A EVOLUÇÃO DAS PRANCHAS DE SURFE
Aloha Amigos,
Mais uma vez nós voltamos a nos encontrar neste espaço, que a cada dia se torna mais especial para mim. É muito bom poder ter essa chance de dividir com vocês minhas experiências, conhecimentos que adquiri com os anos e meus pensamentos e opiniões. Mas chega de conversa e vamos ao assunto de hoje!
No último post, escrevi sobre uma figura excepcional, o havaiano Dennis Pang, que traz uma trajetória enorme no universo do surf mundial. Inspirado nele e em todos os quadros de fotos que vi na parede da casa do Dennis, eu pensei em uma pauta interessante e que talvez nem todos já tenham pesquisado sobre: a evolução das pranchas de surfe.
Desde o início, as pranchas sempre foram personalizadas, variando de acordo com o mar que se iria enfrentar ou conforme cada tipo de pessoa. Também podiam funcionar como símbolo de distinção social. É caso dos reis da Polinésia e seus parentes, que surfavam em pranchas maiores, enquanto aos súditos cabiam as pranchas menores.
No começo, as pranchas eram feitas de madeiras e chegavam a pesar até oitenta quilos. Tinham mais ou menos quatro metros de altura, sem quilha. A típica prancha da década de 1920 era a sólida e pesada redwood de 6 a 9 pés (a medida “pé”, indicada por uma aspa simples, é igual a 30,48 centímetros; as aspas duplas indicam polegadas, correspondendo a 2,54 centímetros) de comprimento e cerca de 3,5 polegadas de espessura.
Entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, o surf explodiu na Califórnia. A costa oeste dos Estados Unidos tinha as praias ideais para a prática do surf e, com a popularização do automóvel, os surfistas puderam se deslocar por todo o litoral à procura dos melhores picos em San Onofre, Long Beach e Palos Verdes. Os surfistas dessa época eram jovens saudáveis, que passavam dias na praia. Promoviam competições entre eles e encorajavam suas namoradas a surfar.
Foi nessa época também que o americano Tom Blake resolveu instalar uma quilha na prancha, pois até então se descia a onda no Hawaii com os pés fazendo a função de quilha. Mas as pranchas apresentavam muitos problemas – as rabetas tinham 12 a 14 polegadas de largura e desgarravam nas viradas e nas paredes da onda.
Tom Blake em 1935 com as antigas pranchas de surf
No Hawaii, uma nova geração de surfistas foi surgindo e desenvolveu um novo desing para as pranchas, o que favoreceu a arte de pegar ondas grandes. Os havaianos Wally Froiseth e e John Kelly foram grandes surfistas desse período e criaram as primeiras pranchas de rabeta mais estreita (hot curl), hoje chamadas de guns.
Logo depois, eles desenharam o bico em “V”, dando mais ângulo às pranchas, deixando-as com mais direção. Com isso obtiveram mais domínio no manejo das pranchas e começaram a fazer manobras que ninguém havia imaginado. Eles foram também os primeiros surfistas a pegar as grandes ondas do Hawaii, em Makaha e Sunset. Mais tarde, Froiseth organizou a competição anual de surf Makaha, que se tornou a maior competição do mundo.
Aos poucos, com a difusão do esporte, muitos surfistas foram modificando suas pranchas. Em 1924, Tom Blake construiu a primeira hollow board (prancha oca), inspirada nas antigas pranchas que ele tinha visto no Bishop Museum, em Honolulu.
Vários surfistas começaram a copiar o novo modelo de prancha, entre eles os californianos Whitey Harrison e Preston “Pete” Peterson. “Pete” foi um dos melhores surfistas dos EUA e se sagrou campeão do Pacific Coast Surfing nos anos 1932, 1936, 1938 e 1941.
Em 1932, Peterson estava surfando em Waikiki quando viu surfistas com pranchas que chamaram sua atenção. Elas tinham medidas comuns, mas a madeira era diferente. Na realidade, as pranchas eram feitas de balsa e tinham a metade do peso das redwood. Provavelmente, haviam sido feitas na Flórida, com balsa importada da América do Sul e da América Central. Permanece, porém, o mistério de quem teria sido o construtor e os nomes dos surfistas que lançaram a novidade.
A evolução das pranchas está diretamente ligada às pesquisas científicas feitas durante as duas Grandes Guerras. Na primeira Guerra Mundial, os cientistas desenvolveram uma cola à prova d’ água, com a qual então se pôde juntar pedaços de madeira. O compensado, que é um refinamento dessa colagem, contribuiu para o desenvolvimento do primeiro avião de combate e também para o revestimento das pranchas.
A primeira fábrica a produzir comercialmente pranchas de surf foi a Pacific Ready Cut Holmes, na Califórnia, que contratou, em 1937, Whitey Harrison para ser o shaper.
