Jihad e Tininha são os exemplos da nova geração do Surf brasileiro
Aloha Amigos,
Hoje, vou deixar para trás as histórias do passado e vou falar de um assunto bem atual: os talentos da nova geração do surf brasileiro.
A última etapa do SuperSurf 2007, na Barra da Tijuca, acaba de fechar com chave de ouro uma incrível temporada de disputas pelo título brasileiro. Nunca na história do surf brazuca o título nacional foi tão disputado, até a 5ª e última etapa cinco surfistas ainda tinham chances de se consagrar campeão: o carioca Marcelo Trekinho, o catarinense Marco Pólo, os paulistas Renato Galvão e Wagner Pupo e o paranaense Jihad Kohdr, que defendia o caneco de campeão brasileiro.
O feito ficou novamente por conta de Jihad Kohdr que conquistou o título de bicampeão brasileiro e se despede do circuito nacional com uma excelente atuação. Jihad e seu surf power estão prontos para encarar as ondas gringas do circuito mundial. É um orgulho para todos nós, poder ver mais um atleta talentoso de nosso país chegando à elite do surf mundial. Sem dúvidas, esse jovem paranaense de Matinhos merece todos os aplausos pela incrível carreira que está construindo no surf profissional.
Outros nomes conhecidos brilharam nesta última etapa como o surfista Renato Galvão de Ubatuba, que levou o caneco na Barra e teve uma excelente atuação na temporada, e o nosso carioca Guilherme Herdy, que chegou na final contra o Renato. Fiquei muito feliz ao saber que o Herdy fez o pódio aqui, afinal, tive a oportunidade de apadrinhar o Herdy ainda moleque, no início da sua carreira, e sempre admirei o surf dele.
Galeria dos campeões 2007 e etapa final na Barra da Tijuca: Herdy e Galvão, Tininha, Jihad e Tita Tavares.
Os talentos da nova geração do surf se mostram com força no circuito brasileiro e logo, se revelam opções para a elite do surf mundial, assim como foi com o Mineirinho e agora com o Jihad. Todos os surfistas estão de parabéns pela performance nesta temporada, afinal, um título desse, altamente disputado, só reflete o alto nível de todos os atletas. Por isso, que é importante ter investimento na categoria de base e em eventos no país, tanto regionais, quanto brasileiros. Toda essa nova geração que representa o Brasil lá fora, eu tive a chance de conhecer ainda criança e aprendendo a surfar. Para mim é de arrepiar quando fico sabendo que eles estão quebrando nas ondas gringas e também aqui no Brasil.
Mas o que mais me chamou a atenção nesta etapa foi a maravilhosa atuação da Tininha, que foi convidada para correr na Barra e que garantiu vaga na elite do surf brasileiro em 2008. Eu me emocionei ao ver como ela está surfando e saber que ela foi campeã aqui no Rio. Eu tive a oportunidade de conhecer a Tininha em uma viagem que fizemos juntos para o Taiti. Na verdade, essa viagem reuniu rostos bem conhecidos no circuito brasileiro atualmente, mas quando todo mundo ainda era bem pequeno e se começava a formar uma boa categoria de base. Naquela época, a indiazinha ainda não dominava bem as ondas grandes, mas já prometia ser uma grande surfista. Hoje, vendo como ela evoluiu e tendo excelentes resultados neste ano, já posso imaginá-la daqui a um tempo defendendo a bandeira verde-amarela no WCT.
Garotada no Taiti, que hoje se tornaram rostos conhecidos no circuito brasileiro, e Tininha, ainda bem pequena.
Danada essa menina, que está de parabéns por todas as merecidas vitórias que conquistou em 2007. Tininha é sem dúvida uma típica brasileira: guerreira e de uma simpatia incrível. Ela vai longe! Outros nomes me chamaram atenção nesta temporada, como o da grande Tita Tavares que confirma todas as expectativas sobre o surf forte e bem definido; talento não falta nos pés da tricampeã, em 2007. A carioca Suelen Ferreira também mostrou que está no caminho certo fazendo uma bateria na final contra Tita em Maresias. A local de Ubatuba, Suelen Naraisa, que também tem chamado a atenção nas ondas, sempre garante um dos lugares no pódio das etapas do circuito brasileiro. E a potiguar, erradicada no Rio, Krisna de Souza, que veio se chegando a cada etapa até fazer a final com Tininha, aqui, no Rio, o surf forte de Krisna promete boas surpresas em 2008.
Tininha em dois bons momentos da bateria final: quebrando na onda da Barra e colocando forte no trilho.
Tanto na categoria feminina, quanto na categoria masculina, o surfe brasileiro se aprimorou, o nível melhorou e a dedicação do “surfista profissional” também. O surfe realmente virou profissão e o esporte é reconhecido por todo território. Isso, só poderia me deixar feliz! Parabéns também a toda organização do SuperSurf, patrocinadores, ABRASP, e Federações locais de onde acontecem as etapas, o evento é um sucesso e um dos principais acontecimentos do esporte no país. E que venha mais talentos da nova geração!
Boas Ondas e até breve,
Rico de Souza
Novas tendências fomentam o mercado do surf
Aloha Amigos,
Não é novidade para ninguém a “nova” modalidade de surf que está se tornando febre pelo mundo, o stand-up surfing. Eu mesmo já falei sobre esse tema algumas vezes aqui no Blog. Além de ser uma prática acessível a qualquer pessoa, sem necessariamente ser surfista, o stand-up surfing é uma excelente oportunidade de estar em harmonia com a natureza e manter a forma.
Mas entre os surfistas, essa “nova” prática está dando o que falar. Em muitos picos pelo mundo, como o Hawaii, Califórnia e Austrália, os campeonatos de stand-up surfing já são freqüentes, e no Brasil, eu estou tentando inserir este costume e os equipamentos necessários no mercado.
