RICARDO BOCÃO: DISPOSIÇÃO E COMPANHERISMO DENTRO DA ÁGUA
Aloha amigos,
Nesse post vou prestar uma homenagem a meu amigo Ricardo Bocão pela pessoa que ele é e por tudo que ele fez pelo surfe brasileio, e principalmente pela vontade que ele tem de surfar ondas pequenas, médias, além é claro, pela disposição de surfar ondas grandes. O Boca, junto com o Otávio Pacheco, Renan Pitanguy, Ianzinho, entre outros, faz parte de uma turma de amigos que eu tive na minha geração que arrebentou no Havaí. 
Bocão no auge da forma, amarradão! Foto: arquivo pessoal Rico
Lembro de várias experiências: mares grandes, mares enormes e também daqueles dias paradisíacos com ondas pequenas, mas de qualidade no Havaí. Dentro da água, uma coisa que o Bocão sempre demonstrou - principalmente nos dias realmente grandes - foi muito
companheirismo, muita raça e disposição.
O conheci o no final dos anos 1960, quando ele tinha uma prancha “Kio” australiana, muito pequena. Ele começou a se adptar ao surfe com essa pranchinha bem "hot dog", a prancha devia ser uma 5’ 8” por aí...e no começo ele tomou uma dura da prancha mas logo, logo, ele conseguiu superar as dificuldades com seu talento, e fez um surf muito bonito.
Na foto abaixo estamos Eu ) esquerda para a direita ), Paulo Proença, Horácio Seixas ( que é primo do Raul ), Otávio Pacheco, o Meyer ( representante da comunidade local ) Roberto Valério, Ricardo Bocão e Ianzinho ao lado do Bocão, na Austrália, em Coolangata, Surfers Paradise. Na ocasião, fomos disputar o Stubbies Pro - tradicional campeonato de surfe - ; isso foi por volta de 1978. Ótimas lembranças desse, que é um time forte de big riders, pessoas que fizeram muito pelo surfe brasileiro. 
Paulo Proença, Horácio Seixas, Otávio Pacheco, Meyer, Rico, Roberto Valério, Bocão e Ianzinho - Foto: arquivo pessoal Rico
Voltando ao Bocão, tenho memórias espetaculares dele também no Píer de Ipanema, onde ele mandava bem tanto nas direitas como nas esquerdas. As direitas eram chamadas de Back Door, era uma onda que quebrava só com a ondulação de sul, grande. Era um mar em que poucas pessoas dominavam; na época não havia cordinha e você dropava em frente ao Píer e se errasse, sua prancha ia parar no meio das pilastras. O Boca sempre mostrava muita técnica e arrojo nessas condições. Fora da água, o Bocão sempre lutou para o crescimento do surfe.
E os programas que capitaneou, desde o Realce e até hoje no Woohoo, com muita garra, tem levado o esporte para milhões de lares em todo o Brasil. Eu estou indo para o trigésimo sexto inverno havaiano e 1972 foi o primeiro, no qual fui sozinho. No segundo já morei numa casa com alguns amigos. Morávamos eu, Bocão, Betão, Marquinhos Berenguer. Era uma casa em Vezyland, e hoje esse condomínio nem existe mais. Agora ali só tem casas de milionários e inclusive quem mora lá é o músico Jack Jhonson. Lembro-me também do vários consertos musicais que fomos: Rod Stwart, Earth, Wind, Fire, entre outros, e sempre estávamos juntos. O Bocão sempre foi um grande companheiro dentro e fora da água.
Surfamos Sunset grande, Haleiwa, Waymea gigante e não foram poucos os dias com ondas maravilhosas que compartilhamos. Um fato que vale muito lembrar. Uma vez o Bocão me chamou pra ser seu cady no Pro Trials Classic, um evento casca-grossa em Sunset. ntigamente não havia cordinha; então você tinha direito a entrar na água com a sua prancha e um amigo seu podia entrar remando com uma e mais duas sendo rebocadas. O Bocão sempre foi um cara com muita disposição um animal tomado nos drops e o mar estava com uns 12, 15 pés, um Sunset de responsa mesmo!! 
Bocão botando pra baixo no saudoso Pier de Ipanema - Foto: arquivo pessoal Rico
Muito mexido, com muita correnteza e eu não sabia a roubada que eu estava me metendo. Na primeira onda que o Bocão dropou ele já quebrou a prancha ao meio, tomou um caldo animal e me acenou “Rico, manda a pancha!” já cheio de disposição pra pegar outra. Aí eu fui remando em direção a ele - com a minha e mais duas sendo rebocadas, naquele mar! Entreguei a prancha pro Boca e ele voltou pro pico, pegou outra e perdeu a prancha. Na outra onda, a mesma coisa..até que ele ficou sem a prancha.