A evolução das pranchas modernas é geralmente associada ao nome de Bob Simmons, que curiosamente, entrou para a história do surf quando se restabelecia de um acidente de moto num hospital.
O estado de seu braço direito era muito grave e ele recebeu dos médicos um terrível diagnóstico: havia a possibilidade de amputação, caso não fizesse constantes exercícios. Seu companheiro de quarto sugeriu a prática do surf, pois além de ajudá-lo a se exercitar, o esporte lhe daria sensação semelhante à de pilotar uma moto.
Assim, em 1935, quando Simmons saiu do hospital, comprou uma prancha redwood e imediatamente começou a surfar. Dez anos depois, passou a construir suas próprias pranchas e a desenvolver novos modelos.
Durante a Segunda Guerra Mundial, pesquisas científicas resultaram em produtos como fibra de vidro, a resina e o styrofoam. Simmons usou a fibra de vidro e a resina numa de suas criações mais significativas, protegendo o bico da prancha redwood, que assim parou de descascar.
Já Preston “Pete” Peterson foi o primeiro surfista a construir uma prancha de fibra de vidro. Ele fez isso em junho de 1946, com a ajuda de Brant Goldworthy, proprietário de uma fábrica de plásticos em Los Angeles, na Califórnia, que fornecia componentes para aviões de guerra.
Por uma série de motivos estes projetos não foram adiante – dentre eles, o medo da espionagem, pois se vivia o período conhecido como Guerra Fria, no qual EUA tinham medo de ter os produtos que desenvolviam copiados pela até então União Soviética. Assim, os profissionais que desenvolviam pranchas o faziam às escondidas com receio de que suas idéias fossem roubadas. Mas, por volta de 1949, Bob Simmons construiu sua primeira prancha leve, batizada de sandwich board.
Até o final dos anos 60 as pranchas não evoluíram muito. A partir daí, começou uma época de muitos desenhos diferentes, muita experimentação. Foi quando surgiu na Austrália, a minimodel, idealizada por Bob McTavish, em 1968. Logo, Dick Brewer, no Hawaii, adaptou o conceito das minimodels para as primeiras pranchas do tipo gun, mais adequadas às ondas grandes.
As três gerações de pranchas: uma monoquilha, eu com uma bi-quilha e Marcelo Trekinho radicalizando com uma tri-quilha, que é usada até hoje.
No entanto, as pranchas continuavam com apenas uma quilha até 1976, o australiano Mark Richards bolou a primeira prancha com duas quilhas, a Twin Finn. Com ela, foi tetracampeão mundial (1979/80/81/82).
A Twin Finn possibilitava manobras mais ousadas e rápidas. Era uma prancha solta, que manobrava muito, pegava velocidade e permitia muita agilidade, principalmente em ondas pequenas e médias. Mas não era própria para ondas grandes.
Em 1981, outro australiano, Simon Anderson, lançou a três quilhas (triquilhas), que é usada até hoje porque permite maior controle e velocidade. Foi uma revolução, pois a triquilha possibilitou novos designs de pranchas e novas manobras.
Houve ainda uma época em que, em alguns lugares do mundo, tentou-se surfar com prancha de quatro quilhas. Na realidade, duas quilhas praticamente instaladas lado a lado. O Ricardo Bocão, um dos grandes surfistas brasileiros, foi um dos caras que surfaram e desenvolveram esse tipo de prancha.
O futuro das pranchas de surfe realmente é uma incógnita, afinal a tecnologia evolui cada vez mais rápido e muitas pesquisas são realizadas para acharem novas fórmulas, como a prancha de nanotecnologia que foi fabricada ano passado por uma empresa de Honolulu, no Hawaii, que seria mais resistente porém mais leve, mas que ainda não foi lançada no mercado. Vamos esperar para ver qual será a próxima novidade!
Boas Ondas e até breve,
Rico de Souza
De frente com a lenda do North Shore havaiano: Dennis Pang
Aloha Amigos!
Voltando a me preparar esta semana para escrever no Blog, me lembrei de um material inédito que trouxe da minha última temporada no arquipélago havaiano, no início deste ano.
Durante minha passagem pelo North Shore, tive a oportunidade de reencontrar um velho amigo e lendário surfista mundial, o havaiano Dennis Pang. Tenho certeza que já havia citado o nome dele em outras matérias, mas achei interessante divulgar este material com exclusividade para aqueles que acompanham minhas histórias.
Dennis Pang dando uma cavada
Quando estive na oficina do Dennis, tive a chance de bater um papo com ele muito interessante, sobre bons momentos que guardamos na lembrança e algumas novas tendências do surf. Tive a oportunidade de conferir também a parede de troféus e altas fotos que Dennis coleciona. Tudo registrado em uma entrevista exclusiva que você pode conferir no site www.ricosurf.com. CLIQUE AQUI!
Shauw Ginela, Dennis Pang e eu durante a minha última temporada no Hawaii.
