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  1. 04/05/2008

    GERRY LOPEZ, O ETERNO MESTRE DO SURFE

    Aloha amigos,

    Desta vez vou falar sobre um grande surfista pelo qual tenho muito orgulho de ser amigo, o eterno Guerry Lopez.




    Keale Lemos, filho do fotógrafo Bruno Lemos, posando na foto com seu ídolo, o surfista Gerry Lopez. Foto: Fred Rozário

    Idolatrado por todas as gerações e muito carismático, foi o primeiro cara que realmente conseguiu andar por dentro dos tubos havaianos. Suas performances eram tão marcantes que foi considerado o “Rei de Pipeline” na década 70.



    Gerry surfando em Pipeline na década de 80

    Além disso, foi um dos precursores do Tow in, quando morava na Ilha de Maui, e sempre desejou que as pessoas surfassem a monstruosa onda de Jaws. Sempre muito inteligente, lançou a “Lightning Bolt”, que ficou conhecida no mundo inteiro pelos desenhos dos raios de luz nas pranchas e até chegou a fazer alguns filmes de Hollywood, entre eles “Conan, o bárbaro”.

    Atualmente ele mora com sua família no estado do Oregon, nos Estados Unidos, e continua com a sua produção de pranchas de surfe, além de ter lançado recentemente um livro, que inclusive enviou para mim com dedicatória.



    Capa do livro "SURF is where you find it", de Gerry Lopez

    Desde que conheci o Gerry em 1969, no Peru, ele mostrou ter um lado espiritual muito bem desenvolvido e ser um cara muito bem articulado. Querido no Havaí e em várias partes do planeta, é sem dúvidas um eterno ídolo do surf mundial.

    Deixo aqui um abraço carinhoso ao mestre Gerry Lopez.

    Aloha!



  2. 29/04/2008

    BRIAN SURRAT, UM MESTRE

    Aloha amigos,


    Tive a oportunidade de fazer a minha primeira escola de surf, no Arpoador, no Verão de 1982, 1983. Foi uma escola que era gratuita e que nós convidamos o pessoal local do Arpoador, do Morro do Cantagalo e foi bem legal.



    Eu e Brian no em frente ao seu furgão - Foto: arquivo pessoal

    Nessa escola tive a oportunidade de ter grandes instrutores: Picuruta Salazar, Almir Salazar, Pepê César, diretor de cinema que fez o Fábio Fabuloso, Ismael Miranda, entre outros. Através da escola de surfe eu plantei uma semente muito importante. Nas escolas de surfe você educa a pessoa a ter o respeito a natureza, a se alimentar bem, a ter respeito pelos outros surfistas na água.

    Eu já visitei escolas em diversas partes do mundo. Uma das escolas que mais admiro é a do Brian Surrat, que tem a Sunset Surrat Surf School. Ele trabalha em Haleiwa, em Puena Point. E além de ser instrutor é técnico do Mason Ho, filho do Michael Ho – uma das lendas vivas do surfe havaiano - e, consequentemente, sobrinho do ex-campeão mundial Derek Ho.


    Brian ensinando com estilo - Foto: Rico


    O Brian faz um trabalho bem legal com os turistas, no qual filma e tira fotos , tornando-se um verdadeiro ponto turístico para quem visita o Havaí e quer pegar umas ondinhas para animar a viagem, e registrar o momento em que pratica o esporte dos reis havaianos.


    O furgão da escola - Foto: Rico

    O Brian é um local cascudo. Eu o conheço desde 1972. É um cara que tenho um tremendo respeito e fiquei muito feliz em ver que a sua escola vai de vento em popa, pois ele é um ótimo surfista e sua experiência, com certeza, faz a diferença para os alunos.

    As escolas de surfe tem um papel fundamental, educativo no surfe. Elas ensinam o básico do esporte e formam surfistas que no futuro se portarão bem melhor na água. Aproveito para deixar meus parabéns ao Brian e a todos os instrutores que fazem esse trabalho aqui no Brasil.


    Os turistas se preparando para a aula - Foto: Rico

  3. 26/04/2008

    WATERMANS E O STAND UP DE TRAVESSIA

    Aloha amigos,

    Hoje irei falar um pouco sobre a cultura do Havaí e suas várias formas de manifestação, além da tradição do povo havaiano.