E aí só sobrou a minha. E advinha o que aconteceu? Ele me pediu a minha prancha ...rs...se fosse hoje em dia eu não a entregaria mas naquela época estávamos muito no rip e dei a prancha pra ele. Foi muito casca-grossa mesmo. Muita correnteza e fiquei quase uma hora pra sair da água. Não me lembro se ele passou a bateria...mas foi uma experiência muito intensa!!
Boca, forte abraço e forte admiração por você.
Boas ondas, Aloha Rico.
DANIEL FRIEDMANN, UM GRANDE SURFISTA E AMIGO
Aloha amigos,
Nesse post queria falar um pouco sobre meu amigo Daniel Friedman, um dos grandes surfistas brasileiros de todos os tempos e que contribuiu muito para a história de nosso esporte.
O Daniel, que é local do Arpoador, é uma pessoa que tem um surfe brilhante! Nos anos 1970 ele era praticamente imbatível nas ondas pequenas. Quando qualquer atleta encontrava o Daniel em uma bateria, já sabia que teria uma tarefa árdua pela frente. Ele, que dominava o pico no Arpoador, vem de uma escola muito interessante, que é a escola do Ben Aipa, e Greg Downing, dois grandes surfistas havaianos, os quais ele tinha muita amizade. 
Eu e Daniel no coquetel de lançamento do Petrobras Longboard Classic - Foto: Mari Malta
O Ben Aipa foi o cara que inventou a swalow tail, e a stinger dois modelos revolucionários na história das pranchas de surfe -. E o Daniel, quando começou a surfar com essas pranchas, teve uma evolução bastante considerável em seu surfe. Só para vocês terem uma idéia, ele disputou um campeonato na Austrália no qual venceu ninguém menos que o então quatro vezes campeão mundial Mark Richards, surfando com suas famosas biquilhas.
Naquela época o MR era como se fosse o Kelly Slater, um cara respeitadíssimo e praticamente imbatível, principalmente na Austrália. E nosso Friedmann foi lá e fez a mala do cara. Se hoje é difícil vermos um brasileiro se dar bem em cima de um gringo, imaginem naquela época, em que pouca gente sabia ao menos onde ficava aquele país da América do Sul.
Isso serve para ilustrar a competitividade e talento do Daniel, mas não foi só esse feito que construiu sua reputação. Nas competições ele foi três vezes campeão brasileiro: 1974, 1976 e 1977, mesmo ano em que venceu o histórico Waimea 5000, a então etapa brasileira do Circuito Mundial de Surf. O evento era muito badalado, com surfistas de todo o mundo vindo ao Brasil para disputá-lo. Além dele ser muito bom, tinha a maestria de conseguir competir bem, ou seja, unia o talento e uma ótima tática nas baterias.
Atualmente o Daniel tem várias atividade, além do surfe, claro. Ele trabalha comigo no Petrobras Longboard Classic, é diretor de prova de grandes eventos realizados no Brasil, já dirigiu vários campeonatos como o Billabong Pro Junior, entre outros.
Além de ser um exímio surfista, o Daniel também é fabricante de pranchas de surfe, ele mantém sua oficina na Praia da Macumba, de onde saem belos modelos que ele desenvolve com toda sua experiência. 
Eu e Dani com a maior prancha do mundo ao fundo - foto: arquivo pessoal
O Friedmann foi meu parceiro na confecção da maior prancha do mundo, com a qual conseguimos bater o recorde e entrar para o “Guinnes Book”. Tenho muito orgulho de ser amigo do Daniel e fica aqui a minha sincera homenagem a esse ícone do surfe brasileiro. Aloha Dani Boy!!
CARLOS MUDINHO, UMA LENDA VIVA DO SURFE BRASILEIRO
Aloha amigos,
Queria aproveitar esse espaço do Blog para prestar uma homenagem a um ícone do surfe brasileiro e meu amigo e mestre, Carlos Mudinho. Muita gente ouve falar do Mudinho, mas poucos sabem da real importância que ele tem para o surfe brasileiro. Quando éramos bem jovens começamos a surfar no Leblon. O Mudinho tinha um carrinho que ele puxava de bicicleta e levava as pranchas, e a aquele foi o primeiro "meio de transporte" das minhas pranchas.