Eu e Dennis nascemos no mesmo ano e nos conhecemos em 1975, numa trip para a África do Sul, para competir em Durban. Logo depois, Dennis veio ao Brasil, já que a nossa terra tropical fazia parte da rota para a África. Este foi o mesmo período que rolou o primeiro campeonato internacional no Arpoador, no qual participamos juntos.
Dennis Pang nasceu com o surf nas veias, ele era filho de um dos Beach Boys, que levava os turistas para surfar em Waikiki. Desde menino, o pai de Dennis o incentivou no esporte e em levar uma vida em harmonia com a natureza.
Pai do Dennis Pang nos tempos de Beach Boys. Na foto também o nosso lendário Duke.
Definitivamente, este havaiano é um dos maiores surfistas que já conheci e um exemplo para toda essa molecada que está começando no esporte e já absorveu o surf “moderno”, de aéreos e manobras radicais. Não que a evolução do esporte não seja válida e admirável, mas todo surfista deve aprender sobre as origens e tradições que fizeram do esporte, o que ele é hoje. Afinal, Surf não é só um esporte, é uma filosofia, um estilo de vida e principalmente uma relação de intimidade com a natureza e a mente! Confiram a entrevista, vocês vão gostar!
Boas Ondas e até breve,
Rico de Souza
Brasil participa do I EarthWave em prol do meio ambiente
Aloha Amigos!
Hoje estou postando sobre um assunto muito importante: o meio ambiente. No mês passado, recebi um convite que me deixou muito feliz, pois há muito tempo queria participar de uma ação importante e que fosse realmente uma causa séria. Finalmente essa oportunidade chegou! A Surfing Academy of Kahuna, que fica na África do Sul, me convidou para ser o organizador do I EarthWave no Brasil, um evento mundial na luta contra o aquecimento global, que reunirá surf 24 países na tentativa de quebrar o recorde de maior número de surfistas dropando a mesma onda no mesmo momento.
Este será um desafio global a favor do meio ambiente, reunindo nós surfistas, que somos os verdadeiros guardiões da natureza. O evento será dia 2 de setembro em todo Globo, e aqui no Brasil, acontecerá em Santos. A quebra do recorde será de 12h às 13h.
Semana passada quando fui fechar alguns detalhes em São Paulo.
Mas com essa chance, não pude me limitar só a tentativa da quebra do recorde. Eu queria fazer mais, então fui atrás de parcerias que pudessem me ajudar na realização de mais um excelente evento. Com o objetivo de alertar a população dos males que nosso planeta está vivendo, em parceria com a Prefeitura de Santos e a holding EcoRodovias, o Quebra-Mar de Santos vai receber o EarthWave Festival de Surfe EcoRodovias.
Além da tentativa da quebra do recorde, iremos promover um campeonato de longboard e palestras sobre noções básicas para a população aprender como pode cuidar do nosso planeta com pequenas ações do dia-dia.
Nosso Planeta Azul!
Eu acho muito importante essa mobilização mundial dos surfistas contra o aquecimento global e em prol do Meio-Ambiente. Afinal, nós dependemos da natureza e estamos nesta luta há muito tempo, e este é o tipo de evento que vai ajudar a chamar mais ainda a atenção para os problemas que estamos enfrentando, para tentarmos deixar um mundo melhor para nossos filhos.
Sempre me importei com essa questão e tentei me manter fazendo a minha parte pelas praias, como cuidando da vegetação local e preservando o meio ambiente, mas nem sempre isso é suficiente! Existem ações muito maiores que agridem nosso habitat e atitudes irresponsáveis que estão acabando com nossa Fauna e Flora. Por isso, aproveito este espaço para convocar cada um de vocês, surfistas de alma e coração, para entrar nessa briga comigo e lutar por um mundo melhor. Desde já, aguardo a presença de vocês neste evento que marcará a história do surf para sempre!
Uma belíssima foto tirada por Márcio Rodrigues da Fotocom.net durante o PLC 2006, no Quebra-Mar de Santos. Um verdadeiro espetáculo natural de mais um fim de tarde comum.
Boas Ondas e Até Breve,
Rico de Souza
PERU: CENTRO DO SURF SUL-AMERICANO NOS ANOS 60
Aloha Amigos!
Hoje, fecho a trilogia de posts, nos quais queria tratar sobre minhas experiências com o surf no Peru. Este foi sem dúvida um lugar muito especial e que acrescentou muito na minha caminhada pelo esporte. Foi onde ganhei amigos, experiência e surfei altas ondas, sem dúvida aquela terrinha sempre vai morar no meu coração!
Nos anos 60 o Peru era o centro do surf na América do Sul. Onde moravam os melhores surfistas e onde aconteciam as principais competições internacionais. Para vocês terem uma idéia, o presidente da federação mundial de surf era um peruano chamado Eduardo Arena.