    Um dos ícones havaianos foi o surfista e guarda-vidas Eddie Aikau, que foi fazer uma travessia com mais onze havaianos, partindo do Havaí até o Taiti. O percurso foi feito sem instrumentos, apenas olhando para as estrelas como orientação. Eddie simboliza o conceito de Waterman entre os havaianos: o cara que mergulhava, que pegava onda, nadava, remava, remava em canoas e também era pescador. Dentre essas inúmeras atividades, uma que não posso deixar de falar é a travessia entre uma ilha e outra, do arquipélago havaiano.




    Amarradão com a SUP de travessia - Foto: arquivo pessoal

    Uma das atividades que têm crescido bastante é o Stand Up Surfing, mais conhecido como SUP, que também é utilizado em travessias. Nesse tipo de modalidade, uma das travessias é remada entre Molokai e Maui, que são mais de cinqüenta quilômetros e podem durar até nove horas, ou mais. É bem pesado. Eu recebi um convite do Vitor Marçal, que tem uma dessas pranchas de SUP de travessia, com 16 pés de comprimento, para remar em uma de suas pranchas. É muito bom remar nesse tipo de prancha quando o vento está a favor. No dia em que remei com ele, os ventos estavam com aproximadamente 50 Km/h direção Sunset para Waimea e o vento estava tão forte que eu mal conseguia segurar a prancha. Coloquei ela na água e remei para o out side de Sunset com o Vitor, que tem muita experiência e é um campeão de travessias no Havaí. Também estava o Cris, outro guarda-vidas.





    As pranchas chegam a ter 16 pés - foto: arquivo pessoal





    Nós pegamos o vento a favor em direção a Waimea e fomos no que chamamos “down wind”. Mas o Vitor mostrou que realmente está com a “manha” do Stand Up de Travessia. Além de remar muito bem ele foi conectando e surfando nas ondulações, ele ia embalando e pegando velocidade ao sabor das ondas. Ele conseguia uma velocidade bem superior a minha com essa técnica e digo que ele é nosso mestre no SUP.



    Eu e Vitor Marçal, nosso mestre no SUP - Foto: arquivo pessoal

    Esse dia foi bem divertido e eu fui remar depois de um dia em que eu dei três caídas, uma delas surfando de SUP. Peguei umas ondas lá em Laniakea e já estava bastante cansado, mas eu não queria amarelar para o convite de remar de Sunset para Waimea. A sensação foi espetacular: está ali no alto mar, sozinho, sentindo a força do oceano. Eu me incluo nesse conceito do Waterman por que eu gosto de mergulhar, de pegar onda de pranchinha, de pranchão, de SUP.

    Agora eu estou me lembrando de uma fase em que eu remava – nas também tradicionais padlle boards, às quais se rema deitado - todos os dias da praia da Macumba até o Quebra-Mar, no Rio e nessa fase eu adquiri um ótimo preparo físico e eu acho que essas remadas são muito legais. Eu também fui do Arpoador até a Ilha Redonda, são 30 Km ( ida e volta ) e você tem que estar em total harmonia com o mar, pois ali você não está fazendo isso pra ninguém, é só você e o mar. Outra travessia que eu fiz que também foi bem legal, foi quando eu saí de Geribá, em Búzios e fui até a Praia do Forte, em Cabo Frio. Foi um percurso bem longo, a água estava bastante fria, o mar bem grande e quem me acompanhou para me pegar de carro em Cabo Frio foi o Carlos Augusto, o “Cara”. Acabei chegando bem antes do esperado e o percurso durou cerca de duas horas e meia. Fiquei esperando ele lá durante horas e acabei pegando uma carona para voltar para Búzios. Quando ele chegou lá para me buscar ficou adrenalizado, achando que eu havia me perdido no mar. Passado o susto, nos encontramos e fomos comemorar a travessia. Um detalhe legal de ressaltar nestas pranchas de SUP de travessia é que você consegue direcionar a prancha através de sua quilha, que funciona como um leme e otimiza a sua posição nas ondulações, enquanto fica de pé, aumentando a velocidade da prancha.

