Campeonato Magno: minha primeira competição
Aloha Amigos,
Mais uma vez, vasculhando meus arquivos de fotos, eu consegui achar fotos incríveis do primeiro campeonato de grande porte que eu competi e fui campeão no Rio de Janeiro. E já que estou com esse material separado, resolvi contar um pouco mais sobre essa história para vocês.
Esse foi o Campeonato Magno, que foi o meu primeiro campeonato. O Magno foi pioneiro ao abrir uma loja de surf no Brasil. Ele influenciou toda a cultura de praia daquela época, que se concentrava muito ali, na zona sul carioca. A loja ficava em Ipanema, na Rua Francisco Otaviano. Ele era um cara que enxergou à frente e impulsionou o esporte com todas essas novidades. Isso foi no ano de 1969/70 e eu tenho memórias espetaculares desses bons tempos.
Na época, o surf tinha um potencial enorme como a grande novidade do momento e chamava a atenção de toda a população carioca. Na foto abaixo, se repararem, o palanque era uma pequena, ou melhor, uma simbólica estrutura, e reuniu milhares de pessoas curiosas para assistir aquela interessante disputa.
Os cariocas lotaram a praia de Ipanema para conferir o campeonato, que na época era novidade. Foto: Alexandre Koester
Mesmo com o palanque pequeno e apenas com uma cobertura, a praia estava totalmente cheia. A cultura surf era tão forte e crescia tão rápido, que todos que moravam próximos à praia prestigiavam o campeonato e proporcionavam esse incrível espetáculo de demonstração do estilo de vida carioca, sempre apoiadora do esporte. Hoje em dia, mesmo com grandes eventos promovendo o surf pelo Brasil a fora, você não vê essa galera toda como se fosse um formigueiro. O público continua apaixonado e comparece aos eventos, é claro, mas naquele tempo, tudo era novidade, e até quem não entendia direito quem eram aqueles malucos sobre as ondas, paravam para assistir o campeonato.
Então nessa final, eu fui o campeão, também estavam na disputa o Betão, Marquinhos Berengue e mais outro finalista, que não consigo me lembrar. Mas o mar no Arpoador estava espetacular, em um dia clássico de ondas incríveis. Na época, já existiam as pranchas pequenas, mas ainda surfávamos de monoquilhas.
Nessa próxima foto, eu estou em uma bela direita de frontside, uma das boas ondas que peguei e que me garantiram a vitória naquele dia, apesar dos grandes oponentes que eu tinha naquela bateria.
Uma das minhas direitas clássicas da vitória. Foto: Alexandre Koester
O Magno foi o primeiro cara a ter essa visão de patrocinar um campeonato de surf aqui no Rio, abrir uma loja de surf e incentivar a cultura de praia, que enraizou na vida do carioca naquela época. Eu tenho um profundo respeito por ele.
Quando eu ganhei esse campeonato, acabei ganhando como premiação uma passagem para o Peru. E essa, acabou sendo minha primeira viagem internacional. Eu queria aproveitar para deixar aqui um abraço especial para o Magno e agradecer a ele por todas as colaborações que ele proporcionou ao surf.
O Magno me entregando a premiação e o Maraca ao meu lado. Foto: Alexandre Koester
Anteriormente, eu cheguei a competir em campeonatos amadores e de pequeno porte, em 1967, no Guarujá, mas esse foi o primeiro grande campeonato, que oficialmente, marcou a minha história como surfista profissional e de competição.
A cultura surf naquela época tinha um caráter bem forte, pois as roupas eram personalizadas, a maioria tinha cabelos compridos. Essa época deixa boas recordações e muita saudade!
Boas Ondas e até breve,
Rico de Souza
Minha segunda viagem para a África do Sul
Aloha Amigos,
Aproveitando que já havia começado a contar algumas histórias das minhas viagens à África do Sul, decidi dar seqüência ao assunto, já que achei mais algumas fotos interessantes daquela época.
A minha primeira ida ao território africano foi em 1976, junto com o Randy Rarick, Bary Kanaiapuni e Owl Chapman, nós visitamos Jeffreys Bay, e eu competi pela primeira vez o Gunston 500. Essa experiência foi espetacular e memorável na minha vida.
Mas a segunda visita foi mais especial ainda, pois eu fui com vários amigos brasileiros. Nesta visita, em 1977, estavam em J-Bay comigo, o Bocão, o Flávio da Brasil Surf, o Maraca e o Daniel Friedmann. O Daniel na época representava a nova geração, surfando muito bem. Nós fomos novamente para competir no Gunston 500, em Durban, e depois dirigimos até Jeffreys Bay, então, foi muito interessante porque a gente teve a chance de conhecer toda a cultura sul-africana.
Nossa empreitada para cruzar de Durban à Jeffreys Bay
Naquela época, a realidade era muito diferente de hoje em dia, porque ainda se vivia o Apartheid, então, era uma época de desigualdade e preconceito latente com as pessoas negras. A minoria branca de influência européia estabelecia um regime de segregação social desde o fim da década de 40. Os povos sul-africanos, em sua maioria de pessoas negras, tinham até mesmo que utilizar de ônibus especiais, banheiros e restaurantes, que os distanciassem do convívio dos brancos. Até nas praias existia esse movimento. Graças a Deus, hoje, já acabou tudo isso, e todos são respeitados igualmente na região.