Lima concentrava os melhores surfistas peruanos, a maioria deles sócios do clube Waikiki, o centro da aristocracia peruana e freqüentado pelos donos das maiores fortunas no Peru. O clube Waikiki reunia a nata do surf peruano, toda a sua riqueza, talento e organização. Por isso o Peru sediava as mais importantes competições de surf naquela época.
Eu tive a oportunidade de conhecer o Peru em 1969, como disse anteriormente, foi minha primeira viagem de surf para fora do Brasil e eu acabei me dando muito bem nas ondas peruanas.
Além da competição de surf, eu acabei participando de uma corrida de remada, como sempre gostei de remar me sinto à vontade neste tipo de competição. Naquela ocasião, a disputa seria por equipes formadas por quatro surfistas. Então, havia a equipe do Hawaii, do Peru, da Califórnia e a do Brasil, que era formada por mim, pelo Maraca e pelo Mudinho, além do australiano Peter Drown, que anos depois criou o sistema de baterias homem-a-homem, que completou o nosso time. Nesta época já existia uma grande rivalidade entre os australianos e os havaianos.
No dia da corrida o mar estava grande e eu fui o primeiro a remar pelo nosso time. Dei sorte e consegui passar rápido pela arrebentação. Acabei abrindo uma vantagem em cima dos meus adversários. Em seguida foi a vez do Maraca, que acabou perdendo a prancha na arrebentação e com ela, a nossa vantagem. Mas o Mudinho remou bem e o Peter Drown também. Eu ainda remei mais uma vez e nós acabamos vencendo. Me lembro que o George Downing já tinha pranchas especiais para remada e eu fiquei olhando para ela cheio de curiosidade pois jamais tinha visto uma prancha daquelas.
Até hoje existem os tradicionais campeonatos de remada no Peru.
Na época eu devia ter uns 18 anos e ainda participei de uma outra prova de remada, disputada em Herradura. Me lembro que antes da largada, eu olhei para um cara que tinha uns 40 anos, que também ia competir, e pensei: bem, desse cara eu vou ganhar. Remei bem e acabei em quinto lugar na classificação geral, mas atrás daquele cara que eu tinha desmerecido. Ele havia me derrotado. Aprendi que jamais podemos desmerecer nossos adversários.
O Peru me traz boas memórias, de ondas perfeitas e de muitos amigos que fiz pelo caminho. Uma de minhas ondas favoritas até hoje é Punta Rocas, um pico que a gente só surfava quando as ondas passavam de dois metros. Nos dias menores as opções eram muitas. La Isla, uma onda muito boa, estava sempre quebrando e era onde nós mais surfávamos. Outra boa opção, eram as esquerdas longas e hot dog de Cerro azul. El Silencio era outro pico que a gente gostava de surfar nos dias pequenos.
Punta Rocas é um dos meus picos favoritos pelo o mundo!
Pois é, já faz muito tempo, quase 40 anos, que estive no Peru pela primeira vez. Mas para falar a verdade ainda não esqueci os momentos mágicos que vivi por lá. É bom recordar. Me faz bem saber que estas memórias de bons dias de surf vão ficar para sempre.
Obs: Escrevendo este post fiz algumas pesquisas na Internet sobre o Peru, e descobri várias novidades e uns links interessantes. Inclusive, até hoje os tradicionais campeonatos de remada são famosos no país. Segue abaixo o endereço que mais gostei: http://www.olasperu.com
Boas Ondas e até Breve,
Rico de Souza
CHICAMA: AS ESQUERDAS MAIS LONGAS DA MINHA VIDA
Aloha Amigos!
Hoje volto a falar sobre quando conheci as ondas peruanas pela primeira vez, mas agora vou falar de um pico muito especial, que conheci na minha segunda visita à região, em 1970: Chicama.
Muito antes de ir pela primeira vez para o Peru, eu já tinha ouvido falar de Chicama e sobre suas longas e geladas esquerdas. Provavelmente as ondas mais longas do mundo. Na minha segunda viagem ao Peru, em 1970, mesmo ano em que acabei em 5º lugar no campeonato de Punta Rocas, eu tive a oportunidade de encarar as pesadas ondas de Chicama.
Nesta viagem, fui da capital do país, Lima, até Chicama, que fica no litoral norte do Peru. Eu embarquei nessa trip ao lado de um amigo alemão, que morava na Argentina e todo ano passava uma temporada surfando no Peru.
As majestosas ondas de Chicama. Foto: Point do Surf
Fomos de Lima até Chicama numa romeseta, um carro de três rodas, pequenininho e bem pitoresco. As estradas peruanas eram muito íngremes e nosso carro só subia as ladeiras de marcha ré. Quem passava por nós na estrada não acreditava nos próprios olhos. Éramos dois malucos, com duas pranchas de surf, subindo a ladeira de marcha ré. Não é por acaso que surfista sempre teve fama de maluco.