Mudinho competindo no Petrobras Longboard Classic - foto: Marcio Rodrigues
Eu ia correndo e ele ia de bicicleta, puxando aquelas pranchas enormes e assim a gente já chegava aquecido para o surfe. Não foram poucas as vezes em que as pranchas caíam pelo caminho, mas a gente sempre chegava lá! Naquela época eu achava ótimo porque nas minhas primeiras idas ao Arpoador, eu levava a minha prancha caminhando com a prancha em cima da cabeça.
Era uma São Conrado, uma legítima Coronel Parreira, que eu comprei em 1966. Aquela prancha fez história na minha vida no surfe, pois o Coronel foi o primeiro fabricante de pranchas do Brasil e suas pranchas eram muito cobiçadas - ele contribuiu muito para a evolução das pranchas brasileiras. A prancha era muito pesada; então quando eu passei a ir de "carona" com o Mudinho e aquilo facilitou bastante a minha vida.
O Mudinho é um dos surfistas mais completos que eu já conheci em todos esses anos de surfe. Desde que começamos ele já tinha um surfe muito bonito para os padrões daqueles anos 1960, início dos 70. Era um surfe agressivo, moderno, e eu tenho muita admiração por ele, pois no dia que eu tirei essa foto ( abaixo) dele ele me disse que estava completando 50 anos de surfe e aquilo me deixou muito feliz mesmo, pois ele foi e é uma inspiração pra mim. 
Eu e Mudinho relembrando os velhos tempos na Praia da Macumba. Cinquenta anos de surf!
Tenho tantas histórias pra falar do Mudinho, que seria difícil caber aqui nesse post. Mas essa serve para ilustrar o quão surfista e fominha, como eu, ele é. Lembro-me que o pai dele tinha uma DKV Vemagueti e na época fomos surfar na Barra da Tijuca, onde ninguém surfava - os picos da época eram o Arpoador, o Posto 5, Saquarema, Cabo-Frio, Guaratiba, Canto do Recreio, a praia da Macumba... Nesse dia na Barra, não tinha ninguém na praia, altas ondas, com uma valinha de direita perfeita, ninguém na água e os dois fominhas disputando onda-a-onda.
Até que ele conseguiu me rabear e acabamos nos enrolando e o resultado foi a quilha, enorme, do Mudinho varando a minha prancha de um lado ao outro. Hoje, quando nos encontramos, damos boas risadas daquelas histórias e passagens que vivemos juntos.
O Mudinho, poucos sabem, além de surfista é um excelente shaper e Arquiteto. Mesmo com a sua deficiência auditiva, ele é uma pessoa que não tem limites, não só no surfe mas como na vida. Hoje ele também é Pastor e seguiu os caminhos da religião dropando em ondas mais divinas. Aqui segue a minha humilde homenagem ao meu mestre Mudinho, uma pessoa espetacular, que trouxe muito para o surfe brasileiro
Aloha - Boas Ondas
Rico de Souza
CIRCUITO MUNDIAL DE SURFE
Aloha amigos,
O surfe mundial ganhou muito com o profissionalismo. Hoje vários atletas conseguem viver bem do esporte, criar suas famílias, aprender novos idiomas e acumular várias culturas que, se bem aproveitadas, podem lhe garantir uma bagagem para o resto de suas vidas.
O surfe profissional como conhecemos nem sempre foi assim. Os campeonatos, as premiações, as pranchas, enfim, tudo relacionado ao esporte vem evoluindo consideravelmente desde a época em que os pioneiros do surfe brasileiro começaram a dar suas primeiras remadas no Arpoador. O circuito mundial foi realizado no sistema com séries classificatórias, o WQS e a elite o WCT. Antes haviam etapas isoladas e nós, brasileiros, não tínhamos acesso a todos os eventos.
Somente em 1976 o título mundial passou a ser disputado em um circuito com várias etapas, com a criação da International Professional Surfing (IPS), dirigida pelos havaianos Fred Hemmings e Randy Rarick, que aliás são meus amigos. Para se ter uma idéia da influencia do Hemmings, ele se elegeu senador pelo Estado do Havaí.A partir de 1984 o tour passou a ser organizado pela Association of Surfing Professionals (ASP), dirigida pelo australiano Ian Cairns e até hoje a associação é responsável pela realização dos dois circuitos, classificatório e elite. Tais divisões World Championship Tour (WCT) e World Qualifying Series (WQS) foram criadas em 1992.
