o Rabbit, começa a sentir o inevitável peso dos anos. Infelismente nestes últimos dois anos o evento não vem sendo realizado por falta de patrocínio. Atualmente o Rabbit trabalha como beach marshal em diversos campeonatos de surf. Principalmente nas provas do Triple Crown, que são realizadas anualmente no North shore da ilha de Oahu durante o inverno havaiano.

    O Rabbit é um cara bacana, simples, elegante, e que está sempre disposto a ajudar. Seja um amigo, ou até mesmo um desconhecido. Uma prova de que ele carrega na sua alma o verdadeiro espírito do aloha. Eu tive o prazer de ser apresentado ao Rabbit pelo Randy Rarick, um amigo que temos em comum. O Randy é um sujeito que eu admiro muito, um dos fundadores da extinta I.P.S. (International Professional Surfing), e o grande responsável pela organização do surf profissional `a partir da segunda metade da década de setenta.

    Foi através do Randy que passei a ter mais contato, e a conhecer mais de perto o Rabbit. Outro cara que está sendo divulgando o surf e a cultura havaiana em volta do planeta.Durante os últimos trinta anos, tive o prazer de estar com o Randy e o Rabbit em várias partes do mundo.

    Aproveito esta oportunidade para deixar um abraço para estes dois grandes surfistas.
    Em especial para o Rabbit, um dos meus ídolos no surf.

    Aloha- Boas ondas Rico de Souza

  4. 14/05/2008

    CLYDE AIKAU: HUMILDADE DE UM CASCA-GROSSA

    Aloha amigos,

    Hoje a gente vai falar do meu amigo Clyde Aikau, uma das maiores lendas vivas do surf havaiano e um dos melhores surfistas de ondas grandes que eu já conheci.

    O Clyde é um sujeito maravilhoso. Muito tímido e dono de um grande coração. Sua fisionomia polinésia, de traços fortes, pele morena e tímido por natureza, a primeira vista assusta `aqueles que não o conhecem. Mas no fundo o Clyde é uma grande criança e um amigo do qual eu gosto muito.


    Eu e Clyde na Prainha - Foto: arquivo pessoal


    Eu o conheci no ano em que seu irmão,Eddie Aikau, desapareceu no mar após o naufrágio da canoa Hokule’a. Na ocasião, nós estávamos juntos na Austrália, disputando o Stubbies Classic, um dos campeonatos mais importantes no circuito mundial da época.

    Junto conosco estava também uma galera muito gente fina. Entre eles o falecido Pêpe, o Cauli (Rodrigues), o própio Clyde e o Eddie (Aikau), além do restante do time havaiano.

    Num belo dia durante nossa viagem pela Austrália, o Eddie me disse que teria que voltar imediatamente para o Hawaii, pois iria cruzar o oceano Pacífico como membro da tripulação da canoa Hokule’a.

    A idéia era realizar a travessia entre o Hawaii e o Tahiti, refazendo a rota que os antigos polinésios costumavam percorrer nas suas viagens pelo Pacífico.

    O desafio seria completar a viagem sem a ajuda de nenhum instrumento de navegação moderno. Exatamente como fizeram durante séculos os seus antepassados polinésios.

    Antes de partir, o Eddie me pediu pra tomar conta do Clyde, seu irmão mais novo, que iria ficar comigo na Austrália. Eu já conhecia o Eddie há algum tempo. Nos tornamos amigos durante minhas primeiras viagens ao Hawaii, no início dos anos 70. No North shore o Eddie era o dono do pico, principalmente em Sunset e Haleiwa, onde nós costumávamos surfar com mais freqüência. O Eddie era, a exemplo de muitos havaianos, um sujeito tímido e reservado, mas dono de um belo e cativante sorriso.