Em Chicama, ficamos hospedados no El Hombre. Se é que dá pra chamar de hospedagem as instalações do El Hombre naquela época. As condições eram indescritíveis. Escorpiões demais e água de menos. Mas, em compensação, as ondas são mesmo as mais longas que eu já vi na vida; apesar de hoje em dia eu ter uma concepção diferente de ondas, prefiro as havaianas, mais fortes e curtas se comparadas a Chicama. De qualquer maneira, esta viagem foi uma experiência inesquecível.
O fato é que durante a viagem para Chicama ocorreu um fenômeno curioso. Algo que só acontece quando chove muito nas montanhas e água que desce pelos rios acaba destruindo as estradas. Então, na volta de Chicama para Lima, as estradas estavam todas detonadas. Eu estava com o pé infeccionado e cheio de ínguas. Foram vários dias de perrengue. Muito calor, mosquitos nos mordendo o tempo todo, o pé inflamado... Foi uma viagem cheia de aventuras, quando tudo era novidade. O lugar, as pranchas, as ondas, os obstáculos...
Definitivamente, essa foi uma trip que marcou muito minha história, não só por ser um dos primeiros lugares que conheci fora do país, mas por toda a aventura que passei e que, com certeza, faz parte das melhores lembranças que um surfista pode trazer no currículo. Mas o mais inesquecível foram aquelas esquerdas, eu nunca mais surfei uma onda tão longa quanto Chicama.
Boas Ondas e até breve,
Rico de Souza
MINHA PRIMEIRA VIAGEM AO PERU
Aloha Amigos!
Voltando as histórias sobre os trajetos que já percorri na história do surf, hoje, vou falar da primeira vez que estive no Peru e participei da minha primeira competição internacional.
Em 1969 eu fui pela primeira vez para o Peru, essa minha viagem só se tornou possível graças a minha vitória no campeonato do Arpoador, o prêmio foi a passagem aérea para a região. Lembro, que foi quando eu vi pela primeira vez os havaianos surfando, tinha uma porção deles e só os melhores da época. Entre eles, nomes como Joey Cabell, que acabou vencendo o campeonato, Barry Kanaiapuni, entre outros feras.
Paul Strauch Jr, Joey Cabell, Fred Hammings ao lado do lendário Duke. Foto: Arquivo Fred Hammings.
Assim que pisei no território Peruano e vi os havaianos arrepiando com suas “hawaian guns”, me toquei que estava usando o equipamento errado. Minha prancha ainda era a mesma que eu tinha usado pra vencer o campeonato no Arpoador. Uma 5’5” single fin, que acabou quebrando logo no meu primeiro drop na bateria em Punta Rocas. Enquanto isso, os havaianos estavam usando um equipamento totalmente diferente do meu: pranchas maiores, as chamadas hawaian guns, que funcionavam muito bem nas ondas peruanas.
Eu acabei aprendendo muito nesta viagem, principalmente, em relação às pranchas. No final da década de 60, o surf peruano estava bem mais desenvolvido que o brasileiro e os peruanos eram, sem dúvida nenhuma, os melhores surfistas da América do sul. Inclusive, o Felipe Pomar já tinha vencido um título mundial e a indústria de surf peruana estava milhões de anos na frente da brasileira. Surfistas peruanos como o Chino Malpartida, o Gordo e o Flaco Barreda, e o Ivan Sardan, só pra citar os mais famosos, surfavam muito. Eu tive a oportunidade de ver o Gordo Barreda fazendo uma prancha e aprendi muito com ele. O fato é que até a metade dos anos 70, o Peru foi o centro do surf sul-americano e os peruanos os melhores surfistas do continente. Outro cara que foi muito importante pra mim neste começo foi o La Bruja, um fabricante de pranchas peruano, que me ensinou muitos segredos na arte de shapear e laminar.
Eu shapeando a minha primeira prancha depois de aprender as novas técnicas gringas no Peru.
Depois da minha fraca atuação neste primeiro ano que competi no Peru, eu acabei voltando no ano seguinte, quando cheguei até a final. Neste segundo ano, eu acabei em quinto lugar no campeonato. O Bocão foi o sexto. O que fez diferença foi ter mudado meu equipamento, o que me tornou um surfista competitivo com relação aos gringos.
Neste segundo ano, o campeonato foi mais uma vez disputado nas ondas de Punta Rocas, um dos melhores picos de surf no Peru, aquele pico me lembra um pouco a praia da Macumba. Lá, você encontra ondas lisas, perfeitas e fáceis de surfar, que fica melhor à medida que o mar sobe. Eu gostei muito de surfar Punta Rocas e até hoje guardo excelentes memórias desta onda.