E essa foto abaixo, eu acho muito interessante para mostrar aqueles tempos. Eu estava num vilarejo, que ficava próximo à estrada que a gente cruzava de Durban à Jeffreys Bay, a Transkei, e que na época não era muito boa. Nós aproveitamos para parar e visitar aquela cultura. Eu e a esposa do Jeff Crawford, um surfista que mora no Hawaii e que foi campeão do Pipeline Master em 1974, estamos no meio de maior galera local da região. Eu tenho ótimas recordações dessa viagem. E com a galera do Brasil, eu nem tenho mais o que falar, essa galera toda reunida representa as primeiras gerações do surf verde-amarelo, como eu, Maracá e Bocão, Flávio da Brasil Surf, que estava a todo vapor, o Daniel Friedmann, que na época era da nova geração. 
Todo mundo brilhou e mostrou um surf incrível lá. É muito bom matar as saudades desse visual bacana, da cultura e relembrar antigos momentos do surf.
Não posso deixar de comentar sobre as direitas de J-Bay, que são espetaculares, mas para surfar lá, é muito importante o surfista estar com um bom equipamento, uma boa prancha, uma boa roupa de borracha, para enfrentar as águas geladas da África do Sul, e desfrutar com plenitude das maravilhosas e longas ondas de lá.
Esta é a foto que comentei na primeira matéria sobre a África do Sul, com minha foto no cartaz.
Eu também me lembro que no caminho nós paramos em East London, que é uma cidade mais abaixo, e pegamos ondas em Nahoon Reef - um pico com direitas que lembram um pouco Sunset, com muita área para manobras e tubos pesados - e em outros picos também, e o interessante é que esse caminho da Transkei tem inúmeros picos, que são banhados pelo Oceano Índico, e que proporcionam ondas incríveis, apesar de ser repleto de tubarões. Então, quando você cai lá, e o crowd é mínimo, tem que ficar atento porque os tubarões ali têm força total.
Boas Ondas e Até Breve,
Rico de Souza
Para sempre lembrar: Paulo Proença, o Ratão
Aloha Amigos,
Neste espaço eu costumo relembrar passagens da minha carreira como surfista, lugares e pessoas que conheci através do surf. Hoje, eu vou falar de um dos mais influentes surfistas brasileiros da década de setenta. Seu nome é Paulo Proença, mais conhecido como Rato.
Pois é, naquela época, o Rato era um dos melhores e mais respeitados surfistas do Brasil. Foi o primeiro goofy footer brasileiro a surfar as longas e geladas direitas de Jeffrey’s Bay, na África do Sul. Eu me lembro como se fosse hoje as linhas, que o Rato desenhou nas paredes de J-bay. Ele parecia praticar um estilo de surf do futuro, pois ele parecia estar há anos na frente dos demais surfistas brasileiros da época. E por isso impressionou até mesmo os gringos.
Paulo Proença e Sérgio Leandro, no Píer de Ipanema, em 1972. Foto: Fedoca/www.pierdeipanema.com.br
Suas performances no Hawaii também entraram para a história. O Rato faz parte de uma geração de surfistas, que revelou alguns dos melhores atletas que o Brasil já teve. Nomes como o de Otávio Pacheco, Bocão, Renan Pitangui e Betão são apenas alguns deles. Graças a estes surfistas, o Brasil começou a ser mais respeitado no exterior, principalmente no Hawaii, onde Rato, Bocão, Otávio, Renan e Betão se destacaram entre os invernos de 1972 e 1976. Quando os brasileiros conquistaram a fama de “Brasil Nuts”, por conta da coragem que exibiam nas grandes e poderosas ondas havaianas.
O Rato chegou a ser reconhecido internacionalmente, principalmente no Hawaii e na África do Sul. Ele tinha prestígio e fazia parte de uma elite da nata do surf no país e no mundo. O Rato sempre foi um cara muito bem relacionado.
Mas o Paulo Proença não dominava só as ondas gringas, em casa ele já fazia a mala há muito tempo. Nos anos setenta era o auge do Arpoador e a cultura surf dominava aquele estilo de vida de quem freqüentava o pico. O Ratão conhecia muito bem aquelas ondas e sempre esperava as melhores da série para mostrar toda sua habilidade sobre as ondas. Ele e o Otávio Pacheco foram os precursores da parafina WAXMATE no Brasil. Segundo o irmão do Ratão, Zeca Proença, postando um comentário no Blog Píer de Ipanema, com as raspas que sobravam da fabricação dessa parafina em Saquarema, a dupla criou a MAGIC WAX, que teve até logomarca desenhada por ninguém menos que meu amigo Evandro Mesquita.
Rótulo da parafina Magic Wax. Desenho foi feito por Evandro Mesquita e a marca da parafina de Otávio Pacheco e Paulo Proença.
Outro pico que o Rato se sentia em casa era Saquarema, ele dominava as ondas de lá como poucos já conseguiram. O estilo dele de backside naquelas direitas permitia manobras incríveis e tubos de matar qualquer surfista de inveja.
