A IMPORTÂNCIA DO PÍER DE IPANEMA
Aloha Amigos!
Seguindo com as histórias sobre a evolução do surf no país, principalmente no Rio, que foi onde o “bichinho do surf” começou a se manifestar, não poderia deixar de falar do Píer de Ipanema, um dos lugares prediletos de todo surfista daquela época.
O Bairro de Ipanema, no Rio, se tornaria, no início dos anos 70, uma referência no surf e também na moda, na política, na música, nos costumes, na cultura e na contracultura. Foi uma época tão rica que influência o Brasil até hoje. Era o ponto de surfistas e descolados em geral. Faziam ponto por lá a grande atriz Leila Diniz – talvez a primeira mulher em todo o mundo a usar biquíni estando grávida -, Caetano Veloso, Maria Bethânia, o pessoal de esquecer que lutava contra a ditadura militar, jornalistas do Pasquim, enfim, uma galera muito da agitada e que abriu muitas portas para os que vieram a seguir.
Píer de Ipanema em 1971, sob os olhos atentos do renomado fotógrafo Fedoca.
Foi uma época em que a Ioga se estabeleceu e Janis Joplin e Jimmy Hendrix eram ícones do rock. Enfim, uma época de expressão do comportamento. E o surf foi o primeiro esporte a expressar essa tendência.
Em relação ao surf, o que era bom ficou ótimo devido à instalação de um píer para a construção do emissário submarino, que levaria o esgoto de parte da cidade para bem longe da praia. O píer proporcionou o fundo ideal, com ondas grandes e direitas tubulares, com ondulações de sul. Já com ondulações de leste de leste, os tubos quebravam de esquerda e eram mais freqüentes.
Eu surfando no Píer clássico.
Logo, surfistas como eu, Daniel Sabá, Mudinho e muitos outros entraram na água para aproveitar a oportunidade. Foi por essa época que surgiu a primeira loja do Brasil dedicada à venda de sucos: a Balada, na Rua Teixeira de Melo, esquina com a praça General Osório, em Ipanema.
Os surfistas gostaram da novidade e passaram a comer também sanduíches naturais. Foi uma revelação na alimentação, pois, até então, poucos se preocupavam em comer bem para suportar grande esforço no mar e o desgaste ao sol.
Todo mundo era cabeludo e a imagem do surfista não era muito boa, porque a maioria não trabalhava, tinha bom poder aquisitivo e alguns nem estudavam.
Foi o auge também da ditadura militar e o surf foi proibido em determinados horários, podendo ser praticado antes das oito horas da manhã e depois das duas horas da tarde. Isso aconteceu porque ainda não era comum o surfista prender por uma cordinha (strep), a prancha aos tornozelos. Sem esse recurso, a prancha, solta, acabava machucando os banhistas e a imprensa fazia campanha contra o surf.
O Píer de Ipanema influênciou na vida da maioria dos surfistas daquela época e entrou para a história do surf brasileiro.
As cordinhas chegariam em 1972, após uma das minhas viagens ao Hawaii, onde tomei conhecimento da novidade.
Uma galera enorme aproveitou esse período para aprender, se aperfeiçoar em manobras, desenvolver estilos e começar a criar uma moda própria, que mais tarde seria conhecida como surfwear.
Surgiu a primeira loja de surf no Brasil, a Magno, na Rua Gomes Carneiro, em Ipanema. Na onda, apareceram também a Ala Moana e a OP (Ocean Pacific), do Cidão, um dos primeiros a encarar o surf no Brasil com uma visão empresarial. Ele começou com lojas de varejo e depois partiu para a indústria, com confecção própria. Suas roupas caíram no gosto da juventude, assim como ocorreu com outras marcas.
Na época do píer começaram os campeonatos de Ubatuba, no litoral Norte de São Paulo. Na metade dos anos 70, surgiria a Associação Brasileira de Surf Profissional. Em 1976, Cidão levou o surf para a região sul do país, promovendo competições em Florianópolis, Santa Catarina. Mais tarde, nos anos 90, o esporte se expandiria também para o Nordeste, fazendo o surf crescer ainda mais e ir perdendo aquela característica preconceituosa.
Lembro com saudades os bons tempos em que pegava minha prancha e encarava as ondas insanas do Píer.
Começava aí, de fato, a profissionalização do surf. Aquilo que iniciado artesanalmente, com a fabricação de pranchas em garagens, com o Tico fazendo os primeiros shorts para surf, com o Paulinho Proença e Otávio Pacheco se virando para fornecer parafinas, dava os primeiros passos para um profissionalismo sério.
O surfista passou a ganhar dinheiro como resultado de prêmios, em competições, contratos de patrocínio e viagens. A partir daí o surfista passou a ser respeitado como atleta pela sociedade.