Como eu já disse antes, vários havaianos costumavam ir para o Peru nesta época, e eu acabei ficando amigo de muitos deles. Convidei o Joey Cabell para vir passar um tempo no Brasil conosco e ele acabou aceitando o convite. Depois do campeonato em Punta Rocas, eu fiz uma viagem junto com um amigo alemão para o norte do Peru, mais precisamente para Chicama, talvez a onda mais longa do planeta. Mas esta é uma outra trip e essa história, eu vou contar em outra oportunidade.
Joey Cabell mostrando seu estilo daquela época. Foto: Surfline / Grannis.
Boas Ondas e Até Breve,
Rico de Souza
NOVA GERAÇÃO: TALENTO FEMININO SOBRE AS ONDAS
Aloha Amigos!
Hoje vou sair um pouco das minhas tradicionais histórias na estrada do surf para falar de uma coisa que observei esses dias na praia da macumba. Fiquei impressionado como o surf de longboard caiu no gosto feminino e como hoje, elas dominam as ondas dos principais picos dos pranchões aqui no Rio.
Na Prainha, Macumba, Grumari, entre outras praias, lá estão elas, mostrando graça e delicadeza ao deslizar pelas ondas em seus pranchões. Já era de se esperar, inclusive no Petrobras Longboard Classic, o número de atletas correndo o campeonato duplicou nesse último ano. Mas o que mais me chamou a atenção foi como a nova geração feminina está surgindo forte e fazendo bonito sobre as ondas. Desde pequenas, muitas meninas estão de um lado para o outro carregando seus longboards, que são quase o dobro do tamanho delas; entrando na água apesar da pouca experiência e dropando as ondas igual gente grande, muitas vezes, surfando melhor que muito marmanjo por aí.
Eu e Chloé após a nossa sessão de surf na Macumba.
Esse é o caso da carioquinha Chloé Calmon, de 12 anos e local da praia da Macumba. Tive a oportunidade de estar com ela no Ricopoint neste último final de semana e aproveitamos para pegar onda juntos. Assim que entramos na água o estilo da remada dessa jovem longboarder já me chamou a atenção, e quando vi seu surf fiquei surpreso e admirado.
Já fora d'água fiquei sabendo que ela aprendeu a surfar há apenas um ano e que já está competindo nos campeonatos regionais. Sua estréia foi na primeira etapa do Surf Treino, na Praia da Macumba mesmo, no início desse ano; e como as vagas para a categoria feminina já haviam acabado, ela competiu com meninos, na categoria iniciante, chegando às quartas-de-final.
Além de se destacar em seu primeiro ano de competição, Chloé mostra atitude encarando ondas de qualquer tamanho; todo dia ela cai na Macumba independente das condições do mar.
Essa pequena surfista, que representa muito bem a nova geração dos longboarders brasileiros, ainda vai dar muito o que falar nas competições; isso, eu tenho certeza!
É muito importante poder ver como a essência do longboard atravessou gerações e hoje faz a cabeça da garotada. Mesmo com muitos jovens ainda optando pela radicalidade e aéreos das pranchinhas, o life style dos pranchões está voltando a incorporar no surf da nova geração, que está buscando cada vez mais a simples harmonia e liberdade de poder delizar sobre ondas.
Os marmanjos que fiquem espertos, pois elas estão dispostas a brigar pelo espaço dentro d'água, com muita elegância e talento. Sou de um tempo que existia uma mulher para cada 50 surfistas homens, hoje, esse perfil mudou e nossas garotas, seja bodyboarders, pranchinha ou longboarders, estão dominando os picos pelo Brasil e pelo mundo, com muita garra e surf no pé.
Isso só é motivo de grande felicidade para mim! Parabéns a Chloé e a todas as meninas da nova geração do surf brazuca!
Boas Ondas e até breve,
Rico de Souza
O SURF NA MINHA VIDA: MEU PRIMEIRO CAMPEONATO NO ARPOADOR
Aloha Amigos!
Nos encontramos novamente por aqui e é com uma enorme satisfação que volto hoje a escrever sobre os bons tempos do Arpex. Dando continuidade as histórias daquela época, vou falar do primeiro campeonato que participei na minha vida e que, é lógico, foi nas ondas do Arpoador.
Em 1969 o Arpoador era um lugar especial no Rio de Janeiro. Onde se reunia toda a turma do surf carioca, que devia se resumir a uns 300-500 surfistas. Toda a galera se conhecia e fazia o surf por amor. Ainda não existia o surf profissional, mas já havia excelentes surfistas. E todos eles surfavam no Arpex.
O Arpoador estar localizado na zona sul carioca facilitava tudo na época. Você surfava de manhã, fazia suas coisas durante o dia e podia voltar no final de tarde para pegar mais umas ondas ou encontrar os amigos. Ao contrário de hoje em dia, antigamente os carros chegavam até a praia do diabo. Sem dúvida nenhuma, o Arpoador era o grande point do Rio no final da década de 60.