Uma outra boa e engraçada, passagem do Rato foi quando ele inspirou o nosso amigo Evandro Mesquita a criar um personagem, que o próprio Evandro interpretou na peça “Trate-me Leão”. Eu me lembro que o Evandro entrava no palco imitando os trejeitos do Rato enquanto segurava uma prancha. O detalhe é que como a prancha “Rico” era uma das mais populares daquela época, a marca da prancha que o Evandro carregava era “Pobre”. Foi uma forma genial que o Evandro encontrou para satirizar a preferência da galera.
Junto com o Rato eu surfei boas ondas em volta do mundo, quando curtimos momentos inesquecíveis em lugares como Hawaii, Saquarema, Píer de Ipanema e África do Sul. São memórias que carrego comigo e que, independente do tempo, estarão sempre guardadas num lugar especial.
OBS: Gostaria também de deixar um Aloha para os idealizadores do Blog Píer de Ipanema, que com seu gênero retrô no faz viver tantas lembranças maravilhosas daqueles anos de ouro do surf brasileiro.
Boas Ondas e até Breve,
Rico de Souza
África do Sul na década de 70
Aloha Amigos,
Nos anos setenta os surfistas sul africanos estavam entre os melhores do mundo. Caras como Joanathan Paarman, Paul Naude e Shaun Tomson são apenas três dos mais lendários.
Parte da costa da África do Sul
Mas não eram apenas os surfistas sul africanos que eram bons. As ondas, lá, não ficavam muito atrás dessa qualidade. Picos como Jeffrey’s Bay passaram a ser mais conhecidos pelos surfistas do resto do mundo, a partir da metade da década de setenta, depois que alguns surfistas da minha geração surfaram ondas longas, geladas e perfeitas em J-bay.
Jeffrey's Bay quebrando clássico
Eu me lembro que na primeira vez que estive na África do sul acabei vencendo um campeonato de remada. Este foi um fato no mínimo curioso. Como eu não tinha uma prancha de remada, acabei improvisando uma espuma de poliuretano e vencendo a disputa.
Os gringos não acreditaram quando me viram chegando à praia com um bloco debaixo do braço. Inicialmente, tive dificuldades para atravessar a arrebentação, mas uma vez lá fora, eu tomei a ponta e acabei em primeiro lugar. Como o bloco boiava mais que as pranchas dos meus adversários, deixei o resto da galera pra trás.
Em Durban, o Shaun Tomson era conhecido como o rei de Bay of Plenty, pico onde rolava o campeonato. Além de excelente surfista, o Shaun era uma espécie de embaixador do surf sul africano. Tube rider de primeira, ele dominava os tubos de J-bay.
Shaun Tomson se tornou uma das lendas do surf sul-africano
Outra figura importante, e muito ativa no surf sul africano da época, era o Peter Burnesss. Um coroa que organizava os campeonatos internacionais na África do Sul. Pai do Michael Burness, aquele surfista que brilhou nos anos oitenta.
Teve até um ano em que uma foto minha foi usada no poster e nos outdoors que anunciavam o campeonato. Quando cheguei à África para disputar o campeonato, fiquei surpreso ao ver minha foto nas ruas. Eram vários outdoors pelo caminho, perto da praia, enfim em muitos lugares. Fiquei orgulhoso quando vi a foto, clicada pelo fotógrafo Gordinho, que mostrava um cut back meu numa direita em Rock Point.
Como eu não sabia de nada, teve gente que me sugeriu processar os organizadores do campeonato por uso indevido da minha imagem. Mas o organizador do evento era o meu amigo Paul Naude, que acabou pagando um cachê simbólico pelo uso da minha imagem. Hoje em dia, o Paul Naude é um dos chefões da Billabong, nos Estados Unidos, e nós continuamos amigos. No surf as amizades valem mais do que dinheiro.
Paul Naude, atualmente, ele é o presidente da Billabong, nos Estados Unidos.
Pois é, muitos anos se passaram desde que estive na África do Sul pela primeira vez. Eu tive a oportunidade de voltar lá outras vezes e jamais vou esquecer dos momentos de curtição que vivi naquela terra.
Boas Ondas e Até Breve,
Rico de Souza
EU E AS MINHAS OFICINAS
Aloha Amigos,
Ao longo de minha carreira como fabricante de pranchas, eu já passei por fases diferentes, quando, o tamanho de minhas oficinas variava de acordo com o volume da minha produção.
Minha primeira oficina foi na casa de um amigo e durou apenas um dia. Os pais dele me expulsaram depois que o cheiro de resina e do catalizador, se tornou insuportável para eles.
Depois tive uma oficina dentro de uma casa de máquinas, onde ficavam os motores do elevador, no prédio de um outro amigo. Esta também não durou muito devido à precariedade das instalações e a um providencial aumento no número das minhas encomendas.
Minha primeira oficina de verdade foi uma que eu montei em Guaratiba. Era um galpão onde eu comecei a fabricar pranchas numa escala profissional. Na época, Guaratiba era um paraíso! Era um pico de altas ondas para onde se mudaram alguns dos melhores surfistas cariocas do início dos anos 70.
Eu na época da minha oficina em Guaratiba.
Penho foi o primeiro a se mudar pra Guaratiba. Aliás, Penho foi pioneiro em vários outros aspectos. Foi o primeiro brasileiro a ir para o Hawaii, em 1969, e o primeiro a trazer uma mini model para o Brasil. Penho foi o pai do surf moderno brasileiro. Mas esta é uma outra história, que depois eu conto.