    Para saber mais sobre o Stand Up ou encomendar pranchas, ligue para 2438-1821 ou entre no site Ricosurf.com.

    Boas ondas!

  4. 22/04/2008

    KADINHO, DISPOSIÇÃO E CORAGEM NAS ONDAS GRANDES

    Aloha amigos!

    Hoje vou falar do meu grande amigo Ricardo Meyer, o Kadinho. Tive o prazer de conhecê-lo no início dos anos 60, no Leblon, quando ele costumava se atirar em ondas grandes no surf de peito. Nesta época ninguém ainda surfava e só em 1964 adquirimos nossas primeiras pranchas, que eram feitas de madeirite. A partir daí, viramos grandes parceiros do surf.


    Kadinho nos dias de hoje

    Nesta mesma época, os big riders cariocas eram separados pelas ruas do Leblon. O Kadinho e o Padilha eram da rua Bartolomeu Mitre, o Tonel e o Zé Português eram rua Copertino Durão, o Serginho meio quilo e Jorge Maluco eram da rua José Linhares e eu morava na rua João Lira. O interessante é que entre todos nós, o Kadinho realmente brilhava nas ondas grandes com a sua coragem e pelo fato de ser totalmente destemido.

    Lembro de um dia que pegamos uma grande ondulação de Sul nas direitas - Backdoor - do Píer de Ipanema, junto com os surfistas Gustavo Carreira, Jorge Prietman e Ceceu. O mar estava bastante pesado e somente algumas pessoas caíram nesse dia. O Kadinho estava sem cordinha e perdeu sua prancha, que logo foi em direção ao Píer. Com um extremo ato de coragem, ou talvez loucura, ele resolveu buscá-la e acabou sendo jogado contra as pilastras do píer. Neste mesmo dia pegamos um final de tarde no canto do Leblon. Foram duas caídas casca grossa que ficarão marcadas eternamente.



    Curtindo a mesma onda: Kadinho cavando de frontside com estilo, em baixo de Mario Rizo. Foto tirada no Píer de Ipanema, no início dos anos 70

    Tive também o imenso prazer de poder compartilhar minha segunda ida ao Havaí com o Kadinho. A viagem foi bastante longa e chegamos lá de madrugada sem conhecer ninguém, além de não ter aonde dormir. Depois de andar horas pelas ruas com as malas e com as pranchas, avistamos um carro velho que estava abandonado e acabamos dormindo dentro dele na companhia de vários mosquitos. No dia seguinte, achamos uma casa em Velzyland, onde moramos por bastante tempo com o Ricardo Bocão, Otávio Pacheco e Henrique, da Bennet Foam. Morar ali com eles foi uma experiência muito legal e pudemos aproveitar ao máximo o inverno de 1973.

    Tenho duas lembranças marcantes de ondas grandes que surfamos juntos no Havaí. A primeira, quando pegamos pela primeira vez um mar grande em Pipeline, onde o Kadinho dropou uma onda de 12 pés muito radical e colocou pra dentro de um tubo insano. Aquilo foi tão animal que a partir daquele dia passei a chamá-lo carinhosamente de “Ani”, pela sua atitude e coragem. Já a segunda, quando fomos surfar com nossas gunzeiras uma gigante ondulação em Waimea. Recordo-me que ele pegou uma onda da série, dropou de backside e levou uma vaca sinistra que lhe fez perder a prancha. Eu, podendo ser varrido pela série, fiz a loucura de ir buscá-la em baixo do pico para que ele não tivesse que nadar naquelas condições. Por sorte tudo deu certo e acabei entregando a prancha na mão dele.

    Também não poderia deixar de falar das ondas grandes que pegamos juntos em Saquarema. Fizemos a bateria final do Campeonato Ala Moana com o Ricardo Bocão e o Betão em esquerdas de 10 pés quebrando atrás da lage da Praia de Itaúna. Todos ficaram chocados com a performance do Kadinho naquelas esquerdas. Nelas, ele realmente era o cara. Sem contar nas vezes que surfamos as ondas tubulares da Lage do Jaconé, quando havíamos acabado de voltar do Havaí e estávamos com uma excelente preparação física.