Lugares como o Arpoador e o Píer de Ipanema foram fundamentais para criar a nossa geração e fazer com que descobríssemos que viver de surf tinha sido a melhor opção de nossas vidas. Assim como eu, muitos daquela época continuam fazendo do esporte o pão de cada dia até hoje. De alguma forma o surf fez e continua fazendo cidadãos de bem, criando oportunidades de se construir uma vida saudável, que gera frutos e principalmente, em harmonia com a natureza. É uma enorme satisfação para mim, saber que fiz parte dessa história e contribui para elevar o surf no país.
Boas Ondas e até breve,
Rico de Souza
PENHO E MARACA: OS DOIS PRIMEIROS SURFISTAS PROGRESSIVOS BRASILEIROS
Aloha Amigos,
Continuando as histórias dos bons tempos do Arpoador, eu não podia deixar de falar do Penho e do Maraca, dois surfistas muito importantes na evolução do surf brasileiro no final dos anos 60, início da década de 70.
O Penho e o Maraca foram os dois primeiros surfistas brasileiros a manobrar nas ondas, eles foram os introdutores do estilo de surf moderno no Brasil. Em 1969, ambos faziam um surf progressivo, manobrando nas esquerdas do Arpoador.
Eles também foram os primeiros surfistas brasileiros a pisar no North Shore, de Oahu. Os dois estiveram no Hawaii em 1969, no mesmo ano em que o Greg Noll pegou aquela onda histórica em Makaha, durante um dos maiores swells de todos os tempos no Hawaii.
Quando voltaram para o Brasil, Penho e Maraca estavam centenas de anos na frente dos demais surfistas brasileiros.
Penho no volante e a galera do Arpoador.
Eu vi o Penho surfando pela primeira vez em 69, no Arpoador, com uma prancha Pacific, Round Pin, magenta em baixo e azul clara em cima. Nunca mais vou esquecer, fiquei chocado com a técnica e a maneira como ele manobrava nas ondas. O Penho foi o primeiro brasileiro a ir ao Hawaii, se não me engano em 1968 ou 69. Ele conheceu e ficou amigo de todo mundo: Barry Kanaiapuni, Ivo Ranza, Paul Strauch, e por aí vai.
Penho foi o primeiro shaper brasileiro a fazer uma mini model. Aquele modelo de prancha que revolucionou o surf e possibilitou aos surfistas manobrar nas ondas. Isso foi na mesma época em que o Nat Young ganhou o titulo mundial, surfando com uma mini model shapeada pelo Bob Mactavish. Pouca gente sabe, mas o Penho garante que fez sua mini model antes do Mactavish, e que ela foi fruto de suas próprias idéias.
Penho surfando no Píer de Ipanema em 72.Foto: Fedoca.
Me lembro que em 1969 o Penho chegou no Arpoador num dia de ondas grandes. Ele entrou na água com uma 8’2”, que tinha trazido do Hawaii, e arrepiou nas ondas. O Penho fazia manobras que jamais foram vistas no Brasil. O cara sempre foi um visionário. e descobridor de Saquarema. Ele morava sozinho em Guaratiba e quando achou que “Guaratiba estava ficando crowd”, se mudou para Saquarema e descobriu as ondas de Itaúna.
Maraca em um dia clássico no Arpoador, na década de 70.Foto: www.pierdeipanema.com.br
O Rossini Maranhão, o Maraca, foi o segundo brasileiro a surfar no North Shore. Eu já ouvi várias histórias, contadas pelos próprios havaianos, sobre a temporada que o Maraca passou no Hawaii, morando e surfando com os nativos; entre eles, o Eddie e o Clyde Aikau.
O Maraca foi o primeiro surfista brasileiro que eu vi dar uma virada na base e subir em direção ao lipe, fazendo um surf bem radical mesmo, principalmente para os padrões da época. Aliás, ele tinha um estilo agressivo de surfar, além de uma excelente colocação nos tubos.
Eu já conhecia o Maraca de vista, do Arpoador, mas nós ficamos amigos mesmo quando nos encontramos, no Peru, em 1969. Foi a minha primeira viagem internacional e o Maraca, que é uns dois anos mais velho que eu, chegou ao Peru direto do Hawaii. Me lembro que ele tinha contraído uma doença tropical no Hawaii e estava muito magro, mas arrepiando as ondas. Ele tinha uma prancha igual a dos havaianos e eu acabei aprendendo muita coisa vendo ele surfar, apesar de que meu equipamento estava muito atrasado em relação aos demais surfistas, principalmente os havaianos.
Maraca durante o Mundial, no Arpoador.