Sempre que eu me lembro desta época do surf carioca me recordo do Coronel Parreiras. O primeiro fabricante de pranchas no Brasil. O Coronel foi o patrono da indústria de surf brasileira. Depois dele, vieram muitos outros fabricantes. Me lembro que o Cyro Beltrão, o Caneca, o Tito Rosemberg e o Henrique Schulemberg começaram a fabricar pranchas inspirados pela iniciativa do Coronel Parreiras, eu mesmo comecei inspirado por ele. Hoje em dia temos centenas de fabricantes de prancha espalhados pelo Brasil. Mas o Coronel Parreira sempre terá um lugar especial na história da indústria de surf brasileira.
Essa é uma das minhas fotos favoritas: eu na minha oficina no Recreio.
O primeiro campeonato de surf que eu participei foi realizado no Arpoador e patrocinado pela Magno Surf Shop. Uma loja de surf que ficava localizada na Rua Gomes Carneiro, bem pertinho do Arpoador. O palanque era pequeno e parecia mais um coreto de festa junina. Mesmo sem ainda existir nenhuma mídia especializada, a audiência e o interesse que o surf despertava nas pessoas já era grande.
O campeonato foi disputado num dia de ondas boas no Arpoador e contou com a participação dos melhores surfistas da época. Me lembro muito bem que o Betão, um dos tops daquele tempo, foi meu adversário na final. Enquanto as baterias eram disputadas em boas ondas, na areia tinha uma galera bem grande torcendo. O curioso é relembrar as pranchas da época, que em menos de dois anos tinham diminuído bastante. De uma hora pra outra a maioria dos surfistas tinham abandonado os pranchões com mais de 8 pés e passado a usar pranchas bem menores. A minha era um 5’5” e tinha apenas uma quilha.
No dia do campeonato o mar estava perfeito. Um metro abrindo para a direita e também para esquerda. Uma condição rara no Arpoador, onde normalmente as esquerdas do pontão prevaleciam como as melhores. Na final, eu me dei bem surfando as direitas para cima das pedras. Tive uma boa escolha de ondas e derrotei o Betão, que surfava muito. Outro bom surfista que fez a final junto comigo e com o Betão foi o Marquinhos Berenguer .
Este campeonato no Arpoador marcou o começo de uma mudança de guarda no surf carioca. O surgimento de uma nova geração no Rio de Janeiro. Uma galera que vinha suceder os surfistas veteranos, como os irmãos Rebeck , o Betinho, etc; nomes que dominaram a cena até então.
Eu tenho uma foto desta época que gosto muito e que guardo com bastante carinho. Ela registra o momento em que fui receber meu prêmio na loja Magno. Junto comigo estava o Maraca. Nós dois cabeludos e jovens, vivendo um momento mágico nas nossas vidas. Graças ao prêmio que ganhei pela minha vitória no campeonato Magno, no Arpoador, que eu pude ir para o Peru junto com o Mudinho, para competir num evento internacional. Mas isto já é uma outra história, que eu vou contar numa outra oportunidade.
Eu recebendo a premiação pelo Campeonato Magno, no Arpex.
Boas Ondas e Até breve,
Rico de Souza
O Surf na minha vida: homenagem da Câmara Municipal do Rio de Janeiro
Aloha meus amigos!
Hoje estou muito feliz em publicar este post. Na semana passada, tive um encontro com o vereador Carlo Caiado, que me entregou uma Moção de Reconhecimento e Aplausos pela comemoração dos 10 anos da minha escolinha de surf.
Fiquei muito honrado por essa homenagem e por todas as palavras mencionadas neste documento. É muito legal poder ser reconhecido por todo o trabalho que me dediquei ao surf e poder retribuir ao esporte, tudo aquilo que ele proporcionou na minha vida.
Gostaria de aproveitar a oportunidade e agradecer a todas as pessoas que me apoiaram ao longo desses anos, além de estarem ao meu lado nessa luta para difundir a cultura surf no Brasil e no mundo.
Confiram vocês mesmo o documento que ganhei pessoalmente das mãos do vereador Carlo Caiado na semana passada. 
O Vereador Carlo Caiado foi pessoalmente me entregar a homenagem, no Ricopoint, na Praia da Macumba. Fiquei muito lisonjeado!
Boas Ondas e até breve,
Rico de Souza
A HISTÓRIA DO SURF: COMO TUDO REALMENTE COMEÇOU
Aloha amigos!
Desde que comecei esse blog, tento passar para vocês histórias que vivi no surf ou que fizeram parte do crescimento do esporte no país. Mas até agora me aprofundei muito na evolução do esporte no país, esquecendo de falar sobre quando tudo realmente começou. Então, nessa minha postagem quero explicar um pouco como o surf surgiu realmente dentro de tudo que já pesquisei e conheço sobre a história desse esporte tão apaixonante.
A história do surf não é linear, como, por exemplo, a do futebol, que começou no Brasil no fim do século XIX com as primeiras bolas trazidas da Inglaterra por Charles Miller.