    Kadinho sentado no capô do Fusca, em frente ao bar do EL OMBRE, em CHICAMA (PERU), ao lado do grande surfista peruano Gordo Barreda


    Kadinho, saiba que tenho muito respeito pela pessoa que você é e por tudo que você já fez pelo surf brasileiro. Agradeço tudo que fez pela minha escola de surf também. Deixo aqui um forte abraço para você e toda sua família.

    Boas ondas – Aloha!

  5. 15/04/2008

    VALDIR VARGAS: TUBE RIDER POR EXCELÊNCIA

    Aloha amigos,

    Desta vez vou falar de um dos maiores tube riders que o Brasil já teve, o Valdir Vargas. Ele foi outro grande surfista brasileiro que fez parte da equipe Rico nos anos 80 e ,sem dúvidas, foi um dos mais talentosos surfistas brasileiros de todos os tempos. Big rider e exímio tube rider , o Valdir esbanjava talento, com uma ótima colocação na hora de entubar, que junto com o Pepê e o Renan Pitanguy, o alçou a condição de um dos o melhores brasileiros em Pipeline.




    Valdir Vargas na equipe Rico - o último da direta (de camiseta branca)

    Sua colocação e sua técnica, alem da coragem, faziam dele um surfista completo, que surfava bem em qualquer tipo de onda. Me lembro de um campeonato, em Saquarema quando a equipe Rico conquistou os primeiros lugares com uma atuação impecável do Vargas.

    O Valdir hoje tem uma família do surfe e deixou muitos ensinamentos para eles. Junto coma Gica, sua esposa, os Vargas formam uma família do surf. Os dois tiveram três filhos e um deles, o Jerônimo, é um dos grandes nomes da nova geração.




    Valdir Vargas e sua esposa Gisele

    Lembro dele surfando em Sunset grandão e também gostava de surfar Waimea. Sua raça e disposição nas ondas grandes era latente. Ele se distanciou um pouco do surf depois da morte de seu pai, mas até hoje eu o encontro surfando. Eu não poderia deixar de dizer que ele é um surfista de alma; que sempre surfou pela paixão, nunca levou o esporte para o lado comercial. Me lembro, no começo dos anos 80, quando ele se destacou no circuito mundial na Austrália, em Bells, e depois em Uluwatu. Na época não havia muitos patrocínios e o Valdir investiu dinheiro do próprio bolso para realizar e seguir seus sonhos. E isto que fez a diferença.


    Deixo um Aloha especial para a famíla Vargas, uma família do surfe!!!

  6. 02/04/2008


    CAULI RODRIGUES: TALENTO E PROFISSIONALISMO


    Aloha amigos,

    È com muito prazer que dessa vez vou falar do meu amigo Cauli Rodrigues, um dos mais talentosos e importante susfistas que o Brasil já teve e que dentro d’ água era um dos melhores competidores.

    Às vezes existe uma grande diferença entre ser um bom surfista e comeptidor e o Cauli reunia as duas: era muito dedicado, sempre o primeiro a cair na água e sempre buscando as melhores condições. A bordo do seu fusquinha, ele percorria as praias do Rio diariamente, sempre com muita disposição e faro para saber aonde estava quebrando “aquela” ondinha.




    Cauli amarradão - Foto: Fedoca / www.clicksurf.com.br

    Seu surfe de back side, com batidas retas, eram a assinatura e sua marca registrada. Ele o primeiro brasileiro a treinar profissionalmente e sempre lembro de sua excelente colocação nos tubos era outro ponto alto do seu surf. No final dos anos 70 foi um dos dominou o surf brasileiro. Um outro ponto marcante na sua personalidade forte, era que estava sempre reclamando das pranchas, mesmo quando vencia. Mas isso acontecia porquê ele era muito exigente e estava sempre buscando seus limites.






    Back side atack - uma das marcas registradas de Cauli - foto: arquivo pessoal


    O Arpoador era o palco principal do Cauli. onde ele se destacava dos demais surfistas tanto pra direita como nos dias grandes atrás do pontão. Outro lugar que o Cauli sempre mandava muito bem era nas direitas de Itaúna, onde ele conquistou o título barsileiro. Em Ubatuba ele fez várias finais.