Foto: www.pierdeipanema.com.br
Agora me recordo de uma ressaca de leste, em 1969, quando a água chegou até a Rua Barata Ribeiro e quebrou as vidraças do Copacabana Palace. O mar ficou gigante no Arpoador e pouca gente caiu na água. Me lembro que eu e o Otavio (Pacheco) conseguimos entrar, mas quem realmente arrepiou foi o Maraca. Ele tinha uma gunzeira aluciante e foi o melhor surfista na água. Enquanto a gente ainda estava surfando com um estilo de pranchão, o Maraca virava na base da onda, subia em direção ao lipe e completava um reentry na crista da onda. Todos ficavam bobos diante daquele show nas ondas do Arpex.
Penho e Maraca foram ícones do surf brasileiro, principalmente do carioca, e influenciaram mais de uma geração: eu, Mudinho, os irmãos Rebeck, Otavio Pacheco, e depois a geração abaixo da nossa: Bocão, Betão, Paulinho Proença. Esses foram os caras, de fato, os primeiros surfistas progressivos brasileiros. Eu tenho muito respeito e admiração por ambos. Dois velhos e bons amigos.
Boas Ondas e até Breve,
Rico de Souza
O PRIMEIRO CAMPEONATO INTERNACIONAL EM 1974
Aloha Amigos,
Dando seqüência às antigas histórias das origens do surf carioca e consequentemente do surf brasileiro, hoje vou falar sobre o ano de 1974, quando grandes nomes gringos estiveram no Brasil e assim nascia o primeiro campeonato internacional em ondas cariocas.
Em 1974, o surf no Brasil estava crescendo sem parar e eu acabei tendo a oportunidade de ir competir na África do Sul, numa etapa do recém criado circuito mundial de surf.
Antes de voltar para o Brasil, eu convidei os havaianos Rory Russel, Owl Chapman, Bary Kanaiapuni, entre outros grandes nomes da época, para fazer uma escala no Brasil. E o resultado disso foi a realização do primeiro campeonato internacional de surf no Brasil. O local? Não poderia ser outro, senão, o Arpoador.
Arpoador nos anos de ouro.
Na época, o bi-campeão mundial de pesca submarina, Bruno Hermany, junto comigo e com o Santareli, viabilizou a realização de um evento que se tornou histórico. E que apesar de oferecer um prêmio baixo e ter um palanque modesto, foi organizado com muito amor e competência para os padrões da época.
Me lembro até hoje do Pepê, que era um moleque loirinho de Ipanema, competindo contra os havaianos nas ondas do Arpoador.
No ano seguinte, junto com o apoio fundamental do Nelson Machado, dono da loja Waimea, nós realizamos o Waimea 5000. Um campeonato que ofereceu 5 mil dólares em prêmio, uma fortuna naqueles tempos. Só para vocês terem uma idéia, o Gunston 500, um dos primeiros campeonatos a fazer parte do circuito mundial de surf, oferecia 500 dólares de prêmio. Ou seja, o Waimea 5000 era um dos eventos mais rico do recém criado circuito mundial. Hoje em dia, uma etapa do WCT oferece mais de 300 mil dólares em prêmios.
O Waimea 5000 de 1975 acabou reunindo um público recorde de espectadores, mais de 10 mil pessoas, que se amontoaram nas areias e nas pedras do Arpoador para assistir as estrelas do surf internacional pela primeira vez no Brasil. Fico feliz em ver o quanto o surf profissional evoluiu desde então. Isto serve pra mostrar que o Arpoador foi realmente o berço do surf no Brasil. Pois, entre outras coisas, foi lá que nasceram as raízes do profissionalismo no esporte em território nacional.
Galera sempre se reunia nas areias do Arpex.
Quando falo de Arpoador sempre me vem à cabeça o nome de um surfista que, em minha opinião, foi o melhor que já vi surfar nas ondas do Arpex. Betinho Fontes foi um dos mais talentosos surfistas que eu vi subir numa prancha e o melhor de todos os tempos no Arpoador. A maioria de vocês não deve nunca ter ouvido falar no Betinho, mas quem tem mais de 45 anos, e freqüentava o Arpoador na primeira metade dos anos 70, sabe que eu não estou exagerando.
De fato, o Arpoador foi palco de alguns dos mais importantes acontecimentos no surf durante o início dos anos 70. A própria Brasil Surf, a primeira revista de surf do país, praticamente nasceu nas areias do Arpoador. A BS foi uma iniciativa do Flávio Dias e do Alberto Pecegueiro, que eram surfistas e freqüentadores do Arpex.
Na verdade, as ondas do Arpoador foram o palco perfeito para a evolução do surf brasileiro. Principalmente as esquerdas que vinham quebrando perfeitas desde o pontão. Além de ser boa e surfável por qualquer surfista, independente do nível do seu surf, as ondas do Arpoador permitem todo o tipo de manobra.