A oficina que eu tenho as melhores lembranças foi uma que tive no Recreio dos Bandeirantes. Eu a arrendei do Tito Rosemberg, que era um dos melhores fabricantes de pranchas no começo da década de setenta. O grande barato daquela oficina era que ela ficava no caminho do surf, e por isso virou uma espécie de ponto de encontro da galera.
Eu na minha oficina no Recreio.
Tenho boas lembranças daquele tempo. Quando eu fabricava pranchas praticamente em frente à praia e estava sempre de olho no mar. O Horácio (Seixas) foi um dos meus maiores companheiros nesta fase. Ele laminava todas as pranchas Rico, que eram conhecidas pela qualidade de seu acabamento.
Hoje em dia, o Horácio mora no Hawaii, onde se tornou um dos laminadores mais respeitados da indústria havaiana. É isso ai. Tenho muito orgulho do trabalho dele. Um bom amigo e profissional de primeira.
O surf já me deu muitas coisas nesta vida, os amigos são um bom exemplo disso. Afinal de contas, surf e amizade são prazeres que se completam.
Boas Ondas e até breve,
Rico de Souza
Dia mundial do combate a AIDS: a galera do surf abraça essa idéia
Aloha Amigos!
Fugindo um pouco do perfil de posts que costumo publicar no meu blog. Hoje, vou aproveitar esse espaço para tratar de um assunto muito importante para toda a sociedade.
Nesta quinta-feira, eu estive com o big rider Eraldo Gueiros e o longboader Eduardo Bagé gravando uma matéria para o Sportv falando sobre os cuidados que todos devem ter com a AIDS.
Marinho, Eu, Eraldo e Bagé durante a gravação
Nós abraçamos a idéia e resolvemos dropar nessa onda junto com o canal, para transmitir essa mensagem tão importante para todo mundo, mas principalmente para nossos jovens!
Às vésperas do dia mundial ao combate da AIDS, resolvi levantar essa bandeira aqui também, pois um assunto tão importante não poderia ser deixado de lado.
Eu dando o meu depoimento para a matéria
Então galera, deixo aqui a minha mensagem! Use camisinha, pois a AIDS não escolhe cor, raça, sexo, ou religião. Essa é uma doença que mata e que nossas ciências ainda desconhecem a cura.
Vamos nos unir neste sábado por essa causa tão importante! Vamos dar as mãos, sem preconceitos e lutar juntos por informação, solidariedade, respeito, seja às diferenças, a si próprio ou pelo próximo!
Eu gostaria de ver a comunidade do surf unida por mais essa boa causa, seja dentro ou fora d’água, afinal, somos todos iguais e com direitos iguais, principalmente de lutar pela vida!
Bom fim de semana para todos e muita PAZ neste sábado que promete altas ondas!
Boas Ondas,
Rico de Souza
Rico de Souza agradece ao longboard brasileiro
Aloha Amigos,
Mais uma temporada está acabando e com ela a disputa pelos circuitos nacionais e regionais. Neste último fim de semana, também chegou ao fim o Petrobras Longboard Classic. Mais uma vez, a galera do pranchão brasileiro fez um belo espetáculo sobre as ondas da praia da Macumba.
Os três dias de competição foram embalados por altas ondas e por incríveis performances dos nossos talentosos atletas. A torcida estava animada e toda equipe do staff técnico trabalhou duro para que toda a etapa seguisse tranqüila.
A Guinness Expression Session foi a grande novidade desta etapa. Tivemos a oportunidade de assistir um verdadeiro espetáculo de manobras bem executadas por nossos campeões. O Phil acabou levando a bolada de 2 mil reais com duas batidas incríveis e bem finalizadas.
A nova geração do longboard também não decepcionou e mostrou que está pronta para garantir o futuro da categoria no Brasil. O jovem talento Roger Barros conquistou seu primeiro título brasileiro, e em uma dobradinha carioca, a atleta Mainá Thompson também trouxe o caneco novamente para o Recreio dos Bandeirantes.
Roger é o futuro do lognboard brasileiro e comemora seu primeiro título nacional
Eu queria aproveitar a oportunidade para agradecer a Petrobras pelo suporte que vem dando ao surf brasileiro, não só ao longboard, que é um sucesso a cada edição, mas também por apoiar outras categorias como a profissional de pranchinha feminina e masculina.
No longboard é visível o êxito do investimento da Petrobras, pois nesta temporada, tivemos a grande alegria de classificar seis de nossos atletas entre os nove melhores do mundo. Eu acredito que todo o investimento da Petrobras na categoria e no circuito somado ao talento de nossos atletas é o que dá esse resultado magnífico e permite que o pranchão verde-amarelo evolua.
Hoje, muitos de nossos atletas que radicalizam sobre as ondas e demonstram um alto desempenho começaram dar seus primeiros passos nos pranchões através do circuito Petrobras Longboard Classic. A nova geração está tendo a mesma oportunidade e uma safra de novos campeões está sendo formada. O PLC ajuda a desenvolver nossa categoria de base, prepara nossos campeões para o mundial, dá a oportunidade de mostrar o talento dos atletas para novos investidores. Esse é o nosso resultado concreto para tanto sucesso, são seis edições de um grande espetáculo dos pranchões brasileiros.