    Enfim, depois que o Eddie partiu de volta para o Hawaii, eu fiquei tomando conta do Clyde durante o resto da nossa viagem pela Austrália. Fomos juntos do Gold Coast para Bell’s Beach, onde dividimos uma casa. Me lembro que as ondas estavam ruins e o frio era de lascar.

    Depois de vários dias de muito frio e poucas ondas, eu ouvi alguém bater na porta da nossa casa no meio da madrugada. Estranhei pelo horário, mas logo vi que se tratava de algo sério. A notícia não poderia ser pior: a Hokule’a havia afundado e o Eddie estava sumido no mar há uns dez dias. Eu tive que acordar o Clyde e lhe avisar o que tinha acontecido com seu irmão.

    Como o Clyde estava sem dinheiro pra comprar uma passagem de volta pro Hawaii, eu acabei emprestando uns dólares para ele. O detalhe era que eu tinha pouco dinheiro no bolso e acabei ficando praticamente duro do outro lado do mundo. Mas tudo bem. Eu sabia que aquele era um momento difícil para todos nós, em especial para a família Aikau, e eu não podia ter tido outra atitude. Esse triste acontecimento serviu para fortalecer ainda mais nossa amizade.

    Depois deste trágico episódio nos tornamos amigos para o resto da vida e o Clyde sempre que pode faz questão de me agradecer pela ajuda que lhe prestei naquele momento tão triste. Me lembro que ele tinha um adesivo Rico colado na caminhonete que dirigia no Hawaii. Uma homenagem e tanto.

    Os anos passaram e nós continuamos nos falando, e nos encontrando, principalmente durante o inverno no Hawaii.Quando eu tive a oportunidade de organizar uma mostra com o museu do surf para a Braskam, no Madureira Shopping, aproveitei para convida-lo para conhecer o Brasil e ser o mestre de cerimônia do evento. Foi uma maneira que eu encontrei para demonstrar minha admiração por ele e por sua família, além de dar ainda mais credibilidade ao evento. Afinal de contas, o sobrenome Aikau é uma espécie de lenda no mundo do surf.

    Na ocasião, o Clyde trouxe do Hawaii uma prancha que havia pertencido ao Eddie para me dar de presente. A prancha tem uma dedicatória a um outro membro da família Aikau, o Gerry, um de seus irmãos, que faleceu num acidente de carro, em Kahuko, no Hawaii.

    Hoje em dia, apesar de já estar com quase 60 anos de idade, o Clyde mantém um excelente preparo físico, faz tow in e continua pegando ondas grandes.

    Me recordo de uma história que ele me contou quando estava no Brasil. Durante o primeiro Eddie Aikau Invitational, o campeonato que é anualmente realizado em Waimea em homenagem `a memória do Eddie, o Clyde estava competindo quando avistou uma tartaruga um pouco mais para fora de onde os competidores estavam esperando pelas séries.

    O Clyde me explicou que as tartarugas são animais sagrados na cultura polinésia, e que no momento que a avistou sentiu a presença do seu irmão. Como se fosse o espírito do Eddie lhe avisando para remar um pouco mais pra fora. E foi o que ele fez.

    Não demorou muito para que surgisse no horizonte a maior série do dia. Enquanto os demais competidores tomavam as ondas na cabeça, o Clyde pegou a maior de todas e acabou vencendo o campeonato.Eu tenho muito orgulho de ser amigo de um sujeito como o Clyde. Generoso e carismático.

    Numa das vezes que estive no Hawaii, tive a oportunidade de visitar sua escola de surf em Waikiki e curtir um pouco ao lado dele. Até hoje, a gente sempre que pode está junto.

    Atualmente ele tem se dedicado a ensinar o seu filho a surfar. Me lembro que numa outra ocasião desfrutamos de alguns momentos maravilhosos junto com nossas famílias no Hawaii. Aproveito a oportunidade para lhe desejar tudo de bom e deixar aqui um forte abraço.