E até hoje o Arpoador quebra clássico para a nova geração aproveitar. Surfista na foto by Fedoca: Simão Romão
Outro motivo que explica porque o Arpoador se tornou a praia favorita dos surfistas cariocas à partir os anos 60 é a sua localização privilegiada. Bem no coração da Zona Sul carioca, onde morava a maioria dos surfistas da época. É isso aí por enquanto. No nosso próximo encontro vou falar de dois surfistas que revolucionaram o surf brasileiro no final dos anos 60 e que também marcaram época.
Boas Ondas e até breve,
Rico de Souza
ARPOADOR: O BERÇO DO SURF BRASILEIRO
Aloha amigos,
Hoje vou aproveitar a oportunidade deste espaço para lembrar de uma época de ouro e que muito influenciou na minha vida de surfista. Vou contar um pouco sobre a história do Arpoador, que foi o berço do surf no Brasil.
Ao contrário da Califórnia e da Austrália, lugares nos quais os pioneiros do surf foram os salva vidas, no Brasil foi a galera da pesca submarina que começou a surfar.
No final dos anos 50, a galera do clube Marimbas, que costumava mergulhar entre o Posto 6 de Copacabana e o Arpoador, descobriu uma alternativa de continuar em contato com o mar quando ele estava grande e ruim para o mergulho. Eles começaram a pegar onda com umas pranchas feitas de madeira, logo ali perto, no pontão do Arpoador. Assim começava o engatinhar da era das famosas e lendárias Madeirites e o pioneirismo do surf carioca.
Prancha Madeirite do Mario Papinha, que hoje faz parte do meu museu do surf.
Faziam parte dessa turma, Arduino Colasanti, o Irency e o Ciro Beltrão, o Barriga, o Piui e seu irmão, Marcio Rosa, Russel Coffin, Penho, Persegue, Mario Bração, o Ricardo Charuto, os irmãos Rebeck, entre outros. É difícil lembrar de todos os nomes agora, mas fica aqui a minha homenagem a esta turma de desbravadores.
No começou alguns deles surfavam deitados em cima de suas pranchas, mas depois de colocar uma ripa de madeira no fundo das madeirites passaram a surfar em pé.
Naquela época havia muitos americanos morando no Rio de Janeiro. E os filhos destes americanos foram os primeiros surfistas a importarem pranchas da Califórnia. No início dos anos 60, o Arpoador já era o centro do surf brasileiro, onde estava reunida a maioria dos surfistas, que na época se resumia a uns 30, no máximo 40 malucos.
Primeiro campeonato de pranchas de fibra, em 1965, reunia algumas dessas grandes figuras do surf daquela época.
Em 1964, eu comprei a minha primeira prancha, uma madeirite também. Havia apenas duas fábricas de madeirites no Rio, uma ficava na Rua Francisco Otaviano, que fica ali bem pertinho do Arpoaodor, e outra na Ilha do governador.
A minha primeira prancha eu comprei com o dinheiro que juntei vendendo jornal e chumbo, que eu recolhia nas obras da Zona Sul e vendia para a loja Ipiranga. Eu também costumava a vender garrafa e pouco tempo depois comecei a consertar prancha. Tudo para juntar dinheiro e poder comprar minha primeira prancha. Com o dinheiro comprei uma São Conrado de número 043. Não posso deixar de citar o Coronel Parreiras. O criador das pranchas São Conrado e um dos primeiros fabricantes do Brasil.
Um dos caras que me deu muita força neste começo foi o Carlos Mudinho, que sempre ia de bicicleta comigo do Leblon até o Arpoador, onde a galera se encontrava para surfar e curtir o pôr do sol. Foi também no Arpoador, mais precisamente na Rua Gomes Carneiro, que surgiu a primeira loja de surf do Brasil: a Magno Surf Shop.
Eu e Maraca recebendo premiação pelo campeonato da Loja Magno naquela época.
Em 1965, o americano Mark Martinson, que era do Wind & Sea Surf Club, chegou ao Brasil e acabou participando do primeiro campeonato de pranchão no Arpoador. Outro acontecimento importante foi a chegada do australiano Peter Troy. Ele apareceu um dia no Arpoador e acabou surfando com uma prancha emprestada pelo Russel Coffin. Na época, o Russel era um dos únicos caras da galera que tinha uma prancha de fibra. O Peter Troy deu um show de surf no Arpoador e ensinou muita gente como se deveria surfar.
O aparecimento do Peter Troy foi um marco na história da evolução do surf brasileiro. Daquele dia em diante o surf nunca mais seria o mesmo. Como vocês podem ver tudo acontecia no Arpoador.
Boas Ondas e até a próxima,
Rico de Souza
Stand-Up Surfing (Surf com remo) vira febre no Hawaii
Aloha Amigos!