Mainá Thompson também trouxe o caneco para o Canto do Recreio
Também gostaria de agradecer a Prefeitura, ao Governo do Estado e nossos co-patrocinadores: Oi, Kastrup Carneiro e a Ediouro, que esse ano promoveu a Guinness Expression Session, que premiou o atleta com a manobra mais radical.
Não posso esquecer de agradecer todo o apoio e dedicação do staff técnico e da minha equipe, além dos juizes e do apoio da Abrasp e da Feserj. Sem a colaboração e o empenho de todos nesses seis anos de evento, essa festa do longboard brasileiro não poderia existir.
Eu, Humberto Martins e Picuruta Salazar
Eu comecei a surfar em 1964, em uma época que as pranchas eram de madeira e o surf vivia um outro momento. O surf de competição nem sonhava ser o que podemos ver hoje, e ser surfista profissional não era tão difícil assim. Hoje, o surfista tem que ser atleta e completo, e ainda contar com a mesma dificuldade que tínhamos antigamente de conseguir patrocínio. Felizmente, com os resultados que nossos brasileiros têm alcançado, principalmente no longboard, acredito que este cenário comece a mudar e nossos atletas irão começar a colher os frutos de tanta dedicação ao esporte que escolheram para viver: o apaixonante surf.
Nos vemos na próxima temporada!
Aloha e Boas Ondas,
Rico de Souza
Bate-papo com Randy Rarick, o ícone do surf de todos os tempos
Aloha amigos!
Hoje vou aproveitar este espaço para falar de uma pessoa muito importante na trajetória do surf mundial. Mas nessa postagem, eu vou fazer diferente. Bom, deixe-me explicar!
Na minha última temporada havaiana, eu tive a oportunidade de estar mais uma vez com o meu grande amigo Randy Rarick, que foi um dos pais do surf no Hawaii e do circuito mundial. Procurando outras pautas para o Blog, acabei achando esse bate-papo que tive com ele, pois eu havia gravado na ocasião, e achei que seria interessante mostrar para vocês.
Entre o vai e vem da conversa, falamos sobre o tempo em que nós nos conhecemos, os primórdios do circuito mundial, o surf brasileiro, entre tantas outras lembranças e opiniões que compartilhamos. O Randy teve um papel fundamental para o início do surf de competição e na organização do circuito mundial. Ele e o Fred Hemmings deram o passo inicial na profissionalização do surf, criando o primeiro órgão responsável pelo surf profissional, o que seria atualmente a ASP.
Randy Rarick, eu e Fred Hemmings
Hoje em dia, Randy Rarick continua a todo vapor contribuindo para a história do surf. Ele organiza, atualmente, a Tríplice Coroa Havaiana, que reúne os melhores do mundo na alta temporada em um grande espetáculo do surf mundial.
Confiram abaixo esse bate-papo interessante com esse incrível surfista Randy Rarick.
Rico: Estou aqui com meu velho e bom amigo Randy Rarick. Tudo bem Randy ?
Randy Rarick: Tudo Rico.
Rico : Há quanto tempo você mora no North Shore ?
R.R. : Há 40 anos.
Randy Rarick botando pra baixo
Rico : Como era o surf quando nós nos conhecemos no mundial de surf de 1968, em San Diego ?R.R.: Aquele foi o último campeonato mundial antes do surf profissional decolar. Havia bem menos surfistas naquela época.
Rico : Quanto surfistas você acredita que exista hoje em dia ao redor do mundo ?
R.R. : Creio que nos Estados Unidos deve existir uns 3 milhões de surfistas. Então, no mundo inteiro, devem ser uns 5 milhões de surfistas.
Rico : Qual foi o ano em que nós nos encontramos pela primeira vez na África do Sul, mas propriamente em Jeffrey’s Bay ?
R.R. : Foi em 1975. Na época todo mundo ia para África disputar o Gunston 500 e um outro evento de equipes. Hoje em dia, Jeffrey’s Bay cresceu muito e até sedia uma etapa do circuito mundial. Jeffrey’s está muito diferente daquela cidadezinha adormecida dos anos 70.
Randy Rarick shapiando
Rico : Naquela época o circuito mundial estava limitado a alguns campeonatos no Hawaii, na Austrália e na África do Sul...R.R.: Aqueles foram os primeiros anos do profissionalismo. Quando estava tudo começando. Não havia campeonatos na Califórnia, no Japão, nem na Europa. Então, como a maioria dos surfistas, principalmente os americanos e os havaianos, tinham que passar pelo Brasil na ida e na volta da África do Sul, o Brasil acabou sediando uma etapa do circuito mundial logo nos primeiros anos de existência do evento.
Rico : Nelson Machado foi o patrocinador da primeira etapa do circuito mundial no Brasil.
R.R: Nelson machado era o dono de uma surf shop, em Ipanema, chamada Waymea. E como o campeonato que ele patrocinou oferecia 5 mil cruzeiros de prêmio, o campeonato acabou sendo batizado de Waymea 5000. O que, naquela época, era um bocado de dinheiro pro recém criado surf profissional.