    Aloha! Boas ondas.
    Rico de Souza

  5. 09/05/2008


    MICHAEL HO, TÉCNICA APURADA NOS TUBOS

    Aloha amigos,


    Dessa vez eu vou falar sobre uma das lendas do surfe mundial, o havaiano Michael Ho. Eu o conheço desde 1972, quando fui disputar o campeonato mundial na Califórnia, em Ocean Side, o qual o Jaime Bears foi campeão com uma prancha fish board, novidade na época. Esse campeonato foi especial pois foi na mesma época em que ganhei o campeonato brasileiro em Ubatuba e depois fui para a Califórnia e posteriormente para o Havaí.


    Quando chegamos na Califórnia, lembro-me que o time do Havaí, ou pelo menos a maioria deles, surfava com as pranchas do Ben Aipa, na época ele havia lançado a "swalow tail" conhecida entre os leigos como rabo de peixe. E lembro que o Larry Bertleman e o Button estavam surfando tão bem, que outros surfistas de outras equipes pegavam o cerrote e cortavam as rabetas "diamond" e as tranformavam em swallows, de tão bom que era o surfe deles. E nessa época eu fiz amizade com eles e acabei indo para o Havaí, onde competi com o Michael em um campeonato.

    Cheguei a ganhar dele em Haleiva, o que pra mim foi uma honra pois pra mim ele é, sem dúvida, um dos grandes nomes do surfe mundial. Na final desse evento o mar baixou e o evento foi transferido para chuns reef e eu acabei em quarto lugar na final. Mas o que é importante mesmo de falar do Michael Ho é lembrar que ele é um cara muito humilde e que me ensinou muito. Em 1976 eu tive a oportunidade de ir a Bali: eu, Michael Ho, Brian Surrat, Rory Russel e Jhony, um local
    de São Francisco.


    Rico e o lendário Michael Ho posam em frente a Pipeline na última temporada - Foto: arquivo pessoal

    Na época o Brian era um local casca-grossa e expulsou todo mundo do pico e ficamos só nós quatro dentro da água. Imaginem Uluwatu com quatro caras na água! Peguei ondas espetaculares, inacreditável. E mais tarde, quando o Michael Ho veio competir aqui no Brasil, no Waymea 5000, eu tive a oportunidade de shapear algumas pranchas pequenas pra ele. Pranchas com uma quilha, com canaletas. Também fiz pranchas para o Hans Hedman, para o Buzzy Kerbox - um dos precursores do tow-in.


    Ho mostrando a sua técnica de grab rail no Taiti - Foto: ASP

    O Michael surfou muito bem com as pranchas e chegou a ter excelentes resultados com uma prancha minha. Nessa época ele foi campeão do Pipeline Master. Ele entrou para história ao vencer o evento com o braço engessado, pois estava com uma fratura. Mesmo assim, com Pipeline quebrando entre 10 e 12 pés, ele venceu o evento. Ele foi o primeiro cara a começar a entubar com maestria no que chamamos de "Grab Rail" , que é quando se entuba de costas para onda, segurando a borda. E hoje em dia é legal a nossa amizade. Nossos filhos competem juntos e sempre mantemos o contato. Fazemos um intercâmbio muito legal entre as famílias. O Michael Ho é o irmão mais velho de Derek Ho, ex-campeão mundial de surfe. E ele me confidenciou que antigamente o Derek roubava as pranchas pequenas que eu fazia para ele e ia surfar em Ala Moana.


    Michael Ho no Backdoor de Pipeline - Foto: carlosburle.com

    Mais uma coisa que merece ser registrada: o Michael era um dos melhores tube riders do mundo, junto com Shaun Thonsom e o Dane Kealoha.

  6. 04/05/2008

    GERRY LOPEZ, O ETERNO MESTRE DO SURFE

    Aloha amigos,

    Desta vez vou falar sobre um grande surfista pelo qual tenho muito orgulho de ser amigo, o eterno Guerry Lopez.