Aí, entra o tema do meu post de hoje! Recentemente, recebi, diretamente do Hawaii, uma prancha novinha de stand-up e fiquei muito feliz com o presente. Eu já tive oportunidade de experimentá-la e aprovei meu novo brinquedo.
Eu e minha nova prancha de stand-up, presente vindo diretamente do Hawaii.
Para mim, está sendo muito importante ter essa oportunidade de comparar as pranchas que tenho fabricado aqui, com as lá de fora. Pois assim, consigo analisar as novas tendências e adaptar com jeitinho brasileiro, além de adquirir conhecimento e evoluir na fabricação de pranchas de stand-up. Tenho certeza, que, em breve, essa modalidade também vai virar febre por aqui.
Esse é um modelo novo e com 10.5 pés, uma prancha estável e bem larga. Apesar do tamanho, ela é leve e fácil de manobrar. O outline dela é bem diferente do que eu estava usando atualmente aqui no Brasil. Estou estudando todas essas diferenças e semelhanças do que estava usando e dessa prancha nova que ganhei de presente, como as curvas de fundo, o outline, a borda, entre outros elementos. Assim, sinto que vou poder evoluir e oferecer aqui no Brasil o que tiver de melhor e mais moderno no mercado mundial. Além das pranchas, estou pesquisando novas matérias primas para fabricar também os remos, já que exportar o material utilizado é muito difícil e caro. Já testei alguns modelos, que estão dando certo.
Eu praticando stand-up e com meu filho, na Praia da Macumba, com a minha segunda prancha, fabricada aqui no Brasil.
Espero poder evoluir mais na fabricação desse segmento de surf e poder oferecer para o público brasileiro mais uma opção de lazer, divertimento e esporte. Afinal, tanto para o surfista profissional ou de alma, e para pessoas que gostam de estar em contato com o mar, o stand-up surfing é uma prática que eu aconselho pela plenitude na relação com a natureza e na ajuda do preparo físico em uma vida saudável.
Fica aqui mais uma dica, e em breve, assim que tiver mais novidades sobre o stand-up surfing e sua fabricação, teremos mais um encontro marcado aqui no meu blog. Maiores informações: ricopromocoes@uol.com.br ou ricosurf@globo.com.
Boas Ondas e até breve,
Rico de Souza
Boas lembranças do Festival de Surf em Saquarema
Aloha Amigos!
Hoje vou começar meu blog um pouco diferente, vou me basear em excelentes lembranças que tenho da década de 70 ainda, mas em especial à uma foto que recebi por email do meu grande amigo Gordinho. Ao ver essa foto, entre tantas outras que o Paul (Gordinho) me mandou, tive uma saudade gostosa no coração da foto em que estou no Festival de Surf em Saquarema, pois ela reune grandes amigos meus daquela época.
Galera reunida no Festival de Surf de Saquarema
Saquarema sempre foi considerada como o maracanã do surf e já contribuiu muito para a construção da história do surf brasileiro como um dos principais cenários do esporte. A Praia de Itaúna proporciona uma das melhores ondas do Brasil, sem falar no incrível visual que a paisagem proporciona. Ah! Já vi cenas espetaculares naquele pico, tanto dentro d'água, com show de surf, quanto fora, como a beleza de um pôr-do-sol, que é único na Praia de Itaúna.
Essa foto foi no final da década de 70 e nela estão bons amigos como o Zeca Mendigo, a Márcia, Cadinho, Gláucia, Maraca, Nininha, Ratão, Paulo Proença, Otávio Pacheco, o Xuxa, a Tiça, Sandrinha, entre outros. Essa turma traz boas lembranças da minha vida, naquela época começavamos a viver a cultura surf, que já estava se expandindo pelo Brasil, e a maioria das pessoas nessa foto fizeram parte da minha trajetória no esporte. Já faz tanto tempo e parece que foi ontem, se observarem tem uma criança no colo da Nininha e que hoje, essa criança já deve ser um adulto com uns 30 anos. É, o tempo passa, mas o importante é saber viver intensamente esses bons momentos, pois eles que fazem nossa vida valer a pena.
O Festival de Surf em Saquarema foi um desses momentos épicos na minha vida, um período que pude estar presente num lugar espetacular, com altas ondas e com uma galera maravilhosa. Me deu muita saudades ao lembrar daqueles dias em Saqua, nós éramos jovens e estávamos começando a vida ainda. Todo mundo era cabeludo na época, afinal a cultura do surf "vendia" esse esteriótipo, o surf ainda sofria um certo preconceito pois ninguém o encarava como esporte de verdade, principalmente como de competição. Graças a Deus essa visão mudou hoje em dia, o tempo passou e o surf ganhou força, revelou grandes talentos e se tornou um esporte de competição de respeito. No Brasil, ainda existe muitas polêmicas sobre o assunto, mas a cada ano o surf cresce no país e chama a atenção dos jovens.
Talvez poucos percebam, mas é aí que o surf ganha espaço, afinal, a juventude é o futuro que nós estamos plantando hoje, e o surf está servindo de instrumento de educação, união e expectativa. Isso, só me deixa feliz, pois sei que a minha geração contribuiu para essa realidade atualmente. Eu vivi num tempo em que ser um jovem surfista era muito difícil, o preconceito era forte ainda, mas valeu a pena ter aberto as portas para essa rapaziada que está chegando e colocando o nome do esporte lá fora.