Rico : Em que ano nós estivemos junto com o Rory Russel na Afica do Sul ?R.R: Foi em 1976 quando voltamos da Afirca do Sul. Owl Chapman, B.K. e mais um bando de outros surfistas havaianos. Nós decidimos que seria uma boa idéia ter uma etapa no Brasil.
Eu e Randy na época em que trabalhei na oficina dele de pranchas.
Rico : Tinham mais de 10 mil pessoas na praia do Arpoador assistindo a etapa do circuito mundial de surf...R.R: Eu acho que aquele momento marcou o início do surf profissional no Brasil. O surf profissional ainda estava engatinhando no mundo e aquele campeonato provou que estávamos no caminho certo. Foi um bom início para todos nós.
Rico : Como você vê o crescimento do surf no Brasil ?
R.R: No Brasil, o estilo de vida dos surfistas é muito bem aceito pela sociedade. Além disso, vejo que muitos brasileiros carentes, que não tem uma boa condição social e financeira, estão conseguindo viajar e melhorar de vida através do surf. O surf tem tudo a ver com os brasileiros. Um povo jovem e cheio de energia.
Rico : E o profissionalismo no surf. Você acredita que ele veio para ficar?
R.R: Antigamente não existia o profissionalismo no surf. No começo os surfistas estavam apenas tentando pagar suas contas. Hoje em dia, os surfistas do circuito estão ganhando um bom dinheiro e conseguindo viver decentemente com o que ganham com o surf.
Rico : Hoje em dia dá pra viver sendo um profissional de surf .
R.R: Existem surfistas na Austrália e nos EUA que podem dizer que ganham bem como surfistas e são verdadeiros profissionais. Acho que o Brasil tem tudo para se tornar, cada vez mais, um importante mercado para a indústria do surf.
Rico : Na sua opinião o que falta para que um surfista brasileiro conquiste um titulo mundial ?
R.R: O que falta aos brasileiros é surfar melhor em ondas maiores e mais fortes. Muitos brasileiros são excelentes surfistas nos beach breaks, mas lhes falta experiência e força para se destacar em lugares como o Hawaii. E tem também o problema da língua. Muitos brasileiros não falam inglês e acabam se isolando da comunidade internacional. Creio que os brasileiros devem procurar viajar mais e aprender a falar inglês, para que se sintam mais integrados na comunidade internacional.
Rico : Na sua opinião o que é preciso pra um surfista ter sucesso como profissional?
R.R: Existem alguns surfistas que não são bons competidores, mas que se destacam quando as ondas estão boas. É uma questão de estilo. De qualquer maneira, os surfistas mais jovens, que querem ter uma carreira de sucesso no circuito, têm que surfar bem no Hawaii.
Rico: Você e o Fred Hemmings foram os criadores do circuito mundial.
R.R: Em 1976, eu e o Fred fundamos a IPS e organizamos o primeiro circuito mundial de surf profissional. Nós criamos o circuito com os campeonatos que já aconteciam na Austrália, no Hawaii e na África do Sul. Nos anos seguintes o circuito cresceu sem parar até 1982. Em 1983, a ASP sucedeu a IPS e passou a organizar o circuito mundial. Em 1976, no primeiro ano do circuito, a premiação total da temporada era de uns 35 mil dólares. Hoje em dia, o prêmio total do circuito é de mais de três milhões de dólares. Um crescimento de mais de cem vezes, em apenas 30 anos.
Eu e Randy Rarick
Rico: Você acabou de ser homenageado com um prêmio pela sua colaboração no crescimento do surf. Que prêmio foi este?
R.R: A S.I.M.A. (Surfing Industry Manufacturers Association) é o orgão máximo da indústria do surf. Anualmente eles homenageiam alguns surfistas. No meu caso, recebi um prêmio da S.I.M.A. pela minha contribuição no desenvolvimento do surf em volta do mundo. Algo que me deixou muito honrado e agradecido. Afinal de contas, é bom a gente ser reconhecido pelas coisas que fez.
Rico : Você é um colecionador de pranchas antigas e vem anualmente organizando um leilão de peças antigas.
R.R: A idéia do leilão é oferecer aos colecionadores a oportunidade de negociar seus acervos e conhecer outros colecionadores. Este é um negócio que está crescendo muito e atraindo o interesse de muita gente em volta do mundo. Principalmente dos surfistas mais antigos. Nós temos uma coleção de mais de 100 itens entre pranchas, posters, adesivos, livros e muitos outros tipos de memorabilia do surf. Parte do lucro arrecadado no leilão é doada para causas sociais.
Rico : Entre outras coisas você é o organizador da Tríplice Coroa Havaiana.
R.R: A Tríplice coroa é uma série de 3 eventos que são realizados durante 6 semanas no North Shore de Oahu. Nós fizemos uma pesquisa sobre o impacto da Tríplice Coroa na economia do North Shore e descobrimos que os nossos eventos injetam mais de 3 milhões na economia local.
Rico : O que você gostaria de dizer para encerrar esta entrevista?
R.R: Eu e você nos conhecemos há muito tempo e eu sou testemunha do excelente trabalho que você vem fazendo como um verdadeiro embaixador do surf brasileiro durante todos estes anos. Sempre representando bem os brasileiros e lhes conferindo uma boa imagem perante a comunidade internacional.