    Keale Lemos, filho do fotógrafo Bruno Lemos, posando na foto com seu ídolo, o surfista Gerry Lopez. Foto: Fred Rozário

    Idolatrado por todas as gerações e muito carismático, foi o primeiro cara que realmente conseguiu andar por dentro dos tubos havaianos. Suas performances eram tão marcantes que foi considerado o “Rei de Pipeline” na década 70.



    Gerry surfando em Pipeline na década de 80

    Além disso, foi um dos precursores do Tow in, quando morava na Ilha de Maui, e sempre desejou que as pessoas surfassem a monstruosa onda de Jaws. Sempre muito inteligente, lançou a “Lightning Bolt”, que ficou conhecida no mundo inteiro pelos desenhos dos raios de luz nas pranchas e até chegou a fazer alguns filmes de Hollywood, entre eles “Conan, o bárbaro”.

    Atualmente ele mora com sua família no estado do Oregon, nos Estados Unidos, e continua com a sua produção de pranchas de surfe, além de ter lançado recentemente um livro, que inclusive enviou para mim com dedicatória.



    Capa do livro "SURF is where you find it", de Gerry Lopez

    Desde que conheci o Gerry em 1969, no Peru, ele mostrou ter um lado espiritual muito bem desenvolvido e ser um cara muito bem articulado. Querido no Havaí e em várias partes do planeta, é sem dúvidas um eterno ídolo do surf mundial.

    Deixo aqui um abraço carinhoso ao mestre Gerry Lopez.

    Aloha!



  7. 29/04/2008

    BRIAN SURRAT, UM MESTRE

    Aloha amigos,


    Tive a oportunidade de fazer a minha primeira escola de surf, no Arpoador, no Verão de 1982, 1983. Foi uma escola que era gratuita e que nós convidamos o pessoal local do Arpoador, do Morro do Cantagalo e foi bem legal.



    Eu e Brian no em frente ao seu furgão - Foto: arquivo pessoal

    Nessa escola tive a oportunidade de ter grandes instrutores: Picuruta Salazar, Almir Salazar, Pepê César, diretor de cinema que fez o Fábio Fabuloso, Ismael Miranda, entre outros. Através da escola de surfe eu plantei uma semente muito importante. Nas escolas de surfe você educa a pessoa a ter o respeito a natureza, a se alimentar bem, a ter respeito pelos outros surfistas na água.

    Eu já visitei escolas em diversas partes do mundo. Uma das escolas que mais admiro é a do Brian Surrat, que tem a Sunset Surrat Surf School. Ele trabalha em Haleiwa, em Puena Point. E além de ser instrutor é técnico do Mason Ho, filho do Michael Ho – uma das lendas vivas do surfe havaiano - e, consequentemente, sobrinho do ex-campeão mundial Derek Ho.


    Brian ensinando com estilo - Foto: Rico


    O Brian faz um trabalho bem legal com os turistas, no qual filma e tira fotos , tornando-se um verdadeiro ponto turístico para quem visita o Havaí e quer pegar umas ondinhas para animar a viagem, e registrar o momento em que pratica o esporte dos reis havaianos.


    O furgão da escola - Foto: Rico

    O Brian é um local cascudo. Eu o conheço desde 1972. É um cara que tenho um tremendo respeito e fiquei muito feliz em ver que a sua escola vai de vento em popa, pois ele é um ótimo surfista e sua experiência, com certeza, faz a diferença para os alunos.

    As escolas de surfe tem um papel fundamental, educativo no surfe. Elas ensinam o básico do esporte e formam surfistas que no futuro se portarão bem melhor na água. Aproveito para deixar meus parabéns ao Brian e a todos os instrutores que fazem esse trabalho aqui no Brasil.


    Os turistas se preparando para a aula - Foto: Rico

  8. 26/04/2008

    WATERMANS E O STAND UP DE TRAVESSIA

    Aloha amigos,

    Hoje irei falar um pouco sobre a cultura do Havaí e suas várias formas de manifestação, além da tradição do povo havaiano.