O hoje senador Fred Hemming mostrando que entende do assunto em Waymea. Foto: surflegendary.com
A hegemonia de títulos é norte-americana, mesmo com os australianos sendo o país mais surfe do mundo. Até hoje foram disputados 32 títulos mundiais ( 1976 a 2007 ) e os americanos levaram 17 destas ( sendo 5 havaianos) os aussies ficaram com 13 e para quebrar a hegemonia das duas nações vieram o sul-africano Shaun Thomson ( 1977 ) e o ultra-radical Martin Potter, que em 1989 começara a mudar os rumos do surfe mundial com seu surfe de manobras como aéreos, floaters entre outras que custaram a ser compreendidas pelos juízes.
Atualmente os americanos levam a vantagem de ter Kelly Slater em seu time. Com oito títulos mundiais, feito que dificilmente será batido, Slater superou Mark Richards, que conseguiu a metade do número de títulos. O último título reascendeu o orgulho australiano: no masculino Mick Fanning e no feminino a jovem Stephanie Gilmore levantaram o caneco de 2007. Agora estamos prestes a iniciar outra temporada e os dados estão na mesa.
Kelly Slater faturou oito títulos mundiais e revolucionou o mundo do surfe. Foto: Quiksilver.com
Em última análise. O circuito mundial evoluiu mas acredito que para o surfe se tornar um esporte com mais respeito, leia-se, com mais atrativos financeiros, os eventos que são realizados em ondas espetaculares com o Teahuppoo, Pipeline, etc, deveriam ser considerados como super eventos, como, por exemplo, no Tênis em que os torneios de Grand Slam valem mais pontos e dinheiro. Só assim o surfe realmente vai entrar no main stream, só assim os surfistas vão ser valorizados.
A viagem a Bali
Aloha amigos,
A minha primeira viagem a Bali foi em 1976. Eu tive a oportunidade de ser o primeiro brasileiro a ir curtir aquela região. E nesse mesmo avião, na época, o pessoal também ia para a Austrália para competir em Bells Beach, o Coke, que era o campeonato patrocinado pela Coca-cola e Stubbies. Nesse mesmo vôo também estava a equipe havaiana de surf, que também disputou as competições australianas. E acabei me juntando a eles.Naquela tempo eu gostava de viajar sozinho, era uma época que todo mundo seguia meio largado, traçando seu próprio caminho.
Estávamos eu, Michel Ho (campeão do pipe máster), Rory Russel, Brian Cerat, que na época tinha uma escola de surf e era um dos locais mais temidos do Havaí. Ele era muito temido, mas sempre recebeu bem os poucos brasileiros que costumavam a ir para o North Shore: Bocão, Betão, Renan, Otávio, entre outros.
Nesse encontro no avião, eles me convidaram para acompanhar eles na Austrália por um dia, e no dia seguinte fomos para Bali. E foi muito legal, porque tive a oportunidade de estar com os havaianos, conhecê-los melhor e, claro, surfar em Uluwatu! O Brian era meio brabo e nesse dia ele expulsou todos os caras da água; então, ficamos sem crowd nenhum e apenas nós: quatro caras surfando ondas de 6 pés perfeitas! São lembranças espetaculares.
Essa época Bali não era muito conhecida, já tinha um crowd, mas tudo era muito barato, sem estrutura, e nem se compara a hoje em dia. Quando a gente ia para Uluwatu não era como hoje, que se consegue chegar tranqüilo na praia. Nós tínhamos de fazer uma trilha de quase 40 minutos para chagar na praia, normalmente o trajeto era feito com um transporte que custava 1 dólar. O Hotel que a gente ficava na praia era bem legal e custava apenas 15 dólares o quarto, e nós ainda dividíamos em três pessoas.
A comida também era barata e isso só facilitava nossa expedição. Com o preparo físico que todos nós tínhamos na época, era até fácil fazer aquela trilha, apesar das dificuldades das pedras no caminho. Depois de aprender o caminho certinho, ficou fácil fazer a trilha. Hoje eu acho uma loucura o que fazíamos, mas com certeza, foi uma loucura que valeu a pena.
Nessa fotografia estamos eu ( centro ), o Michel Ho ( à esquerda), um dos grandes talentos do surf profissional e campeão do Pipe Máster, e o Brian Cerat ( direita ).