    Profissional ao extremo, Cauli elevou o nível do surfe brasileiro - Foto: arquivo pessoal


    Me lembro que ele brilhou na Austrália, em Burleigh Heads, quando deu uma dura no Cheyne Horan foi uma bateria daquelas inesquecíveis que nos deixou com muito orgulho de sermos brasileiros. Nessa vez ele foi com o Pepe, seu grande amigo e faziam parte da equipe Rico e lembro que fiz 20 pranchas para a equipe. . Com certeza a sua dedicação no surf influenciou muitas gerações. Sem dúvida o surf brasileiro deve muito a ele! O Cauli deveria ser sempre homenageado e lembrado.

    Aloha Cauli!!




  7. 27/03/2008


    FRED D´OREY: UM SURFISTA COM ESTILO

    Aloha amigos,


    Tive vários ótimos atletas em minha equipe. Já falei do Valério, em breve falarei do Valdir Vargas e um que não poderia deixar de ser citado é o Fred D´orey. Ele pertenceu a uma nova geração. Depois de mim, Cauli - que também comentarei em breve - e Valério, não poderia esquecer do D´orey.





    Equipe Rico reunida. Fred D´orey o primeiro da esquerda para direita - Foto: arquivo pessoal Rico

    Ele sempre foi um surfista que tinha um surf moderno pra época. Suas manobras e seu estilo original faziam a diferença nas baterias e quem o via nas sessões de freesurf sempre se impressionava com sua colocação nos tubos e sua facilidade de manter se sempre no trilho da onda.

    O Fred sempre imprimia muita velocidade na prancha, a tanto de back quanto de front side. Ele foi um dos expoentes da década de 1980; foi um excelente competidor. Lembro-me que ele gostava mais de ondas pequenas e médias, nas quais durante um tempo foi um dos melhores sufristas e influenciou uma geração. Suas atuações nos “Waimea 5000” não deixam dúvida de seu potencial como competidor.



    D´orey em ação - Foto: totempraia.com.br

    Hoje Fred se destaca como jornalista, sendo colunista de uma grande revista de surfe, na qual escreve textos polêmicos e inteligentes, que tocam nas feridas e nos assuntos mais diversos. Além da verve jornalística ele é estilista e empresário, dono da “Totem” uma marca que tem a cara dele: bom gosto, despojado e praiana

    Outra faceta de D´orey. é seu lado viajante. Ele está sempre em lugares inusitados procurando boas ondas . Um de seus lugares preferidos é a Indonésia, onde pega altos tubos em Uluwatu, sua onda favorita.

    Fred também já viajou para lugares exóticos junto com o Randy Rarick. Deixo um abração para o Fred, que deixou registrada a minha admiração por ele e pelo seu surf.



  8. 20/03/2008

    ROBERTO VALÉRIO: RAÇA E TALENTO A SERVIÇO DO SURF

    Aloha amigos,

    Queria falar sobre uma pessoa que eu tenho muita admiração, que gosto muito e que colaborou muito com o surf brasileiro. Ele também foi um grande big rider e nós, brasileiros, o admiramos muito por tudo que fez, não só como surfista e competidor, mas também com os eventos que fez e todo o apoio que deu a muito s surfistas.

    Trata-se do falecido Roberto Valério. Ele participou da equipe Rico. Junto comigo, Valdir, Cauli e Fred Dorey. Essa foi uma equipe que me trouxe muito orgulho, eram todos muito focados. Hoje estamos falando do Valério mas depois falaremos sobre os outros da equipe. O Valério era um sujeito muito competitivo e tinha muita garra ele sempre se empenhava dando tudo de si e chegou a derrotar muitos ótimos surfistas.




    A equipe Rico na Austrália - Valério de cabeça baixa à primeiro da direita para a esquerda

    Lembro-me na África do Sul, quando o Valério estava disputando um dos eventos da perna sul-africana e na frente de toda a mídia mundial ele derrotou o favorito. Nós brasileiros estávamos lá torcendo por ele e foi muito bom. Seu surf radical se superava nestas ocasiões. Não me esqueço deste dia e desta sua vitória. Sua raça, condicionamento físico e talento foram inesquecíveis.