Tenho utilizado este espaço para contar minhas histórias e a trajetória do surf no país, mas hoje irei aproveitar para falar de um assunto novo, que já tomou conta do arquipélago havaiano e está pronto pra invadir o mundo.
Eu estou falando do Stand-up Surfing ou Surf com remo, uma nova forma de deslizar nas ondas e estar em harmonia com a natureza. Essa é uma atividade em crescimento no Hawaii e grandes nomes do surf mundial, como Laird Hamilton, Denis Pang e Kelly Slater, já aderiram a prática do Stand-up.
Praia da Macumba, Rio de Janeiro
Na minha última temporada havaiana pude conhecer o stand-up surfing com meu amigo e salva-vidas do North Shore, Vitor Marçal, e ver de perto os locais praticando. Fiquei impressionado de como o Stand-up não exclui ninguém de seu universo, ou seja, você não precisa ser um big rider para aprender essa modalidade. É uma boa opção para qualquer pessoa que queira entrar em contato com a natureza.
Eu tive a oportunidade de observar as pranchas e aprender sobre toda a técnica de fabricação, além de me informar sobre o tipo de remo e adquirir um. De volta ao Brasil, comecei a fazer o shape de uma prancha para mim. Explorei as novas técnicas, fiz um outline mais legal e mais leve. Em breve estarei lançando esse equipamento no mercado brasileiro para inserir o Stand-up Surfing na orla brazuca.
Antes de ficar pronta, me arrisquei com uma prancha Tanden, do museu do surf, mas a habilidade não era a mesma pois ela era mais dura e pesada, apesar de ter um bom tamanho. Logo depois minha prancha ficou pronta. Ela tem 11 pés, com menos flutuação e design mais atual; ela acaba sendo mais leve e facilita na hora das manobras.
Eu no hawaii aprendendo sobre o equipamento; na minha oficina fazendo o shape; e com a prancha Tanden.
Ao experimentar o Stand-up Surfing pude perceber algumas diferenças em relação ao surf tradicional. A prática exige preparo físico e de coordenação pois trabalha movimentos diferenciados. Além disso, o que mais me chamou a atenção foi o posicionamento diferenciado, pois o surfista fica o tempo inteiro em pé e se pode observar toda a fauna do fundo do mar.
Acho que essa modalidade será uma ótima oportunidade para os surfistas entrarem em sintonia com o mar por uma nova perspectiva e aumentarem o amor pelas ondas e pela natureza.
Eu com a minha prancha nova de Stand-up Surfing.
Já estou providenciando mais uma prancha, mas agora com 10 pés, para aprimorar cada vez mais a técnica de fabricação.
Para ter mais informações sobre essa nova febre havaiana confiram no site ricosurf uma entrevista exclusiva com o waterman Vitor Marçal. Clique Aqui!
Boas Ondas e até breve
Rico de Souza
Carlos Mudinho: ícone do surf brasileiro e grande amigo
Aloha amigos,
Estou de volta ao Rio de Janeiro e muito contente com o resultado que obtivemos na etapa do Petrobras Longboard Classic, no Espírito Santo. Foi uma verdadeira festa do pranchão brasileiro. Entre muitas emoções vividas durante a competição, a mais marcante foi o encerramento do evento, no qual meu grande amigo e lenda viva do surf brasileiro, Carlos Mudinho venceu a categoria Super-legends e saiu da água sob os aplausos incansáveis do público presente.
Mudinho tem uma longa trajetória no surf brazuca e até hoje participa de competições de longboard; essa vitória confirmou que “quem um dia foi rei, nunca perde a majestade”. Diante de grandes nomes do esporte e da nova geração, Carlos Mudinho deu uma aula de surf para os olhos atentos e levantou a torcida na praia de Jacaraípe, que vibrava com mais uma conquista de um dos principais ícones da história do surf no país.
Carlos Mudinho dando um show de surf na 1ª etapa do PLC 2007.
Eu tive o prazer de conhecer essa grande figura quando ainda estava aprendendo a surfar, em meados da década de 60, no tradicional bairro do Leblon. Logo, nos tornaríamos grandes amigos e parceiros de surf. Naquela época, o Rio de Janeiro começava a fomentar a cultura do surf e o Arpoador logo se tornaria o berço do esporte no Brasil.
Me lembro, como se fosse hoje, eu com a minha prancha Planonda (uma pequena prancha de isopor, comum naquela época) e Mudinho com sua primeira prancha Madeirit. Nessa prancha tinha pintado um surfista descendo uma onda, criação do próprio Mudinho.
Com muito orgulho, eu posso falar que ele foi um grande incentivador do surf na minha vida e um amigo que sempre acompanhou as minhas maiores aventuras dentro d’água durante muitos anos.