Apesar de não aparecer na foto acima, não posso também esquecer Rory Russel, que também já foi campeão do Pipe Máster; se destacou no surf mundial e estava lá com a gente. E também tinha o Jonny, que era amigo do Brian e que não era surfista, mas também estava na nossa turma nesta viagem. Tenho excelentes lembranças dessa minha primeira passagem por Bali e de ter curtido com essa rapaziada. Depois voltei à região algumas vezes, mas essa primeira vez foi memorável.
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A história de vida do Betão
Aloha amigos,
Hoje eu gostaria de aproveitar este nosso espaço para fazer uma homenagem a um grande surfista que eu conheci e que era uma pessoa e um atleta espetacular: o Roberto Betão.
O Betão era um regular footer especialista nas ondas de Sunset, um dos melhores brasileiros no nos direitões que quebram naquele pico havaiano. Ele tinha uma colocação espetacular, um estilo maravilhoso e também era da minha geração. 
Na foto Betão, Eu, e Bocão curtindo mais um dia após o surf.
O Betão morava em Copacabana, na esquina da Figueiredo Magalhães, e era presença garantida no Arpoador e em Ipanema. Ele surfava bem em todas de todos os tamanhos. Eu o surfar em Saquarema, gigante, tão bem como dropava em Sunset - era dali, de Saquá, que vinha a sua base.
Nós fomos ao Hawaii juntos em 1973, lembro-me daquela trip como se fosse hoje: fizemos várias sessões espetaculares e ele sempre uma vez mostrando um surf incomparável. Moramos juntos nessa temporada, e ele sempre foi um grande amigo e um companheiro para todas as horas. Fazia parte da turma, não só no surf, mas também na hora da curtição, dos shows. Nós construímos uma bela amizade, com altos momentos que ficaram na memória!.
Lembro-me também de um outro grande momento do Betão em Saquarema. Ele disputou uma finalíssima no Festival de Surf Alamoana, em mar daqueles bem épicos de Saquarema. Eu estava nesta bateria também e caí com uma prancha 8.6”. O Betão, eu acho, caiu com uma 9.4”. Todo mundo estava usando guns porque as ondas estavam muito grandes, eu acho que tinha pelo menos uns 10 pés sólidos! No início da competição, mar estava tão grande, que numa bateria de seis caras, a organização estava deixando valer se entrassem apenas 2 atletas estava realmente muito difícil varar a arrebentação. Tinha bateria que ninguém queria entrar no mar. Eu me lembro que quando dois atletas conseguiam passar a arrebentação, já estava valendo a bateria. Isso deve ter sido em 76 ou 78. Era a época do tradicional Festival de Saquarema, quando a Rita Lee tocava lá. E o Betão nessa final ganhou e fez uma grande atuação. O Cadinho ficou em 2º lugar e eu em terceiro.Outra faceta do meu amigo Betão era a arte de shapear, fazia altas pranchas e também era um excelente piloto de teste.
Betão moldando um foguete na sua oficina em Saquá.
Muitos caras dessa época, que viviam no Rio, após descobrirem Saquarema, se mudavam para o Maracanã do Surf ( como Saquarema é até hoje conhecida ), e esse também foi o caso do Betão. Ele viveu lá por alguns anos e abriu junto com o Bocão, uma fábrica de pranchas. Era um life style espetacular. Saquarema era um lugar novo, exótico, rústico, que acolheu toda tribo do surf, como até hoje acolhe. Tenho certeza, que esse deve ter sido um dos momentos mais incríveis da vida do Betão. Quero deixar um abraço forte aqui para esse velho amigo e parabéns pelo excelente surf que ele sempre teve. E estou torcendo para que ele volte para água para surfar com a gente.
Betão com o seu fiel companheiro, esse pastor alemão, que ele levava para todos os lugares.
Fica aqui minha homenagem a esse grande surfista e a esses momentos memoráveis ALOHA Betão!.
Pachecos: uma família cheia de histórias no surf
Aloha amigos,
Eu não poderia falar sobre surf brasileiro sem mencionar a família Pacheco. Nós viajamos pelo mundo diversas vezes juntos, são três irmãos: o Otávio Pacheco, que é o mais velho, o Fabinho Pacheco, que é o do meio, e o Mauro Pacheco, o caçula. Eles moravam em Ipanema.
Com o Otávio foi com quem eu tive mais amizade e intimidade. Nós viajamos para vários lugares do mundo juntos, surfando e nos divertindo. Fomos para o Hawaii, surfamos Sunset gigante, Waimea, Haleiwa, o Otávio talvez tenha sido um dos maiores parceiros no surf que eu tive na minha juventude, no Hawai.