    Um dos ícones havaianos foi o surfista e guarda-vidas Eddie Aikau, que foi fazer uma travessia com mais onze havaianos, partindo do Havaí até o Taiti. O percurso foi feito sem instrumentos, apenas olhando para as estrelas como orientação. Eddie simboliza o conceito de Waterman entre os havaianos: o cara que mergulhava, que pegava onda, nadava, remava, remava em canoas e também era pescador. Dentre essas inúmeras atividades, uma que não posso deixar de falar é a travessia entre uma ilha e outra, do arquipélago havaiano.




    Amarradão com a SUP de travessia - Foto: arquivo pessoal

    Uma das atividades que têm crescido bastante é o Stand Up Surfing, mais conhecido como SUP, que também é utilizado em travessias. Nesse tipo de modalidade, uma das travessias é remada entre Molokai e Maui, que são mais de cinqüenta quilômetros e podem durar até nove horas, ou mais. É bem pesado. Eu recebi um convite do Vitor Marçal, que tem uma dessas pranchas de SUP de travessia, com 16 pés de comprimento, para remar em uma de suas pranchas. É muito bom remar nesse tipo de prancha quando o vento está a favor. No dia em que remei com ele, os ventos estavam com aproximadamente 50 Km/h direção Sunset para Waimea e o vento estava tão forte que eu mal conseguia segurar a prancha. Coloquei ela na água e remei para o out side de Sunset com o Vitor, que tem muita experiência e é um campeão de travessias no Havaí. Também estava o Cris, outro guarda-vidas.





    As pranchas chegam a ter 16 pés - foto: arquivo pessoal





    Nós pegamos o vento a favor em direção a Waimea e fomos no que chamamos “down wind”. Mas o Vitor mostrou que realmente está com a “manha” do Stand Up de Travessia. Além de remar muito bem ele foi conectando e surfando nas ondulações, ele ia embalando e pegando velocidade ao sabor das ondas. Ele conseguia uma velocidade bem superior a minha com essa técnica e digo que ele é nosso mestre no SUP.



    Eu e Vitor Marçal, nosso mestre no SUP - Foto: arquivo pessoal

    Esse dia foi bem divertido e eu fui remar depois de um dia em que eu dei três caídas, uma delas surfando de SUP. Peguei umas ondas lá em Laniakea e já estava bastante cansado, mas eu não queria amarelar para o convite de remar de Sunset para Waimea. A sensação foi espetacular: está ali no alto mar, sozinho, sentindo a força do oceano. Eu me incluo nesse conceito do Waterman por que eu gosto de mergulhar, de pegar onda de pranchinha, de pranchão, de SUP.

    Agora eu estou me lembrando de uma fase em que eu remava – nas também tradicionais padlle boards, às quais se rema deitado - todos os dias da praia da Macumba até o Quebra-Mar, no Rio e nessa fase eu adquiri um ótimo preparo físico e eu acho que essas remadas são muito legais. Eu também fui do Arpoador até a Ilha Redonda, são 30 Km ( ida e volta ) e você tem que estar em total harmonia com o mar, pois ali você não está fazendo isso pra ninguém, é só você e o mar. Outra travessia que eu fiz que também foi bem legal, foi quando eu saí de Geribá, em Búzios e fui até a Praia do Forte, em Cabo Frio. Foi um percurso bem longo, a água estava bastante fria, o mar bem grande e quem me acompanhou para me pegar de carro em Cabo Frio foi o Carlos Augusto, o “Cara”. Acabei chegando bem antes do esperado e o percurso durou cerca de duas horas e meia. Fiquei esperando ele lá durante horas e acabei pegando uma carona para voltar para Búzios. Quando ele chegou lá para me buscar ficou adrenalizado, achando que eu havia me perdido no mar. Passado o susto, nos encontramos e fomos comemorar a travessia. Um detalhe legal de ressaltar nestas pranchas de SUP de travessia é que você consegue direcionar a prancha através de sua quilha, que funciona como um leme e otimiza a sua posição nas ondulações, enquanto fica de pé, aumentando a velocidade da prancha.