O surf também chamou a atenção do mercado, que investiu pesado na cultura surf ao longo dos anos, explorando a emoção que o esporte proporciona, o estilo de vida entre outras manifestações do esporte. Com o tempo tudo foi se desenvolvendo, como o surfwear, a surfmusic, que teve origem na Austrália, a nossa maneira de falar, o vocabulário diferenciado e as gírias que distinguem nosso prórpio estilo. Isso tudo compõe a tribo do surf ao longo desses anos, mas um novo elemento está surgindo entre a classe surfista: a questão ambiental, que chama a atenção de todos, cada vez mais, para a conscientização da preservação da natureza. Hoje, tenho muito orgulho de ter dedicado a minha vida ao surf e de hoje, poder vê-lo crescer assim. Deixo aqui meu abraço a todos os amigos que viveram comigo esses bons tempos em Saquarema.
Boas Ondas e até breve,
Rico de Souza
MINHA PRIMEIRA TEMPORADA NO HAWAII
Aloha Amigos,
Em meu último post, eu falei sobre minha passagem pela Califórnia, antes de seguir na estrada rumo ao meu sonho havaiano. Hoje, vou dar continuidade a história desse importante momento da minha vida e mostrar para vocês como foi a emoção de conquistar um dos meus grandes sonhos: minha primeira temporada no Hawaii.
Em 1972, eu estive pela primeira vez no Hawaii. Logo na minha chegada, eu tive o prazer de conhecer três australianos: Ian Cairns, Mark Warren e Peter Towned. Eu acabei dividindo uma casa no north shore de Oahu, mais precisamente em Kamie Land, com eles. Além dos três australianos e eu, o Mark Larmond da África do Sul, e um outro peruano, dividiam a mesma casa em Kamie Land. Foi uma experiência muito boa pra mim, foi uma honra poder conviver diariamente com uma galera internacional. Foi quando eu me dei conta de que o surf já era de fato um esporte internacional, e que não estava limitado apenas ao Hawaii, a Califórnia e ao Brasil. Naquela época, o surf já havia se espalhado por quase todo o mundo.
Quando cheguei ao Hawaii, eu tinha apenas uma prancha Bahne 7’2””, que obviamente ficou muito pequena nas ondas de Sunset; ou seja, eu estava com o equipamento errado. Logo na minha primeira caída em Sunset, ainda sem cordinha, eu acabei perdendo a prancha lá fora. Quando eu estava voltando remando pelo canal vi uma prancha boiando e, como estava passando o maior sufoco, acabei usando aquela prancha pra escapar da correnteza. Quando cheguei na areia tinha um cara gigante me esperando, disposto a me encher de porrada, mas eu expliquei pra ele o que tinha acontecido e nós acabamos ficando amigos.
Eu dropando Sunset antigamente. Esse sempre será um dos meus picos preferidos.
Uma outra passagem interessante nessa minha estréia nas ondas havaianas foi a final do Smirnoff, que eu assisti em Haleiwa. Eu me recordo que entre os finalistas estava o Eddie Aikau, o Paul Nielsen e o Paul Strauch, três dos melhores surfistas da época. Durante o campeonato os caras surfaram umas ondas que eu nunca tinha visto na vida. Haleiwa parece uma onda fácil, principalmente quando você fica olhando da areia, mas quando a gente chega lá fora se toca que a realidade é outra.
Eu também me lembro que eu entrei pra surfar no intervalo entre a semi-final e a final, e acabei tomando uma série gigante na cabeça, perdendo a prancha lá fora e passando mais um sufoco. Eu tinha apenas 20 anos de idade naquela época e ainda era um garoto inexperiente. Portanto, aquela foi mais uma lição que eu tomei no meu primeiro inverno no Hawaii. Aquilo foi um aviso para eu aprender a respeitar ainda mais as grandes e poderosas ondas havaianas.
Eu curtindo as famosas ondas de Pipeline.
O Eddie Aikau e o Paul Nielsen surfaram muito durante a final e deram uma verdadeira aula de surf em ondas grandes para todos que estavam na areia assistindo o campeonato. O Paul Nielsen acabou vencendo a final, deixando o Eddie em segundo lugar.
Esta minha primeira viagem para o Hawaii foi fundamental na minha carreira como surfista e fabricante de pranchas. Na minha volta ao Brasil, eu trouxe um know how, que quase ninguém tinha, além de vários materiais, que ainda não existiam por aqui. Um exemplo disto, foram os pigmentos, as fibras de vidro, as caixas de quilha e as rabetas swallow, uma das grandes novidades da época. Eu me recordo que o Ben Aipa era considerado o melhor shaper havaiano da época e alguns dos melhores surfistas, como o Larry Bertleman, usavam suas pranchas com rabetas swallow. Tinha até uns malucos que chegavam ao cúmulo de serrar as rabetas diamond das suas pranchas pra transforma-las em swallow.
Quando voltei para o Brasil, eu trouxe uma swallow e acabei sendo o primeiro shaper a fabricar uma prancha com este tipo de rabeta aqui no Brasil. Enfim, esta minha primeira viagem pra fora do Brasil abriu as portas e a cabeça para o que estava acontecendo com o surf em volta do mundo. Graças a essa viagem, eu compreendi que para continuar evoluindo como surfista e shaper teria que fazer outras viagens para me inteirar das novidades, tanto dentro, quanto fora d’água. Desde então, eu não parei mais de viajar, e até hoje, eu faço uma peregrinação anual ao Hawaii, o porto da verdadeira Meca do surf mundial. Lá é onde você encontra os melhores surfistas e os principais personagens do mundo do surf desde sempre.
Quero deixar aqui, um grande abraço a todos os amigos, que fiz ao longo desses anos durante essas viagens e a toda comunidade havaiana, que sempre me recebeu muito bem em quanto estive em sua terra abençoada e que eu tanto respeito.