Ele era goofy footer e tinha uma colocação fantástica nos tubos, surfava backside muito bem, principalmente em Saquarema e em Pipeline quando estava grande, ele botava pra baixo naquelas esquerdas de Pipe pesadas. No maior mar que eu peguei em Pipeline, eu estava ao lado do Otávio.
O Fábio já era um pouco mais jovem do que a gente; também sempre mostrou um grande estilo surfando, sempre foi muito talentoso e também se destacava nas ondas de Saquarema. Ele tinha um surf bastante radical e também era muito competitivo.
E o caçula, o Mauro, já tinha um perfil mais parecido com a nova geração do Rio de Janeiro. Ele, assim como os irmãos, também era muito talentoso sobre as ondas. Eles sempre se destacaram entre a galera do surf e conquistaram inúmeros títulos em competições.
E nessa foto abaixo mostra os três irmãos juntos com o império de troféus e medalhas. 
Então esse é o clã da família Pacheco, que dedicaram horas de lazer em família ao surf. Foi mais uma família que fortaleceu os laços através do surf. Eles também tinham uma irmã, que surfava de vez em quando. Da esquerda para direita: Otávio, Fábio, a mãe deles, o Mauro e a irmã deles, a Eliana.
Essa outra foto foi 1966, na Praia do Peró em Cabo Frio, esse era o início dos Pachecos. 
O Otávio também teve uma grande participação no Waimea 5000, ele era amigo do Nelson Machado, que organizou o evento. Entre todas as nossas viagens e lugares que conhecemos, cresceu uma grande amizade. Depois o Otávio também voltou a resgatar o longboard, assim como eu.
E aqui é uma foto do Otávio na França com David Newever, que foi um campeão havaiano e um dos melhores nose rider que já existiu no longboard. Ele foi um dos primeiros havaianos a ir morar na califórnia. 
O Otávio chegou a participar não só de eventos no Brasil, ele também competiu pelo mundo na época da IPS, a antiga ASP. Ele acompanhou toda a evolução do surf no Brasil e no mundo. Ele também se destacou muito na fabricação de pranchas, inclusive de longboards. Então, deixo aqui minha homenagem a essa família incrível e todo meu respeito pelo Otávio e seus irmãos. Um abraço para meu grande amigo Otávio. Estou aguardando para a gente surfar juntos.
Campeonato Stubbies e Austrália – uma parte da história da equipe Rico
Aloha Amigos!
O ano de 2008 já começou e todos aos poucos voltam à boa e velha rotina. Alguns estenderam o feriadão, já outros, voltaram ao batente desde o dia 2. O importante é que todos nós comecemos este ano com alegria, determinação e perseverança, para trazer dias melhores ao nosso mundo.
Como não podia deixar de ser, após o merecido descanso de fim de ano, estou aqui novamente para trazer mais um pouco sobre a história do surf para vocês.
Hoje, eu vou tratar de um assunto muito legal, que marcou época na minha vida e no surfe internacional: a relação do Campeonato Stubbies, a Austrália e a saudosa equipe Rico de surf.
Eu tenho muito orgulho de ter tido talvez a melhor equipe de surf do Brasil nos meus tempos de ouro. Além de mim, faziam parte da equipe o Valdir Vargas, o Frederico D’ Orey, o saudoso Roberto Valério, e não posso esquecer do Cauli Rodrigues, que apesar de não estar na foto, também fez parte da equipe. 
Valdir Vargas, Frederico D’Orey, eu e Roberto Valério na Austrália
Para aqueles que são mais novos e não tiveram a honra de conviver com esses caras, eu vou explicar um pouquinho sobre como eles quebram nas ondas no Brasil e no Mundo.
O Valdir, que eu qualifico como um dos melhores tube riders que eu já conheci, era um cara muito talentoso e que chamava atenção nos tubos em Pipeline, pela sua boa colocação e pelas manobras de backside. Ele era um cara que gostava de ondas grandes tanto como das pequenas, o que, o tornava muito versátil em qualquer situação de mar. Acho que quem o conheceu deve sentir o mesmo respeito que eu por ele, pelo talento dele sobre as ondas.
Outro cara extremamente talentoso e que também fez parte da equipe Rico foi o Frederico D’ Orey, que hoje em dia é empresário e assim como eu, também tentou relacionar seu ganha pão a cultura de praia. O Fred é o dono da marca Totem, que incorpora todas as experiências que ele aprendeu ao longo da sua vida de surfista e viajante pelo mundo. Ele sempre foi um grande surfista e eu me lembro na época do Arpoador, que ele tinha um surf incomparável, era um surf rápido e moderno. Ele tinha um vasto repertório de manobras e brilhava tanto nas ondas pequenas quanto nas maiores.