Custei ter uma prancha minha, o Mudinho tinha um Long Barland Root (de origem francesa) e às vezes ele me emprestava. Saímos para surfar e eu ficava umas 4 horas na areia esperando o Mudinho terminar a session, só depois conseguia pegar as minhas ondinhas enquanto ele lanchava.
Em torno de 1966, nós dois arrumamos uma bicicleta com um carrinho atrás e assim íamos para os famosos picos da zona sul, com as pranchas na bagagem.
A Vitória de Mudinho na categoria Super Legends fechou a etapa de abertura do PLC com chave de ouro.
Em 1969, surgiram as pranchinhas, a época da mini-model, e nós dropamos nessa novidade de cabeça. Ninguém costumava surfar na Barra da Tijuca ainda e o pai do Mudinho, Sr. Paulo Andrade, levava a gente para aqueles lados no seu querido Cadilac.
A Barra era muito diferente, uma estrada de terra comprida e com vasta vegetação em volta, ainda não existiam essas construções que conhecemos. Um dia, estávamos surfando em uma vala juntos; nós acabamos pegando a mesma onda. Não preciso nem dizer que acabamos nos chocando; foi prancha e quilha para tudo que é lado. Na época ficamos muito chateados e hoje morremos de rir dessa história.
Não posso esquecer de dizer o quanto o Mudinho também colaborou no resgate da cultura do longboard alguns anos depois e sempre esteve ao meu lado defendendo essa bandeira. Hoje a modalidade atravessou gerações e conquista cada vez mais adeptos por todo Brasil. Acho que foi por isso que pude ver a felicidade de todos na areia após a bateria final, vencida por Mudinho. Afinal, estar diante de um cara que participou da história do esporte no país e que até hoje dá um show sobre as ondas faz cada minuto no surf valer a pena.
Aloha meu brother Carlos Mudinho! Estamos juntos irmão!
Boas Ondas,
Rico de Souza
Petrobras Longboard Classic chega à mais uma edição
Aloha amigos,
Estou postando diretamente do Espírito Santo, que recebe pela primeira vez uma etapa do Petrobras Longboard Classic, no pico de Solemar, na Praia de Jacaraípe. Este é o sexto ano de realização do evento, o qual eu tive o prazer de estar à frente na organização desde o início, em 2002.
Hoje o Petrobras Longboard Classic é o principal circuito de longboard do Brasil e do mundo, afinal, o evento reúne um time de atletas tops do ranking mundial, incluindo os três melhores de todos os continentes. É um orgulho enorme poder fazer parte disso. Mas o circuito brasileiro de pranchão está apenas evoluindo e seu futuro é promissor.
Tudo começou em 2002 com uma proposta da Petrobras em investir no surf brasileiro, com o projeto Petrobras nas Ondas. A proposta incluiria um circuito para cada modalidade e que contaria pontos para o ranking brasileiro ou daria acesso à elite do surf brazuca. Assim, surgiu o Circuito Petrobras de Surf Feminino, a Seletiva Petrobras de Surf Maculino, e o Petrobras Longboard Classic.
Essa foi uma das principais iniciativas para o crescimento do surf brasileiro e principalmente para o longboard, que está começando a alcançar o reconhecimento merecido por todo mundo.
Momentos de edições anteriores do Petrobras Longboard Classic.
Em nosso primeiro ano de realização optamos por levar as etepas para São Paulo e Rio de Janeiro, dois estados que foram o berço do surf no país. O quebra-mar de Santos e a Praia da Macumba enfim começavam a lançar os maiores talentos do longboard nacional oficialmente para mídia e o mundo.
A princípio, o foco do PLC era a categoria profissional masculina, as demais disputas seriam amadoras. Hoje, as coisas continuam parecidas só que com alguns detalhes diferentes, a procura pela categoria feminina, ao longo dos anos, fez com que ela se profissionalizasse e a cada edição o nível das atletas fica melhor. Isso não acontece só com as meninas, nas categorias amadoras as disputas também têm sido acirradas e com um show de surf sobre as ondas.
Em 2003, segundo ano de evento, a Petrobras teve a idéia de levar a primeira etapa para o nordeste, mas precisamente para o estado da Bahia, com o objetivo de expadir o longboard pelo Brasil e dar oportunidade a outros talentos. A mobilidade foi um sucesso, que renderam mais dois anos de evento na região. O povo baiano foi muito receptivo e a ida do PLC pra lá fomentou o surf de pranchão no nordeste. Atualmente, existem vários eventos regionais com o mesmo formato do circuito brasileiro e que colaboram para o crescimento da modalidade.
1ª Etapa do PLC 2007, na Praia de Jacaraípe, Espírito Santo.