Boas Ondas e até breve,
Rico de Souza
Antes do Hawaii, escala nas ondas da Califórnia
Aloha Amigos,
Hoje, eu vou aproveitar este espaço para contar um pouco mais sobre a minha história do no mundo do surf. Desta vez, vou levar vocês direto para a minha passagem pelas ondas da Califórnia, antes de finalmente conquistar meu sonho de dropar as sonhadas ondas havaianas. Califa marcou minha trajetória e me ensinou muitas coisas sobre correr atrás dos meus sonhos. Espero que todos viagem comigo de volta ao passado e aproveitem de alguma forma, as boas experiências que vivi neste período.
Como todo surfista, meu grande sonho sempre foi conhecer o Hawaii. Hoje, esse desejo entre a nova geração, talvez divida espaço com outros lugares mágicos do surf, que estão espalhados pelo mundo; como as Mentawaii na Indonésia, Austrália, Tahiti, África do Sul, México, Peru, entre tantas outras ondas perfeitas. Mas no meu tempo, o maior sonho do surfista era conhecer o North Shore, e comigo não era diferente.
Mas para chegar lá, era difícil naquela época. Eu era jovem e não tinha dinheiro para uma viagem internacional, mas mesmo assim, eu estava longe de desistir daquele sonho havaiano.
Pipeline quebrando: meu sonho havaiano
Em 1972, eu havia ganhado o campeonato brasileiro em Ubatuba. O título foi disputado na Praia Grande, numa época em que o surf brasileiro era muito competitivo e havia excelentes surfistas. Apesar do campeonato ter sido disputado no estado de São Paulo, a final foi disputada por seis surfistas cariocas. Naquela época o surf brasileiro estava concentrado no Rio, enquanto o surf paulista estava começando a aparecer. Este campeonato de Ubatuba foi o primeiro de nível nacional, quando conseguimos reunir surfistas de diferentes estados do Brasil.
Eu no meu fusca azul em 1972 - Campeonato que venci em Ubatuba
Depois dessa minha vitória, o meu desejo em conhecer o Hawaii aumentou. Naquela época, o mundo parecia muito maior e as distancias eram grandes. Do Brasil até o Hawaii, era uma viagem de meio mundo, mas mesmo assim, eu sonhava com ela. Naquele ano, seria realizado um campeonato mundial na Califórnia, e eu, como campeão brasileiro, também queria muito participar. Meu prêmio pela vitória em Ubatuba foi uma passagem para o Peru, mas eu queria mesmo eram as ondas tão famosas do North Shore. Com a grana curta, sem conhecer ninguém e sem falar inglês, não seria fácil realizar o sonho de conhecer o Hawaii.
Eu sempre fui uma pessoa que batalhou muito para alcançar os objetivos, com muita garra e vontade de vencer. Então, como eu estava determinado a realizar meu sonho de surfar no Hawaii, acabei indo ao programa do Flavio Cavalcante, que se chamava “O céu é o limite”, para tentar conseguir uma passagem. Eu nunca tinha ido a um programa de televisão e me lembro que no dia da gravação eu estava doente, com muita febre. Mas mesmo assim, eu fui ao programa e acabei conseguindo a passagem. Um fato curioso foi que neste mesmo programa, eu acabei encontrando e conhecendo o Pelé, que estava lá como um dos convidados. O Pelé já tinha marcado seu milésimo gol e era o maior ídolo do Brasil naquela época.
Com a passagem na mão eu embarquei para o Hawaii com direito a uma escala na Califórnia. Aproveitei a chance para conhecer as ondas da Califa. Quem me ajudou muito nessa minha passada pela Califórnia foi o Russel Coffin. Ele tinha um amigo que morava lá e eu acabei ficando hospedado na casa dele. Mas para minha surpresa, o amigo do Russel morava há umas duas horas da praia e como eu não falava inglês, nem tinha dinheiro pra alugar um carro, minha aventura não começou fácil. Eu tive que dormir na garagem e sofrer diariamente pra chegar até a praia, mas nada disso me desanimou e eu me senti realizado só pelo fato de poder estar na Califórnia. A possibilidade de conhecer um lugar novo, pessoas diferentes e, acima de tudo, aprender uma nova cultura me admirava, tanto em com relação ao surf ou à vida.
Quando eu cheguei na Califórnia ninguém conhecia o Brasil direito. Os americanos não tinham idéia nem de onde ficava direito o Brasil, no máximo sabiam um pouco sobre a América do Sul e a Amazônia. Eu tive muita dificuldade para conseguir me inscrever no campeonato, mesmo sendo o campeão brasileiro. Foi nesta viagem, que eu tive a oportunidade de conhecer o Randy Rarick, que até hoje é um grande amigo meu. Competi contra o Mark Richards na minha primeira bateria e consegui me classificar. Outro surfista que eu consegui derrotar foi o Andrew Mackena, que anos mais tarde, num campeonato de longboard que disputamos juntos, veio me lembrar que nós havíamos competindo juntos no mundial de San Diego. Um outro surfista que me impressionou muito foi o David Nuhiwa, que surfava com uma fish e arrepiava geral. Mas a verdade, é que eu acabei me decepcionando com a qualidade do surf na Califórnia. A água fria e as ondas pequenas não eram nada do que eu havia imaginado da Califa naquela época.
Randy, eu e Fred Hemmings: amizade selada de anos de surf
Mark Richards foi meu adversário na primeira bateria do campeonato na Califórnia.