A imprecisão histórica é ainda grande. Há quem acredite que os primeiros surfistas viveram há cerca de mil anos. Eles teriam vivido na Oceania e, em emigrações, espalharam o hábito de pegar onda pelo Pacífico Sul.
Os primeiros a chegar no Hawaii teriam sido os habitantes das ilhas Marquesas, na Polinésia. Eles praticavam a arte do paipo: descer numa onda deitado sobre uma prancha pequena e arredondada.
Numa segunda leva, bem posterior, os taitianos também chegaram ao arquipélago, trazendo o hábito de ficarem em pé em cima de uma prancha que ficava em cima de suas canoas de guerra. Daí para alguém decidir descer em pé em cima de uma paipo não demorou muito...
Mas se há pouca cronologia, há muita mitologia na história do surf. Como o caso do rei Moikeha, do Taiti, que teria aportado do Hawaii, na ilha da Kauai, para surfar. Em Makaiwa, ele descobriu as ondas perfeitas e acabou casando com as duas filhas do rei local. Mais tarde, Moikeha se tornaria rei em Kauai e sua história é contada até hoje numa espécie de hino.
No Hawaii primitivo, o surf esteve sempre ligado à mitologia e as crenças religiosas. Os habitantes acreditavam, por exemplo, que bastava deixar uma oferenda na árvore escolhida para ser base da prancha que outra árvore nasceria igual. Esse pensamento ecológico deveria servir de exemplo ainda hoje, neste sofrido planeta azul.
Outra versão atribui aos peruanos o início do que mais tarde seria o surf. Eles teriam inventado o esporte a partir do Cabalito de Totora, uma espécie uma espécie de canoa feita em junco com a qual pescavam no mar. Na volta para suas vilas, ficavam em pé no Cabalito para curtir as ondas.
A história moderna do surf é mais bem documentada. Em 1778, o capitão inglês James Cook passou pelo Hawaii e relatou em seu diário que viu nativos praticando o esporte em pranchas mais pesadas (ollo) destinadas à nobreza e menores (alaia) para os mortais comuns. Em 1819, um ano antes da chegada dos primeiros missionários brancos, que trariam também doenças que quase dizimaram os nativos, o rei Kamehameha II, filho do unificador do Hawaii, decretou o fim das separações de classes, e o surf passou a ser praticado livremente.
Duke foi um dos principais contribuidores para a história do surf.
Com a chegada dos missionários, o surf quase foi extinto. Os conquistadores acreditavam que os nativos ficavam indolentes com aquela prática, considerada imoral. Aos poucos, a repressão foi diminuindo, e a prática do surf foi resgatada em 1907 por George Freth, ganhando impulso extraordinário graças ao mitológico nadador havaiano Duke Paoa Kahanamoku, recordista mundial nos anos 50, 100 e 220 metros. Três vezes medalha de ouro e duas vezes de prata em olimpíadas, Duke dizia que o segredo de seu sucesso era praticar o surf. No início chocou os puristas das piscinas, mas, com o seu prestígio, se tornou o pai do surf moderno, levando-o para os Estados Unidos em 1910, e logo depois para a Austrália.
O curioso, na carreira de Duke, é que, ao mesmo tempo em que surfava, ele integrava a equipe dos primeiros salva-vidas, ajudando americanos e europeus que começavam a surfar no Hawaii. Com grande prestígio nos Estados Unidos, Duke se tornou amigo das estrelas de Hollywood e levava os artistas para surfar em Waikiki. Hoje, há inúmeras referências a ele no Hawaii; seu nome é homenageado em avenidas, estradas e monumentos. Duke morreu em 1968, de um ataque de coração, aos 75 anos de idade.
Monumento em homenagem ao Duke no pico de Waikiki, no Hawaii.
Acredito que desde desse momento que a história do surf realmente começou a ser escrita pelos havaianos e aí o surf foi evoluindo para o mundo e hoje se tornou essa máquina de competições, profissionalismo e, principalmente, amor e relação com o mar.
Boas Ondas e Até Breve,
Rico de Souza
Rico de Souza nasceu em junho de 1952, no Rio de Janeiro. Com mais de trinta anos de surfe, ele faz parte da Comissão Nacional de Atletas e ganhou o título de Embaixador do Surf Brasileiro. Rico conquistou seis vezes o título nacional, três deles na categoria pranchinha (1969 / 72/ 73), e os outros três na categoria longboard (1987 / 88/ 89), além do vice-campeonato mundial amador de longboard em 1988 e no Circuito Mundial de Longboard da ASP em 1989.O surfista e empresário contribuiu com iniciativas pioneiras no país. No início dos anos 90, Rico inaugurou a primeira escola de surf do Brasil, que está em funcionamento até hoje, além de promover o Campeonato Brasileiro de Longboard desde 2002.