Completando nosso time, o meu querido amigo e saudoso Roberto Valério, que foi uma das maiores perdas para o surf brasileiro, após seu falecimento motivado por um aneurisma. O Valério era um cara com uma garra dentro d’água indescritível, um excelente atleta e que surfava ondas em qualquer condição. Ele tinha um senso de competição muito grande e foi muito bom poder contar com a presença dele para completar essa equipe, que me deu tantas alegrias. Eu me lembro que na África do Sul, quando o Valério ganhou uma semi-final, eu acho, do campeão mundial, o Martin Potter, a torcida estava toda do lado do Mark e o Valério fez um bateria incrível em frente de toda a elite do surf mundial e aquilo foi memorável, eu me lembro como se fosse hoje.
Uma pessoa que eu também jamais poderia esquecer e que era da equipe Rico foi o Cauli Rodrigues. Ele foi um dos pioneiros a aprimorar seu surf com manobras modernas e mais radicais. O Cauli nas ondas pequenas de backside era imbatível, então, fica meu abraço forte aqui para ele.
Esse campeonato Stubbies de 1981 foi uma das muitas lembranças dessa equipe, que me trouxeram ótimos momentos. Nós éramos bem unidos e chegávamos até a fabricar esses shorts, que na época estavam na moda e eram nossos uniformes nos campeonatos.
Frederico D'Orey, Roberto Valério, eu e Valdir Vargas, em frente ao palanque do Stubbies.
O Stubbies, que era realizado na Austrália, marcou uma era na história do surf mundial, pois foi o primeiro campeonato a estrear o sistema homem-a-homem, implementado pelo australiano Peter Drouyn, eu acho que em 1977, que foi o meu primeiro ano na competição. Isso modernizou o surf de competição e permitiu ao público leigo uma melhor observação das disputas. Esse evento era em uma direita maravilhosa.
A Austrália foi o berço do surf mundial junto com o Hawaii, e isso sempre se refletiu nos atletas aussie, que construíram, e constroem até hoje, um forte histórico no surf internacional. Durante muitos anos os surfistas australianos comandaram o topo de vitórias da antiga IPS, a atual ASP.
Em minha opinião, o grande sucesso do surf australiano está relacionado ao modelo de competição usado na região. Os surfistas se dividiam em clubes e se organizavam em várias categorias, desde profissionais até a nova geração amadora. Todos defendiam seus clubes nas competições locais, regionais, e nacionais, e isso permitia um treinamento constante das equipes.
Daí surgiu os grandes talentos, que brilhavam no cenário internacional. Os australianos têm uma relação muito forte com o surf, uma paixão que criou grandes campeões. Eles incentivavam o surf de competição, que podemos chamar de “interno”, e depois lançavam seus melhores talentos na competição mundial, então, o atleta que chegava ao circuito mundial, já tinha uma longa experiência em competições nacionais e de treinamento.
Quando saía um campeão desses clubes, com certeza, ele estava pronto para ser campeão mundial. Como por exemplo, o Cheyne Horan, ele foi um dos atletas que saiu dessas competições amadoras, já competiu no Stubbies, já foi vice-campeão mundial quatro vezes (1978/79/81/82) e teve uma carreira brilhante na história do surf mundial. Eu acho que esse modelo de competição faz o esporte crescer no país, e eu só vi isso lá na Austrália, nem nos EUA, existe isso.
O Stubbies foi um dos principais campeonatos na história do surf profissional e reuniu grandes nomes do esporte. Esses momentos marcaram muito minha vida, e a equipe Rico também, nela, eu fiz bons amigos, que sempre serão lembrados com alegria.
Aproveito para deixar aqui meu abraço para todos esses bons amigos daquela época de ouro.
Boas Ondas e até breve,
Rico de Souza
Feliz 2008 para a tribo do surf brasileiro
Aloha Amigos,
Mais um ano chega ao fim e com ele, as lembranças de mais um período vencedor para o surf brasileiro. O ano 2007 trouxe boas alegrias e grandes promessas para o surf verde-amarelo. 
Nossa elite brasuca no mundial de surf profissional ganhou novos reforços para 2008, que ao lado de antigos nomes como Neco Padaratz e Rodrigo Dornelles, e dos recém chegados Léo Neves e Mineirinho, prometem animar a briga pelo tão sonhado título mundial. Mesmo parecendo um sonho distante para os brasileiros se comparado aos gringos, pode ser que essa renovação e esse reforço no time brasileiro nos tragam boas surpresas. Ficaremos na torcida!