De qualquer maneira, eu acabei fazendo boas amizades na Califórnia. Entre outras pessoas, eu conheci o Mike Doyle e o Gordon Clark, dois caras que estavam anos na frente do resto da rapaziada. Acabei trabalhando pro Bill Bahne, fazendo quilhas e outros trabalhos na oficina, que ele tinha em Encinitas. No final das contas, minha viagem para a Califórnia foi muito positiva com relação a negócios, mas eu não consegui pegar aquelas ondas perfeitas, que eu tinha visto nas revistas de surf. Antes de mim, o único brasileiro que tinha visto a quantas andava a indústria de surf na Califórnia, foi o Tito Rosemberg, que trabalhou com alguns fabricantes americanos e voltou para o Brasil para fabricar as melhores pranchas da época.
Mesmo sem as ondas dos sonhos da Califórnia, eu soube aproveitar bem minha passagem pela região e trouxe fortes experiências dessa escala em território americano, que contaram muito para minha formação dentro do mercado do surf. Mas apesar de ter adorado minha temporada lá, minha cabeça continuava fissurada nas morras havaianas e depois de não ter conhecido as perfeitas ondas da Califa, mais ainda, eu tinha vontade de conhecer o Hawaii. Então, arrumei as malas e continuei minha viagem...
Boas Ondas e Até Breve,
Rico de Souza
PIER : Um oásis de liberdade em plena ditadura militar
Aloha Amigos,
Nas últimas semanas, eu tenho estado com um sentimento saudosista dos bons tempos em que eu surfava na zona sul. Longe de mim, desmerecer minhas queridas ondas da macumba, mas é que aqueles tempos realmente marcaram a minha trajetória. Hoje, resolvi voltar a falar sobre o Píer de Ipanema, que marcou toda uma geração de surfistas no Rio de Janeiro e que sempre renderá boas pautas para ser contada neste espaço. Então, vamos às boas e saudosas lembranças.
O Píer foi um momento muito especial para o surf brasileiro. Antes do Píer, todo mundo surfava em Copacabana e no Arpoador, os dois picos mais constantes do Rio, no final dos anos 60. Creio que eu fui um dos primeiros a surfar no Píer em 1972, junto com o Mudinho e o Daniel Sabá.
Eu me lembro que nós fomos cair no Píer mais atraídos pela novidade de um pico diferente, do que pelas ondas em si, pois quando surfamos pela primeira vez lá, o fundo ainda não havia se formado. Só depois que foram fixadas as cortinas de ferro na base dos pilares, que as melhores ondas começaram a quebrar. 
Estas cortinas impediam que o fluxo de água e de areia seguisse seu curso natural em direção ao Arpoador; fazendo com que a areia ficasse depositada na base dos pilares e formando um banco de areia, que tornava as ondas melhores e mais tubulares.
O Arpoador foi quem pagou o preço. Pois como a areia não seguia mais até o pontão, o fundo do Arpoador deixou de existir e as ondas pararam de quebrar como antes. Enquanto isso, no Píer, as condições melhoravam diariamente graças a quantidade de areia que não parava de ser depositada nos arredores das pilastras. Nos dias de swell de leste, as esquerdas do lado direito do Píer eram as melhores ondas do Rio. Enquanto nos dias de sudoeste, as direitas do back door, que quebravam no lado esquerdo do Píer, arrebentavam com muita força, lembrando as ondas havaianas.
Eu também me lembro de um dia de surf no back door, que ficou marcado na memória de todos nós. Eu, o George Prytman, o Cadinho e o Ceceu surfávamos ondas super tubulares, que quebravam em frente às pilastras, quando um a um de nós fomos perdendo as pranchas, que foram parar no meio das pilastras.
Naturalmente, o Píer acabou se tornando a praia da moda no Rio no início dos anos 70. Primeiro foram os surfistas, depois as gatinhas dos surfistas e, em seguida, os gays e os doidões. Nós, surfistas, fomos atraídos pela qualidade das ondas, as gatinhas vieram atrás da gente e o resto...bem, o resto é história. O fato é que o Píer se tornou um local onde se respirava um clima de liberdade em plena ditadura militar. Onde tudo, ou pelo menos quase tudo, era permitido.
O Píer tinha grandes personagens. Gente que marcou época. Seja como surfista ou como formador de opinião. Um destes grandes personagens foi o Petit, o verdadeiro “Menino do Rio”. Um grande surfista e um sujeito muito boa pinta, que deixava as menininhas loucas por ele. Mas acima de tudo, o Petit era um ótimo amigo e muito querido por todas as tribos que freqüentavam o Píer. E olha que era muita gente diferente. Entre os artistas e intelectuais, eu me lembro do Gilberto Gil, da Gal Costa, da Maria Bethânia, do Caetano Veloso, do Gabeira...ou seja, a nata da intelectualidade e da vanguarda da época freqüentava as areias do Píer.
O Píer durou poucos anos. Nós começamos a surfar em 1971-72 e em maio de 1975 foram retiradas as últimas estacas. Ou seja, em apenas 3 anos o Píer se transformou num marco da história da juventude carioca. Um lugar que nunca mais vai sair da memória de quem viveu aqueles tempos.
Foi no Píer que eu conheci um moleque loirinho e destemido, que dava show de surf nos dias grandes. Seu nome era Pepê e ele viria a ficar conhecido em todo o mundo pela sua coragem e espírito competitivo. O Pepê era um competidor nato. Daqueles predestinados a vencer, independente do esporte. Ele foi campeão de hipismo, de surf e de vôo livre. Mas sua fama começou a crescer no Píer, onde ele era local e dominava os dias grandes, principalmente as esquerdas. Eu me orgulho em dizer que fui o primeiro patrocinador do Pepê.
Enfim, o Píer marcou uma época como um lugar onde a contra cultura encontrou as condições perfeitas para proliferar. O ar de liberdade e a comunhão de diferentes tribos transformaram o Píer num território livre. Onde, apesar da loucura que rolava, existia um respeito entre as pessoas que freqüentavam aquele trecho da praia de Ipanema, entre a Teixeira de Melo e a Farme de Amoedo.