    Para saber mais sobre o Stand Up ou encomendar pranchas, ligue para 2438-1821 ou entre no site Ricosurf.com.

    Boas ondas!

  9. 22/04/2008

    KADINHO, DISPOSIÇÃO E CORAGEM NAS ONDAS GRANDES

    Aloha amigos!

    Hoje vou falar do meu grande amigo Ricardo Meyer, o Kadinho. Tive o prazer de conhecê-lo no início dos anos 60, no Leblon, quando ele costumava se atirar em ondas grandes no surf de peito. Nesta época ninguém ainda surfava e só em 1964 adquirimos nossas primeiras pranchas, que eram feitas de madeirite. A partir daí, viramos grandes parceiros do surf.


    Kadinho nos dias de hoje

    Nesta mesma época, os big riders cariocas eram separados pelas ruas do Leblon. O Kadinho e o Padilha eram da rua Bartolomeu Mitre, o Tonel e o Zé Português eram rua Copertino Durão, o Serginho meio quilo e Jorge Maluco eram da rua José Linhares e eu morava na rua João Lira. O interessante é que entre todos nós, o Kadinho realmente brilhava nas ondas grandes com a sua coragem e pelo fato de ser totalmente destemido.

    Lembro de um dia que pegamos uma grande ondulação de Sul nas direitas - Backdoor - do Píer de Ipanema, junto com os surfistas Gustavo Carreira, Jorge Prietman e Ceceu. O mar estava bastante pesado e somente algumas pessoas caíram nesse dia. O Kadinho estava sem cordinha e perdeu sua prancha, que logo foi em direção ao Píer. Com um extremo ato de coragem, ou talvez loucura, ele resolveu buscá-la e acabou sendo jogado contra as pilastras do píer. Neste mesmo dia pegamos um final de tarde no canto do Leblon. Foram duas caídas casca grossa que ficarão marcadas eternamente.



    Curtindo a mesma onda: Kadinho cavando de frontside com estilo, em baixo de Mario Rizo. Foto tirada no Píer de Ipanema, no início dos anos 70

    Tive também o imenso prazer de poder compartilhar minha segunda ida ao Havaí com o Kadinho. A viagem foi bastante longa e chegamos lá de madrugada sem conhecer ninguém, além de não ter aonde dormir. Depois de andar horas pelas ruas com as malas e com as pranchas, avistamos um carro velho que estava abandonado e acabamos dormindo dentro dele na companhia de vários mosquitos. No dia seguinte, achamos uma casa em Velzyland, onde moramos por bastante tempo com o Ricardo Bocão, Otávio Pacheco e Henrique, da Bennet Foam. Morar ali com eles foi uma experiência muito legal e pudemos aproveitar ao máximo o inverno de 1973.

    Tenho duas lembranças marcantes de ondas grandes que surfamos juntos no Havaí. A primeira, quando pegamos pela primeira vez um mar grande em Pipeline, onde o Kadinho dropou uma onda de 12 pés muito radical e colocou pra dentro de um tubo insano. Aquilo foi tão animal que a partir daquele dia passei a chamá-lo carinhosamente de “Ani”, pela sua atitude e coragem. Já a segunda, quando fomos surfar com nossas gunzeiras uma gigante ondulação em Waimea. Recordo-me que ele pegou uma onda da série, dropou de backside e levou uma vaca sinistra que lhe fez perder a prancha. Eu, podendo ser varrido pela série, fiz a loucura de ir buscá-la em baixo do pico para que ele não tivesse que nadar naquelas condições. Por sorte tudo deu certo e acabei entregando a prancha na mão dele.