    Eu estou indo pro meu trigésimo sexto inverno havaiano, e me lembro de um dia em Sunset, com o mar subindo de oeste. Waimea estava começando a fechar e em Sunset as séries estavam enormes. O Valério e o Valdir estavam lá fora surfando ondas memoráveis. De repente, o Valério botou pra baixo numa das maiores do dia! O Gordinho ( Paul Cohen renomado fotógrafo havaiano) estava na areia e registrou a onda numa foto incrível. O Valério botou pra dentro e andou um tempão dentro do tubo. Foram poucos surfistas que eu vi ter tanta coragem.Através de sua marca, a Cyclone, uma parceira do Valério com o Mauro Taubman e o Luis de Freitas, ele patrocinou muitos brasileiros dando a oportunidade de correr o circuito mundial. OVictor Ribas é um bom exemplo. Nesta época o Vitinho conseguiu conquistar o melhor resultado da historia do surf brasileiro, ficou em terceiro lugar no ranking final do WCT.




    Valério no Quebra-Mar do Rio -

    Outro feito importantíssimo na carreira do Valério foi o mundial amador, realizado pela primeira vez no Brasil, na Barra da Tijuca. Foi uma festa inesquecível e que ajudou muito na evolução do surf brasileiro e na evolução de muitos surfistas. Gostaria de deixar uma homenagem para alguém que tanto fez pelo surf brasileiro. Tive a oportunidade de viajar pelo mundo ao lado do “Russo”, apelido carinhoso que nos gostávamos de chamá-lo.

    Aloha Russo!




  9. 14/03/2008

    CURTINDO A TRIGÉSIMA SEXTA TEMPORADA HAVAIANA

    Aloha amigos,



    Cheguei ao Havaí e mesmo após trinta e seis temporadas a energia continua tão forte quanto da primeira vez que pisei nesse maravilhoso arquipélago. Em todos esses anos que venho aqui, a cada vez que piso nas Ilhas percebo que aqui é realmente a Meca do surfe mundial. Vários lugares no mundo possuem ondas talvez até melhores que as havaianas, porém, a atmosfera desse lugar é insuperável.

    Cheguei aqui um pouco depois do auge da temporada - dezembro, janeiro e fevereiro - que nesse ano foi bastante fraca e para a minha surpresa e sorte, tenho pego altas ondas. Ontem mesmo o mar subiu e hoje, enquanto escrevo esse texto, vislumbro um belo visual, com meus amigos, entre eles Horácio Seixas, que desenhou o meu logotipo e é primo de Raul Seixas e o conceituado fotógrafo Paul Cohen, o Gordinho.




    Altas ondas em Sunset, foto: Fred Rozario

    Tenho dedicado boa parte do meu tempo ao Stand Up Padle Surf, modalidade que é uma verdadeira febre no Havaí. Estou surrando com uma prancha ótima do guarda-vidas Victor Marçal, um waterman brasileiro, que coordena uma equipe de guarda-vidas no North Shore. Victor é campeão de algumas travessias entre as ilhas havaianas.

    Peguei um mar excelente em Sunset de S.U.P. As ondas estavam em torno de 6 a oito pés e confesso que me surpreendi com meu desempenho. O mar estava bastante difícil, mas com a ótima nove pés que o Victor me emprestou, consegui pegar altas ondas, mesmo com muito vento e correnteza.




    O S.U.P tem feito a cabeça de Rico de Souza no Havaí - Foto: Fred Rozário

    A prancha foi shapeada pelo excelente shaper local Blane Chambers, que é um dos maiores incentivadores do esporte na Ilha. Inclusive a principal publicação havaiana, o "Honolulu Advertiser" publicou uma matéria na qual enaltece o valor de um local que contribuiu bastante para a expansão do esporte no Mundo.