Para quem quiser conhecer um pouco mais sobre o Píer de Ipanema e a contracultura da época visite um site dedicado inteiramente sobre o assunto: www.pierdeipanema.com.br
Boas Ondas e até breve,
Rico de Souza
TAIU, O HERÓI DO SURFE BRASILEIRO
Aloha amigos,
Primeiramente gostaria de me desculpar por ter estado ausente na última semana, espero não ter deixado ninguém com saudades das minhas histórias do mundo do surf. Mas foi por um bom motivo, além de estar viajando a negócios, estava preparando novos conteúdos para publicar aqui no Blog. Aproveitem mais um mergulho na trajetória do surf, que hoje traz um personagem muito especial: nosso grande herói do surf brasileiro Taiu Bueno.
Para aqueles que não conhecem o surfista Octaviano “Taiu” Bueno, ou para aqueles que só ouviram falar, hoje, terão a chance de aprender um pouco sobre a brilhante trajetória na carreira de surfista profissional e o porque desse cara ser um dos maiores exemplos do surf brasileiro. Com vocês um pouco da história do nosso querido Taiu!
Antes de começar minha narrativa, gostaria de falar sobre o porquê dessa minha escolha hoje. No último evento que eu realizei em Santos, o Earthwave, nós tivemos a ilustre presença do meu querido amigo Taiu comentando tudo que estava rolando no evento, uma função que só quem é bamba merece. Também fiquei sabendo que ele esteve na 4a etapa do SuperSurf em Maresias analisando as atuações dos atletas no último dia de competição. Daí, me veio a lembrança que ainda não tinha contado a trajetória desse ícone do esporte no país, então, me inspirei e tentei resgatar algumas fotos antigas, para que vocês mergulhem em mais uma história importante do nosso surf.
Octaviano “Taiu” Bueno nasceu em São Paulo, em 1962. Ele começou a surfar aos 11 anos na Praia de Pitangueiras, no Guarujá, com uma prancha de isopor. Aos 13 anos, ele teve seu primeiro contato com o arquipélago havaiano através de uma viagem com seu avô; já aos 20 anos, ele trocou sua vida no litoral paulista pela Praia de Waikiki e pelas competições do Circuito Mundial de ASP.
No final da década de 80, eu e o Taiu nos tornamos companheiros de equipe pela SeaClub. Nessa época eu ainda era patrocinado pela empresa Alpargatas, que investia nessa equipe de grandes nomes do esporte no país. Todos éramos bons amigos e naquela época nossa vida era o surf de competição ainda. Mas o Taiu sempre foi um cara que mereceu destaque dentro d’água, ele é um dos maiores surfistas que já conheci. Em inúmeras vezes que fui ao Hawaii, até hoje, nunca vi ninguém quebrar Sunset como ele, nos dias clássicos.
Ele foi apontado por vários havaianos, como o próprio Dennis Pang, e profissionais do esporte, como um surfista brilhante e talentoso. Realmente, ele foi consagrado um dos melhores do mundo. Taiu é o tipo do cara que tem a profunda admiração de todos dentro e fora d’água.
Taiu em dezembro de 1990, um pouco antes de sofrer o acidente.
Em novembro de 1991, ele sofreu um acidente enquanto surfava na Praia de Paúba, no litoral norte paulista, uma onda mal completada resultou na paralisia dos membros abaixo do pescoço, deixando o grande Taiu longe das ondas.
Eu me lembro bem desse período, eu estava surfando pela Sea Club no Guarujá, e o mar estava quase flat e todos reclamavam das condições. De um dia para o outro, o mar ficou gigante, com ondas de 10 a 12 pés, talvez a até maiores quebrando lá fora e enormes. Assim, estava por quase todo o litoral norte paulista. O Taiu foi surfar na Praia de Paúba, que era maior quebra-coco. Acostumado com as ondas havaianas, ele era um surfista casca-grossa e não fugia tão fácil daquelas condições. Mas infelizmente, a natureza ditava o jogo e aquela onda mudou para sempre a vida desse grande surfista de alma guerreira. O episódio chocou a comunidade do surf internacional e causou uma grande perda para o esporte.
Após se recuperar do acidente, Taiu mostrou continuar sendo um cara casca-grossa, e se a partir daquele momento não podia mais seguir sua carreira de surfista profissional, ele provou, que mesmo assim, seguiria dedicando sua vida ao esporte que ele tanto amava. Depois de sete anos vivendo em uma cadeira de rodas, ele preparou seu livro com todo o coração, contando pensamentos e episódios selecionados de sua trajetória, em forma de crônicas, dando uma enorme lição de vida. Daí em diante, Taiu dedicou-se a escrever para vários veículos de comunicação especializados no Brasil e no mundo, além de dar palestras sobre o esporte, fazer locução e análises de importantes campeonatos.
O livro dele, chegou a virar peça de teatro, e suas contribuições para o esporte seguem firmes até hoje.
Capa do livro de Taiu
Poucas pessoas sabem, mas eu tenho uma relação muito forte com o Taiu e um respeito enorme por esse ícone do surf brasileiro. Ele é um verdadeiro exemplo de valorização da vida, por ele ter tido força para vencer todas essas dificuldades e continuar sendo para o surf nacional o cara casca grossa de sempre. Assim como o Eddie Aikau é no Hawaii, o Taiu, aqui, pode ser considerado nosso herói do surf brasileiro.
Queria deixa aqui os maiores e mais rasgados elogios a ele e a tudo que ele representa para surf. Uma pessoa que me remete a momentos de muita emoção e que só de falar na história de vida dele, já me emociona, pois é um cara que todos devem tirar o chapéu. Deixo aqui um grande abraço, em meu nome e no nome de todos os surfistas brasileiro, que eu tenho certeza, que sentem a mesma admiração por ele... Taiu um abraço, meu grande vencedor... Aloha!