    Também não poderia deixar de falar das ondas grandes que pegamos juntos em Saquarema. Fizemos a bateria final do Campeonato Ala Moana com o Ricardo Bocão e o Betão em esquerdas de 10 pés quebrando atrás da lage da Praia de Itaúna. Todos ficaram chocados com a performance do Kadinho naquelas esquerdas. Nelas, ele realmente era o cara. Sem contar nas vezes que surfamos as ondas tubulares da Lage do Jaconé, quando havíamos acabado de voltar do Havaí e estávamos com uma excelente preparação física.



    Kadinho sentado no capô do Fusca, em frente ao bar do EL OMBRE, em CHICAMA (PERU), ao lado do grande surfista peruano Gordo Barreda


    Kadinho, saiba que tenho muito respeito pela pessoa que você é e por tudo que você já fez pelo surf brasileiro. Agradeço tudo que fez pela minha escola de surf também. Deixo aqui um forte abraço para você e toda sua família.

    Boas ondas – Aloha!

  10. 15/04/2008

    VALDIR VARGAS: TUBE RIDER POR EXCELÊNCIA

    Aloha amigos,

    Desta vez vou falar de um dos maiores tube riders que o Brasil já teve, o Valdir Vargas. Ele foi outro grande surfista brasileiro que fez parte da equipe Rico nos anos 80 e ,sem dúvidas, foi um dos mais talentosos surfistas brasileiros de todos os tempos. Big rider e exímio tube rider , o Valdir esbanjava talento, com uma ótima colocação na hora de entubar, que junto com o Pepê e o Renan Pitanguy, o alçou a condição de um dos o melhores brasileiros em Pipeline.




    Valdir Vargas na equipe Rico - o último da direta (de camiseta branca)

    Sua colocação e sua técnica, alem da coragem, faziam dele um surfista completo, que surfava bem em qualquer tipo de onda. Me lembro de um campeonato, em Saquarema quando a equipe Rico conquistou os primeiros lugares com uma atuação impecável do Vargas.

    O Valdir hoje tem uma família do surfe e deixou muitos ensinamentos para eles. Junto coma Gica, sua esposa, os Vargas formam uma família do surf. Os dois tiveram três filhos e um deles, o Jerônimo, é um dos grandes nomes da nova geração.




    Valdir Vargas e sua esposa Gisele

    Lembro dele surfando em Sunset grandão e também gostava de surfar Waimea. Sua raça e disposição nas ondas grandes era latente. Ele se distanciou um pouco do surf depois da morte de seu pai, mas até hoje eu o encontro surfando. Eu não poderia deixar de dizer que ele é um surfista de alma; que sempre surfou pela paixão, nunca levou o esporte para o lado comercial. Me lembro, no começo dos anos 80, quando ele se destacou no circuito mundial na Austrália, em Bells, e depois em Uluwatu. Na época não havia muitos patrocínios e o Valdir investiu dinheiro do próprio bolso para realizar e seguir seus sonhos. E isto que fez a diferença.


    Deixo um Aloha especial para a famíla Vargas, uma família do surfe!!!

Rico de Souza nasceu em junho de 1952, no Rio de Janeiro. Com mais de trinta anos de surfe, ele faz parte da Comissão Nacional de Atletas e ganhou o título de Embaixador do Surf Brasileiro. Rico conquistou seis vezes o título nacional, três deles na categoria pranchinha (1969 / 72/ 73), e os outros três na categoria longboard (1987 / 88/ 89), além do vice-campeonato mundial amador de longboard em 1988 e no Circuito Mundial de Longboard da ASP em 1989.O surfista e empresário contribuiu com iniciativas pioneiras no país. No início dos anos 90, Rico inaugurou a primeira escola de surf do Brasil, que está em funcionamento até hoje, além de promover o Campeonato Brasileiro de Longboard desde 2002.

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