Entre as mulheres, nossa querida Silvana Lima demonstrou um excelente desempenho, que chegou a nos dar esperança de mais um caneco pelo mundial da ASP para o Brasil. Mas ainda não foi dessa vez, e espero que ela repita e melhore sua atuação em 2008, para que assim, finalmente, possamos soltar o grito de campeão para todo o mundo.
No longboard, a festa foi verde-amarela, dentro e fora do Brasil. A primeira comemoração foi a vitória inédita do carioca Phil Rajzman no Mundial Profissional da ASP, na França. Acompanhando esta vitória, estavam os excelentes resultados dos outros brasileiros, como Carlos Bahia e Danilo Mullinha. No México e no Chile mais vitórias, com Carlos Bahia ficando em terceiro no campeonato para convidados nos tubos de Puerto Escondido e com mais uma vitória de Phil Rajzman, no Pan-americano, nas ondas chilenas.
No Brasil, o futuro do esporte está garantido, a conquista do título brasileiro pelo jovem carioca Roger Barros mostra os frutos semeados no passado, mas ele não foi o único da nova geração a surpreender nas ondas brasileiras. Na categoria feminina de pranchinha, a indiazinha Tininha e a paulista Suelen Naraisa também mostraram que vão garantir o futuro do surf feminino no país.
Então, eu aproveito este momento de lembranças e alegrias para desejar a todos uma ótima virada de ano e um 2008 cheio de momentos espetaculares, como os que nós vivemos neste ano que passou. Seja no surf ou na vida, dentro ou fora d´água, que esse novo tempo que nos chega traga às pessoas, mais esperança, consciência e solidariedade. Afinal, nosso planeta está pedindo socorro e nossos semelhantes um pouco mais de atenção. Fazer o bem, seja pela natureza ou pelo próximo, está na moda e faz um grande bem para a alma!
Feliz Ano Novo a toda tribo do surf! Vejo vocês sobre as ondas em 2008!
Aloha e Boas Ondas,
Rico de Souza
FELIZ NATAL PARA A COMUNIDADE DO SURF
Aloha amigos,
Hoje, eu vou aproveitar o natal para desejar a todos, dias de paz e amor. Em um mundo de guerras, poluição e desigualdades, muitas vezes, fica difícil imaginar um bom futuro para a humanidade, ou ao menos, continuar a ter esperança dentro do peito. Mas em época de festas, como o Natal, um espírito de solidariedade e fraternidade invade a todos nós.
Grande Fabinho Gouveia sendo um dia o Papai Noel do Surf
É importante refletir e buscar dentro de nós o que temos de melhor. Pequenas atitudes reunidas fazem grandes transformações na nossa vida e na do próximo. Então, aproveite essa data de comemoração e dê você também um presente ao mundo, seja dizendo às pessoas queridas o quanto elas são importantes ou estendendo a mão a um desconhecido. Plante uma árvore ou reclicle o lixo, mas não deixe de acreditar que todos nós temos a capacidade de mudar o mundo e construir um futuro melhor para as futuras gerações.
Papai Noel pode não existir no pólo norte mas dentro de nós sempre existe um pouquinho do bom velhinho. E como ele, devemos presentiar o mundo com bons sentimentos e boas atitudes, seja dentro ou fora d'água, pois solidariedade e educação também devem ser levados para o mar, tanto respeitando a natureza, quanto aos outros surfistas.
Feliz Natal a toda comunidade do surf e Boas Festas!
Aloha e Boas Ondas,
Rico de Souza
Rico de Souza nasceu em junho de 1952, no Rio de Janeiro. Com mais de trinta anos de surfe, ele faz parte da Comissão Nacional de Atletas e ganhou o título de Embaixador do Surf Brasileiro. Rico conquistou seis vezes o título nacional, três deles na categoria pranchinha (1969 / 72/ 73), e os outros três na categoria longboard (1987 / 88/ 89), além do vice-campeonato mundial amador de longboard em 1988 e no Circuito Mundial de Longboard da ASP em 1989.O surfista e empresário contribuiu com iniciativas pioneiras no país. No início dos anos 90, Rico inaugurou a primeira escola de surf do Brasil, que está em funcionamento até hoje, além de promover o Campeonato Brasileiro de Longboard desde 2002.