Boas Ondas e Até Breve,
Rico de Souza
SURF BRASILEIRO ENTRA MAIS UMA VEZ NO LIVRO DOS RECORDES
Aloha amigos,
É com muita alegria que hoje faço este post no blog. Acabei de voltar de Santos e muito satisfeito com o sucesso do Earthwave Festival de Surfe EcoRodovias.
O público compareceu em peso ao evento e lotou o Quebra-Mar de Santos. Todas as atrações propostas pela organização foram um verdadeiro sucesso e mais uma vez conseguimos colocar o Brasil no Guinness Book, garantindo o recorde de maior número de surfistas descendo a mesma onda, desta vez com 84 surfistas.
Além de reunir a comunidade do surf em prol de uma causa tão importante, que é o combate ao aquecimento global e a favor da preservação da natureza, o público presente pôde assistir a apresentações de stand-up surfing e canoa havaiana, além do campeonato de longboard e remada, e a tentativa da quebra do recorde, que tirou o fôlego da galera que vibrava junto com os participantes.
Marcelo Freitas vibra após vencer o campeonato de longboard e as apresentações de canoa havaiana e stand-up surfing animaram a galera.
Mas o mais emocionante durante todo o evento foi a energia que todos transmitiam, eram momentos de alegria e confraternização entre pessoas que amam a mesma coisa: o surf e a natureza. Desde o público, os atletas, o staff, os patrocinadores e organizadores; todos vibravam pelo mesmo motivo, o que resultou num sucesso total.
Grandes nomes do esporte prestigiaram o evento como Phil Rajzman, Picuruta Salazar, Carlos Bahia, Danilo Mullinha, Marcelo Freitas, que faturou o campeonato profissional em Santos, entre tantos outros talentos do longboard profissional brasileiro. O evento também contou com a presença dos pioneiros do surf santista, o ator e surfista Kadu Moliterno, o memorável surfista Taiu e uma das lendas vivas do surf santista, o americano enraizado em Santos, Tomaz Rittscher.
Phil, eu, Tomaz e Picuruta na primeira foto, e eu e Tomaz entre os pioneiros de Santos.
Tomaz se mudou para Santos com apenas 10 anos e sempre foi um apaixonado declarado pela exuberante paisagem litorânea brasileira. Na adolescência ele começou a desenvolver sua relação de amor com o mar, e ainda no final dos anos 20, conseguiu pegar sua primeira onda na Praia do Gonzaga. Ele mesmo fabricou a prancha de madeira baseada na planta de Tom Blake. Confira a entrevista no hotsite do evento!
Foi uma honra muito grande poder ver tantas gerações do longboard brasileiro juntas no Quebra-Mar e abraçando uma causa tão importante. A nova geração está mostrando força e defendendo a bandeira de um surf positivo, unido e consciente. É muito prazeroso poder ver que as sementes plantadas por muitos surfistas que deram o ponta pé inicial no esporte, aqui, no Brasil, estão rendendo bons frutos e plantando novas sementes. Assim, o esporte só tem a crescer.
Outro momento emocionante no evento foi a tentativa da quebra do recorde mundial, que propunha colocar o maior número de surfistas descendo a mesma onda. Foram no total nove países participando da tentativa do recorde: Brasil, Argentina (La Paloma,Mardel Plata); Austrália (Middleton, Adelaide); Inglaterra (Fistral Beach,Newquay); Portugal (Guincho, Estoril); Ilhas Reunião (Trois Bassins, St Gilles); África do Sul (Muizenberg, Cape Town); Taiti (Taharuu Beach); Estados Unidos(Surfside Beach, Texas). E mais uma vez, escrevemos o nome do nosso país na história do surf internacional, garantindo 84 surfistas descendo a mesma onda no Quebra-Mar.
Festa do longboard na tentativa da quebra do recorde.
Desta vez, foram cerca de 120 surfistas participando e eu também participei. Antes da tentativa tivemos um momento de muita comoção, formamos um círculo no outside (como é tradicional na cultura surf) e rezamos pelo nosso saudoso Olimpinho, pelas vítimas do acidente da TAM, além de pedir boas vibrações para a tentativa. Parece que ouviram nossas preces! E em clima de muita brincadeira, mais uma vez conseguimos superar limites e mostrar que o esporte brasileiro tem valor. Pranchinha, longboard, stand-up e canoa havaiana se reuniram na mesma onda em prol de uma bem maior. Esse é o nosso esporte, esse é o nosso Brasil!
Gostaria de agradecer todos os participantes, ao pessoal que trabalhou no evento e cada pessoa que abraçou a causa que queríamos defender ali. Até a próxima!
Boas Ondas
Rico de Souza
Preserve a natureza começando pela a Praia
Aloha Amigos,
Estou postando diretamente de Santos, ontem, demos início as atividades do Earthwave Festival de Surfe EcoRodovias, com o campeonato de Longboard EcoRodovias Pro / Am.
Tudo está correndo muito bem e todos parecem ter realmente incorporado o espírito do evento: a luta à favor do meio ambiente.
Eu e os pioneiros de Santos reunidos no Quebra-Mar.
Gostaria de aproveitar o momento para abordar um tema que interessa principalmente a comunidade do surf, ou ao menos, deveria interessar. Há algum tempo, tenho aproveitado este espaço para também falar de meio ambiente, mas nunca dei uma atenção especial ao nosso habitat natural, a praia.
Que não devemos deixar lixo na areia ou poluir o mar, todos sabemos, afinal, não precisa ser surfista para não gostar de praias interditadas para o banho. Mas muitas pessoas não sabem de outro problema que muito influencia na condição natural de nossa orla, que é tão rica e deslumbrante.