Boas Ondas e até breve,
Rico de Souza
Mick Fanning leva o título mundial para a Austrália
Aloha Amigos,
Hoje vou dar um tempo nas histórias do passado para mais uma vez direcionar meu olhar para o universo de competições do surf profissional. Desta vez vou direto para vitória do incrível e dedicado Mick Fanning, que colocou o Brasil mais uma vez no cenário do surf mundial, após vencer a etapa brasileira do WCT, na Praia da Vila, em Imbituba, e garantir seu primeiro título mundial.
É...Desde o começo do tour, o australiano Mick Fanning prometia mudar a história do surf mundial nesta temporada. Detentor do primeiro lugar em três etapas do circuito mundial e belíssimas performances ao longo do ano, não é à toa que o polêmico Mick Fanning levou antecipado para casa o inédito título mundial.
Mick Fanning ergue a taça de campeã mundial pela primeira vez. Foto: Tostee / ASP
No cenário do surf internacional, essa foi uma conquista muito importante, afinal, Mick conseguiu abater a hegemonia norte-americana no circuito e tirar a coroa de ninguém menos que um dos maiores surfistas de todos os tempos, nosso querido Kelly Slater. Desde 1999, que um título mundial não ia para a Austrália, o último representante aussie no topo do WCT, tinha sido o lendário Mark Occhiluppo, que fez questão de comemorar o retorno da coroa para seu país ao lado do compatriota Mick Fanning. O também australiano Joel Parkison comemorou a festa, os dois ergueram Mick rumo ao pódio.
Apesar de se despedir do sonho de mais um título mundial e quem sabe também de sua carreira como surfista profissional, Kelly Slater demonstrou o verdadeiro espírito do surf ao entregar a taça ao australiano Mick Fanning, ele elogiou todo o empenho e talento de Mick ao longo do tour, e ainda, confirmou sua presença na comemoração do aussie, que foi o único surfista do circuito que prestigiou a festa de comemoração de Slater no ano passado.
Slater entrega o caneco para Mick Fanning. Foto: Tostee / ASP
Sem sombras de dúvida, Mick Fanning foi o melhor surfista desta temporada e mereceu levar esse caneco para casa. Ele se mostrou focado desde o início e não precisou ficar secando nenhum adversário para obter seus resultados. Mick confiou no seu surf e treinamento, e daí, se transformou em uma grande campeão! Parabéns Mick Fanning por essa conquista e exemplo de garra e força dentro de um esporte!
Comemora Mick pois o título é seu! Foto: Tostee / ASP
É de extrema importância essa vitória para o circuito mundial, pois esse resultado vai embalar as esperanças da nova geração para correr atrás do título. Kelly e Andy são excelentes surfistas, talvez os melhores dos últimos tempos, mas se o Mick conseguiu chegar até lá, porque não os outros atletas que compõem a elite mundial? A reciclagem do topo da elite é fundamental para a evolução do surf e aprimoramento da técnica do esporte. O futuro é dessa garotada que está chegando, novos nomes começam a aparecer no tour e em cima dos pódios para a alegria de todos!
Também gostaria de deixar aqui minha homenagem aos brasileiros, tantos os que já integram a elite do surf mundial, quanto aos que foram convidados para esta etapa. Mesmo não alcançando o pódio, todos surfaram muito bem, alguns conseguiram importantes resultados para tentar se manter na elite e representaram muito bem o país na Praia da Vila, que contou com um público de peso e uma torcida animada prestigiando nossos queridos atletas!
Mick Fanning é aclamado na Praia da Vila. Foto: Tostee / ASP
Parabéns atletas, parabéns Brasil, e viva o nosso surf!
Boas Ondas e até breve,
Rico de Souza
Paul Cohen, o famoso Gordinho, seu trabalho de vida e o tradicional Sheika Invitation
Aloha Amigos,
Hoje vou aproveitar para falar de um grande amigo meu e de uma época em que nós, brasileiros, começávamos a selar laços de amizade com a galera do Hawaii. Muita coisa acontecia naquela época no cenário do surf, afinal, já estávamos no final da década de 70, e grandes nomes do surf já se destacavam em competições.
Mas aqui, vou aproveitar para falar de uma pessoa muito especial, não só para mim, mas para a maioria dos brasileiros naquela época: o fotógrafo Paul Cohen ou o famoso Gordinho.
Em 1972, eu fui disputar o mundial na Califórnia, em Ocean Beach, e depois segui direto para o Hawaii. Eu embarquei sozinho nesta aventura e foi espetacular, pois tive a chance de fazer boas amizades com os gringos. Já no ano seguinte, eu tive a oportunidade de voltar ao Hawaii para passar a temporada e morar lá com grandes amigos meus, daqui do Brasil, como Paulo Proença, o Otávio Pacheco, que era um cara com quem eu me identificava bastante e curtia pegar onda junto, o Ricardo Bocão, o Xuxa, o Ratão, entre outros. Essa era uma época muito legal, nós éramos poucos brasileiros que íamos ao North Shore havaiano e a gente conseguiu estabelecer uma boa relação com a galera local.
Nessa época, nós morávamos ali, em Back Yards, ao lado de Sunset, e tínhamos uns vizinhos bem simpáticos, que eram o Paul, a Mariana e o Tom. Não demorou muito e logo ficamos amigos. Um dia eles levaram uma torta para a gente, bem naquele estilo americano de desejar boas vindas, foi muito legal. E daí, era o início de uma verdadeira amizade.