Ano passado, a primeira etapa voltou a ser sediada no Quebras de Santos, no intuíto de resgatar as origens da modalidade. Essa característica móvel acabou incorporando no circuito e este ano foi a vez do Espírito Santo receber o evento na Praia de Jacaraípe, o pico do pranchão na região.
O evento mais uma vez está sendo um sucesso, o povo capixaba foi muito caloroso e receptivo a todos os atletas do país, além do apoio do Governo do Estado do Espírito Santo e da Prefeitura da Serra na realização do evento. Hoje tivemos as primeiras baterias de algumas categorias na água e as disputas seguem amanhã acirradas. Grandes destaques do longboard vão disputar a liderança no ranking brasileiro.
A união de vários fatores fazem do sucesso deste evento, que cresce a cada dia. O patrocínio da Petrobras, que investe no futuro do esporte no país, somado ao talento e determinação de nossos atletas estão rendendo bons frutos, além dos recordes conquistados nas etapas finais de 2005 e 2006, homologados pelo Guinnes Book.
Bahia, Sabrina Olas e Mullinha seguem na disputa pela vitória em águas capixabas.
Essa é a trajetória de um esporte que está vencendo barreiras , e que não depende só do meu trabalho, ou do patrocínio da Petrobras, ou da dedicação dos atletas, mas sim do espírito de união que o longboard verde-amarelo transmite a quem o conhece e está levando o nome do Brasil para todo o mundo.
Parabéns a todos nós e todos os amantes do surf por fazer desse esporte uma prática respeitada, séria e produtiva. E que o longboard brasileiro continue a crescer e se expandir pelo país. No que depender de mim, sempre irei defender essa bandeira!
Preparem seus pranchões e dropem nessa etapa capixaba do Petrobras Longboard Classic, que amanhã volta às ondas de Jacaraípe com força total! O campeonato está sendo transmitido ao vivo no hotsite do evento. Clique Aqui e confira!
Boas Ondas e até breve,
Rico de Souza
PRAINHA: O ANTIGO SECRET SPOT
Aloha,
Voltando um pouco na história do surf brasileiro, me pego a pensar nos bons tempos de quando comecei a me aventurar nesse esporte. E com isso, várias lembranças acabam surgindo: amigos, viagens, sessions, entre outras saudades; mas o que mais chamou minha atenção nesses últimos dias foi quando estava refletindo sobre a Prainha, que hoje é um dos mais importantes picos do Rio de Janeiro.
No início dos anos 60, a nata do surf carioca se concentrava na Zona Sul da cidade. O Arpoador foi o berço do surf brasileiro, e picos como Posto 5 de Copacabana e a Praia do Diabo marcaram a história naquele período.
Mas rumores sobre um paraíso não tão distante assim começaram a despertar a curiosidade dos surfistas, no final daquela mesma década. A praia da Macumba já era conhecida como o pico do longboard carioca, mas logo ali atrás foi descoberto um secret spot, que hoje conhecemos como Prainha.
Eu surfando na Prainha já no final da década de 90.
O acesso era muito difícil e poucos conheciam o lugar. A natureza selvagem da região tornava aquele cantinho muito especial. Nós íamos pela estrada do Pontal de Jipe com tração nas quatro rodas e depois fazíamos uma trilha pelas pedras, cerca de 15 minutos, para chegarmos no pico. Só tínhamos acesso quando o mar estava com até um metro; mais que isso, ficava difícil até mesmo a pé.
Mas todo o esforço sempre valia a pena, pois um dia de surf sempre rendia uma boa aventura e passeios espetaculares; chegávamos lá muito cedo e só íamos embora depois de contemplar o pôr do sol.
Naquela época quem me levou para conhecer a Prainha foram meus amigos e lendas do surf brasileiro, Carlos Mudinho, Ricardo do Leblon, Cyro Beltrão, Paulete e Guilhermão, que era o dono e o motorista do nosso “Jipão”.
Jipe usado pelos surfistas da época.
Como de costume na cultura do surf, os pioneiros do esporte, quando descobriram este paraíso das ondas, queriam proteger o mais novo sagrado pico. Para isso, eles falavam que lá havia um leprosário. Isso ajudou a controlar a freqüência de surfistas durante alguns anos e fez da Prainha nosso secret spot por muitos tempo.
Hoje, a região é uma das principais referências do surf carioca. Mas graças à conscientização de toda a tribo do surf ao longo desses anos, a preservação daquele paraíso foi mantida.
O trabalho da ASAP (Associação dos Surfistas e Amigos da Prainha), do Parque Ecológico e a colaboração de cada freqüentador e amante da região, fazem desse, um dos poucos espaços naturais no Rio, que mantém sua fauna e flora praticamente intacta. Um exemplo a ser seguido por todos, num mundo cada vez mais carente de educação e consciência ambiental.