O desmatamento da vegetação nativa, típica da orla das praias, está cada vez mais acelerando o processo de erosão do solo e manchando o cenário litorânea. Os maiores predadores são as construções irregulares que destroem essa vegetação, interferindo no ecossistema.
Esse é um problema visível no litoral norte paulista, conforme vocês podem conferir na entrevista com o longboarder e local de Maresias Alex Leco publicada no hotsite oficial do evento. Clique Aqui!
A natureza sente a influência das ações do homem e aos poucos vai dando sua resposta. No Rio de Janeiro, por exemplo, quantas vezes não vimos um mar de ressaca invadir pistas de trânsito ou quebrar partes da ciclovia, ali mesmo, na Praia da Macumba. Só que as pessoas não ficam atentas a essa questão, até perderem muros de suas casas ou seus estabelecimentos.
Pelo menos, nas praias cariocas, ainda vemos algumas pessoas se importando. Eu mesmo desenvolvi projetos de recuperação da vegetação nativa nas praias da Barra e Macumba, onde se localizam a minha escola de surf. Outro nome que posso citar é do Abílio Fernandes, da ABRASP. Ele também sempre ficou a frente dessas ações de recuperação da vegetação nativa. Acho que é por essas devastações devido a ação humana, que existem santuários ecológicos como a Prainha e o Grumari, que são protegidas de construções. E nós, surfistas de alma, devemos ficar agradecidos por isso.
Eu em frente ao primeiro canteiro permanente de restauração da vegetação nativa, em frente ao Rico Point, na Praia da Macumba.
Por isso, quero alertar a toda tribo do surf sobre a importância de descruzarmos os braços e lutarmos pelo nosso planeta.
A hora é agora! E devemos começar por onde nós mais amamos: a praia. Seja com campanhas de conscientização ou um simples bate papo com um amigo dentro d`água. O importante é fazer parte desse time e começar a mudar a cara do nosso planeta água.
Mude de atitude você também e abrace esta causa, a Terra agradece! Aproveito para convocar todos os surfistas para comparecer amanhã no Quebra-Mar, em Santos, para participar do dia oficial do evento, o qual haverá a tentativa da quebra do recorde.
Vamos reunir nossas energias dentro d`água e proteger a natureza! Aguardo vocês lá!
Boas Ondas e até breve,
Rico de Souza
1983: Julgando Pipeline Máster de camarote
Aloha Amigos,
Hoje, vou aproveitar para falar sobre um momento muito especial que vivi na minha longa estrada pelos caminhos do surf. Uma oportunidade ímpar que conquistei após ser juiz em um campeonato na África do Sul.
Em 1983, eu tive a oportunidade de julgar o Guston 500, na África do Sul, e fiz um bom trabalho naquele momento, na qual pude julgar grandes nomes do surf internacional como Tom Carol e Tom Curren na mesma bateria. Foram grandes baterias, que só reuniam os tops do ranking profissional da época, na famosa Praia de North Beach, em Durban.
A estrutura do palanque dos Juízes naquela época ainda era muito diferente das atuais. Hawaii - dezembro de 1983 - Pipeline.
Devido a esse trabalho, eu fui convidado pelo Randy Rarick, que naquele período era presidente da IPS (a atual ASP), para julgar o Off Shore Contest, que era o Pipeline Máster da época. Fiquei lisonjeado e muito empolgado com a proposta. Para mim, era um desafio muito grande, pois o grau de dificuldade no julgamento era bem maior. Afinal, era a grande etapa que todos esperavam, grandes nomes se reuniam na água, e ainda havia a pressão dos havaianos na época. Nós tínhamos que estar preparados para fazer um bom julgamento, pois era o evento mais importante da temporada. O circuito não era como hoje em dia, mas já se dava para imaginar que alguns novos talentos iriam ajudar a escrever a história do circuito profissional mundial de surf.
Eu no canto direito no palanque dos juízes, no Off Shore Contest, Hawaii, 1983.
Pipeline sempre foi uma onda espetacular e palco para as melhores disputas do circuito profissional. Grandes duelos já foram selados nesse grande anfiteatro do surf, baterias que entraram para sempre na história do surf internacional. Aí, nesse dia, o mar estava clássico com 8 a 10 pés, e foi muito interessante ver todo esse espetáculo de perto; podemos dizer assim, de camarote!
Galera reunida, na foto, os que identifiquei foram: Warren, Fred Haminnings e Bernie.
Nessa ocasião, eu estava julgando as finais do Pipeline Máster de 1983. Essa realmente foi uma experiência inesquecível na minha carreira como surfista, bem inédita na minha vida e que valeu para o meu currículo. Foi um grande orgulho para mim, poder estar entre a elite de todos esses juízes e participar do evento. Mais um dos memoráveis momentos da minha história no esporte.
Boas Ondas e até Breve,
Rico de Souza
Rico de Souza nasceu em junho de 1952, no Rio de Janeiro. Com mais de trinta anos de surfe, ele faz parte da Comissão Nacional de Atletas e ganhou o título de Embaixador do Surf Brasileiro. Rico conquistou seis vezes o título nacional, três deles na categoria pranchinha (1969 / 72/ 73), e os outros três na categoria longboard (1987 / 88/ 89), além do vice-campeonato mundial amador de longboard em 1988 e no Circuito Mundial de Longboard da ASP em 1989.O surfista e empresário contribuiu com iniciativas pioneiras no país. No início dos anos 90, Rico inaugurou a primeira escola de surf do Brasil, que está em funcionamento até hoje, além de promover o Campeonato Brasileiro de Longboard desde 2002.