    Quando venho ao Havaí procuro sempre estar atento às novas tendências e o Chambers ficou de me emprestar uma prancha sua que, segundo ele, é mágica! Estou amarradão para surfar com ela e estudá-la e fazer algumas parecidas no Brasil. Agora o surfe me chama e espero que todos estejam curtindo meu blog. A mensagem principal é de que o Havaí continua maravilhoso e nessa 36a temporada percebo que aqui mudou muito pouco. Admiro os havainos por sua cultura local, suas raízes.




  10. 04/03/2008

    FRED HEMMINGS, O SENADOR DO SURFE

    Aloha amigos,


    Dessa vez vou falar de um grande nome do surfe mundial, o senador havaiano, Fred Hemmings. Ele nasceu 9 de janeiro em 1946 , em Honolulu , e é um cara que fez muito pelo surfe mundial: foi o responsável pelo surfe profissional como conhecemos hoje, foi idealizador do Pipeline master - um campeonato que acontece a mais de 25 anos - sendo considerado um dos mais tradicionais do mundo.




    Rico, Randy Rarick e o senador



    Fred foi o cara que criou o primeiro formato de competição profissional no surfe, eu o considero como um " Real Water Man" - surfa, nada, rema - e sempre foi um grande surfista. Em 1969 sagrou-se campeão mundial e fora da água, sempre foi uma pessoa muito estudiosa em todos os aspectos; sempre trazendo toda a sua cultura para o surfe.

    Foi fundador e produtor da Tríplice Coroa Havaiana - três dos mais importantes eventos que compõe o circuito mundial -, fundador da associação dos surfistas profissionais ( antiga IPS e hoje ASP), além de ser membro do ilustre do "Boards Club of Honolulu".

    O senador do surfe, é muito ligado ao mar, independente da prancha. Lembro-me dele praticando canoagem - que os havaianos chamam de "outrigger". Eu mesmo tive o prazer de almoçar num dos clubes mais tradicionais de "outrigger". de Honolulu. O "outrigger". - pra quem não sabe - é aquela canoa que tem aquele apoio do lado, na qual os havaianos descem as ondas.






    E a galera no Havaí pega ondas bem grandes com esse tipo de canoa. Nessa sequência de fotos postadas, de camisa branca, caindo, é o Fred Hemmings. Essa onda deve ter uns 10 pés, e o primeiro já se jogou no início do drop e viraram a vaca.

    O Fred me narrou pessoalmente esse drop. Ele me disse que a canoa bateu em sua cabeça, e ele quase desmaiou! Quem olha essa foto, com essa água azul, não tem noção de como essa onda é poderosa e de como essa situação é extrema. Essa canoa tem de seis a oito metros - você pode comparar ao tamanho da canoa - eles viraram uma vaca enorme aqui.




    Ainda sobre meu amigo Hemmings, em 1991 ele entrou para o Hall da Fama do surfe. E emplacou - pela segunda vez - o cargo de Senador pelo estado do Havaí. Eu sou muito orgulhoso de tê-lo como amigo, pois trata-se de um ícone do surfe mundial. O Fred passou toda a experiência dele em organização de eventos, administração de campeonatos, para o Randy Rarick, com quem eu morei no Havaí. Eu conheci o Randy em 1972, no campeonato mundial, na Califórnia, e ficamos muito amigos. E o Randy me passou o bastão, me ensinando tudo sobre organização de campeonatos, sobre marketing, e ele se tornou meu guru do surfe. Fica aqui meus agradecimentos a esse dois grandes nomes do surfe mundial.

Rico de Souza nasceu em junho de 1952, no Rio de Janeiro. Com mais de trinta anos de surfe, ele faz parte da Comissão Nacional de Atletas e ganhou o título de Embaixador do Surf Brasileiro. Rico conquistou seis vezes o título nacional, três deles na categoria pranchinha (1969 / 72/ 73), e os outros três na categoria longboard (1987 / 88/ 89), além do vice-campeonato mundial amador de longboard em 1988 e no Circuito Mundial de Longboard da ASP em 1989.O surfista e empresário contribuiu com iniciativas pioneiras no país. No início dos anos 90, Rico inaugurou a primeira escola de surf do Brasil, que está em funcionamento até hoje, além de promover o Campeonato Brasileiro de Longboard desde 2002.

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