Aproveito este momento para já ir me despedindo e parabenizar toda a comunidade do surf, que sempre lutou para que nosso antigo secret spot evoluísse e continuasse com o mesmo “espírito” de antes. Afinal, até hoje a Prainha é uma das grandes relíquias da cidade maravilhosa e do surf brasileiro.
Boas Ondas,
Rico de Souza
Phil Rajzman é o primeiro Campeão Mundial de LongboardAloha,
Hoje estou postando sobre um assunto que me deixa muito feliz e orgulhoso. Vou aproveitar este espaço para parabenizar o desempenho de um atleta, que considero como um filho, o longboarder Phil Rajzman, que recentemente trouxe para o Brasil um título inédito na história da ASP, o de Campeão Mundial de Longboard.
Foi com muita satisfação que recebi a notícia após o fim do campeonato Oxbow Pro, na França. Eu vi o Phil ainda moleque, quando começou a aprender a surfar na minha escolinha, na Barra da Tijuca. Desde pequeno ele já demonstrava talento e isso sempre me fez apostar no surf dele.
Essa é a primeira vez que um brasileiro entra para a história da ASP com um título mundial de Longboard, e o Phil é um atleta que merece todo esse mérito. Com um surf moderno e manobras mais radicais, ele conseguiu alcançar esse sonho tão esperado. Além dele, outros atletas do Brasil também fizeram bonito e coloriram o pódio de verde-amarelo. Danilo Mullinha e Carlos Bahia ficaram em segundo e terceiro lugar, respectivamente, deixando para trás grandes nomes do longboard internacional. Todos os atletas que representaram o Brasil na França fizeram uma excelente campanha e provaram mais do que tudo, que o importante é o espírito de união que nós, longboarders brasileiros, preservamos. A velha guarda e a nova geração do pranchão brazuca segue firme atrás de um lugar ao sol e do merecido reconhecimento.
Abaixo reuni fotos do Phil em diferentes fases da vida, primeiro ele ainda criança, na escolinha, e uma quando ele já era adolescente. A outra foi agora, comemorando o título mundial, na França, ao lado dos companheiros brazucas.
Eu e Phil quando ele tinha uns sete anos
Eu e Phil durante a adolescência.
Phil entre Bahia, Mica, Roger Barros, Mullinha e Robledo comemorando a vitória na França.
Após a volta do Phil da Europa, tive a oportunidade de estar com ele no Rico Point, na praia da Macumba, nesta última sexta-feira. Nós aproveitamos para matar as saudades e surfar juntos. Mais uma vez, meu peito explodiu de orgulho, pois sempre que o vejo pegar uma onda lembro daquele menino que conheci na escolinha, e que hoje chegou onde está através do amor pelo esporte.
Após uma excelente sessão, me despedi dele e saí da água. Do quiosque pude ver o Phil quebrando num tubo, que mesmo fechando, ainda permitiu que ele finalizasse num floater quase no inside. Ali, tive a sensação de missão cumprida, de que plantei uma semente que rendeu ótimos frutos: na filosofia de vida, no amor pelo surf, e de uma postura séria diante da evolução do longboard brasileiro.
Já vou me despedindo por hoje e mais uma vez deixando os parabéns para todos meus amigos e atletas do pranchão brasileiro pela excelente atuação no Mundial de Longboard 2007. Abaixo segue a minha foto ao lado do Phil, na praia da Macumba, desta última sexta-feira.
Confira esta semana no site Ricosurf.com um especial com o atleta Phil Rajzman após sua conquista inédita.
Boas Ondas e até breve!
Rico de Souza

As próximas fotos abaixo foram tiradas por volta dos anos 80, na época que eu tinha o patrocínio da Rede Globo. A foto da batida foi quando fiz uma trip para o Espírito Santo, na praia de Setiba Pino. A parceria com a Globo sempre esteve presente na minha trajetória tanto como surfista profissional ou empresário.
Espero que todos aproveitem e dropem nesta nova onda. Até breve!Rico de Souza nasceu em junho de 1952, no Rio de Janeiro. Com mais de trinta anos de surfe, ele faz parte da Comissão Nacional de Atletas e ganhou o título de Embaixador do Surf Brasileiro. Rico conquistou seis vezes o título nacional, três deles na categoria pranchinha (1969 / 72/ 73), e os outros três na categoria longboard (1987 / 88/ 89), além do vice-campeonato mundial amador de longboard em 1988 e no Circuito Mundial de Longboard da ASP em 1989.O surfista e empresário contribuiu com iniciativas pioneiras no país. No início dos anos 90, Rico inaugurou a primeira escola de surf do Brasil, que está em funcionamento até hoje, além de promover o Campeonato Brasileiro de Longboard desde 2002.