Um dia o Gordinho comprou uma máquina fotográfica e começou a fotografar a gente, e assim começou essa relação das lentes do Gordinho com o surf brasileiro lá no Hawaii. Parecia que o jeito verde-amarelo conquistava o olhar do Paul e chamava a atenção de suas lentes.
Foto de trabalho artistico de Gordinho
Nessa mesma época, ele tinha uma confecção de roupas de couro muito usadas por hippies e famosos cantores como Janis Joplin, Jimmy Hendricks, entre outros, ele morava em São Francisco, na Califórnia, então, estava bem perto do mercado de famosos.
Uns anos depois, ele abriu uma loja de couro em Waikiki, que exportava o material para o Japão, e passou a viver no arquipélago havaiano. Em paralelo ao seu negócio, Gordinho seguiu com seu hobby de fotografar o surf e logo se transformou em um profissional especializado, ganhando espaço no mercado que crescia com grande velocidade. Ele começou a evoluir sua técnica, tirar fotos melhores, vender para algumas revistas aqui no Brasil, como a Brasil Surf, a Fluir, e também para algumas revistas americanas e japonesas.
O mar sempre foi fonte de eterna inspiração para as lentes de Gordinho
Hoje, ele concentra mais essa venda para as grandes revistas, e se tornou um famoso fotógrafo no Hawaii. O Gordinho acabou fazendo amizade com todos os brasileiros, desde os mais amadores até os mais profissionais, e nos anos 80, mais precisamente no final da década de 70 (77,78,79), ele confirmava cada vez mais seu nome no cenário do surf, com a realização do campeonato Sheika Invitation, que recebeu o nome de sua loja. Esse sim passou a ser um encontro sagrado entre Gordinho e os surfistas brasileiros, pois todos nós participávamos religiosamente desse campeonato todo ano. Entre nomes que posso citar tinham Roberto Valério, Waldir Vargas, Paulo Tendas, Frederico D'Orey, entre outros. Todos os bons atletas brasileiros, que iam para o Hawaii, participavam do evento.
E nessa foto aqui abaixo, da esquerda para direita estão reunidos Dennis Pang, Mike Kealoha, o irmão do Dane Kealoha (vice-campeão mundial), o gringo, o mobral, eu, e o mudinho. Essa competição era realizada em Pedeles, ao lado de Chuns Reef, que era uma direita com ondulação de norte, entre 3 à 6 pés ou 1,5m à 2 metros, uma onda muito legal e fácil. O bom lá também que não tinha crowd nesse lugar, e tinha uma onda que proporcionava muitas manobras.
Sheika Invitation em 1979
Este evento chegou a ter grandes surfistas da época competindo, como Rory Russel, Owl Chapman, entre outros; eu mesmo fui tricampeão dessa competição em 77, 78, e 79. Também tinha o Renan Pitangui, que participava e tinha um excelente surf. O Gordinho acabou ficando mais conhecido com esse campeonato e firmou seu nome no cenário do surf internacional.
Gordinho fazendo as inscrições da galera para o Sheika, em novembro de 1978.
Teve alguns anos que o Randy Rarick, que era o presidente da federação mundial profissional naquela época, julgava o campeonato pra gente. Era um campeonato mais tranqüilo, de caráter amador e sem as plumas dos eventos principais, era mais voltado para gente mesmo, afinal, a maioria dos participantes eram os brasileiros, mas cada um dava o melhor de si e nós mostrávamos que o nosso surf também era forte e bem definido, eu tenho boas memórias desse tempo e dessa disputa, que era uma confraternização brasileira, lá fora.
O Paul sempre foi um cara bem relacionado, ele tinha um amigo que morava nessa casa bem em frente, o Ed, então, esse era quase um secret spot nosso no Hawaii, a gente pegava onda ali, ondas assim...espetaculares! Nos dias bons e sem crowd nenhum era um paraíso só nosso! Lógico, que não se comparava à Sunset ou Pipeline, mas era uma onda boa e bem surfável, como em qualquer pico maneiro do mundo. Elas estavam ali, esperando por nós todo ano. É uma honra poder ter vivido essas temporadas no North Shore e fazer bons amigos como o Gordinho lá fora. Então, ficaram as boas memórias e bons amigos desse campeonato. E aproveito para deixar aqui minha homenagem a esse grande irmão, Paul Cohen ou o famoso Gordinho.
Boas Ondas e até breve,
Rico de Souza
Rico de Souza nasceu em junho de 1952, no Rio de Janeiro. Com mais de trinta anos de surfe, ele faz parte da Comissão Nacional de Atletas e ganhou o título de Embaixador do Surf Brasileiro. Rico conquistou seis vezes o título nacional, três deles na categoria pranchinha (1969 / 72/ 73), e os outros três na categoria longboard (1987 / 88/ 89), além do vice-campeonato mundial amador de longboard em 1988 e no Circuito Mundial de Longboard da ASP em 1989.O surfista e empresário contribuiu com iniciativas pioneiras no país. No início dos anos 90, Rico inaugurou a primeira escola de surf do Brasil, que está em funcionamento até hoje, além de promover o Campeonato Brasileiro de Longboard desde 2002.